Questão de Medicina — Pediatria e Neonatologia — VUNESP 2025
Medicina›Pediatria e Neonatologia
Código
vu093246
Banca
VUNESP
Órgão
FAMEMA
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico I - Especialidade: Pediatria
Um recém-nascido do sexo masculino nasce a termo, após uma gravidez sem complicações. Durante o exame físico inicial, a equipe percebe uma massa abdominal protuberante na linha média, coberta por uma membrana fina, que se exterioriza na base do cordão umbilical. O conteúdo da massa parece incluir alças intestinais e, possivelmente, partes do fígado. O recém-nascido está hemodinamicamente estável, com parâmetros vitais normais e sem sinais de desconforto respiratório imediato.Qual é o diagnóstico mais provável e o manejo inicial apropriado para esse caso?
AGastrosquise; correção cirúrgica de emergência.
BOnfalocele; cobertura da membrana correção cirúrgica programada.
CHérnia umbilical; observação e possível correção posterior.
DEnteropatia associada à prematuridade; suporte nutricional.
EDivertículo de Meckel; cirurgia eletiva após diagnóstico por imagem.
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GabaritoB — Onfalocele; cobertura da membrana correção cirúrgica programada.
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Onfalocele e Gastrosquise: diagnóstico e manejo inicial
Gabarito: letra B. O quadro descrito — massa abdominal protuberante na linha média, coberta por membrana, exteriorizada na base do cordão umbilical, contendo alças intestinais e possivelmente fígado — é a descrição clássica de onfalocele. O manejo inicial apropriado é a cobertura da membrana com curativo estéril e correção cirúrgica programada, não emergencial, pois a membrana protege o conteúdo abdominal. A alternativa B é a única que associa corretamente o diagnóstico ao manejo.
A onfalocele é um defeito da parede abdominal na linha média, na região do umbigo, em que as vísceras (intestino, fígado, etc.) se exteriorizam através do anel umbilical, mas permanecem cobertas por uma membrana (peritônio e âmnio). Essa membrana é o que a diferencia da gastrosquise, na qual não há membrana e as alças intestinais ficam expostas diretamente ao líquido amniótico, causando inflamação e edema. A presença da membrana na onfalocele é um fator protetor, pois evita a contaminação e o ressecamento das vísceras, permitindo que a correção cirúrgica seja feita de forma programada, após avaliação e estabilização do recém-nascido.
O diagnóstico é essencialmente clínico, feito pelo exame físico na sala de parto. A ultrassonografia pré-natal pode identificar a malformação, mas o exame físico é o que confirma. No manejo inicial, além da cobertura da membrana com curativo estéril (geralmente com gaze embebida em soro fisiológico ou filme plástico), é importante: manter o recém-nascido aquecido, posicioná-lo em decúbito lateral ou dorsal, instalar sonda orogástrica para descompressão gástrica e iniciar antibioticoterapia profilática. A correção cirúrgica é indicada, mas não é uma emergência imediata, a menos que haja complicações como ruptura da membrana, perfuração ou isquemia intestinal.
A principal distinção que a banca explora é entre onfalocele e gastrosquise. A tabela abaixo resume as diferenças:
Característica
Onfalocele
Gastrosquise
Localização
Linha média, base do cordão umbilical
Lateral ao cordão (geralmente à direita)
Membrana
Presente (peritônio e âmnio)
Ausente (alças expostas)
Conteúdo
Intestino, fígado, outros órgãos
Geralmente apenas intestino
Associação com outras malformações
Frequente (cardíacas, cromossômicas)
Menos frequente
Manejo
Correção cirúrgica programada
Correção cirúrgica de emergência
A pegadinha da questão está em trocar o diagnóstico e o manejo: a gastrosquise (alternativa A) é uma emergência cirúrgica, mas não é o caso descrito, pois há membrana. A hérnia umbilical (alternativa C) é uma condição comum, mas não apresenta membrana e o conteúdo é redutível, sem risco de complicações imediatas. As demais alternativas (D e E) não se relacionam com o quadro clínico apresentado.
Guarde a fronteira entre onfalocele e gastrosquise: a presença ou ausência da membrana é o critério decisivo que separa o diagnóstico e, consequentemente, o manejo (programado vs. emergencial). É exatamente nessa distinção que as alternativas se dividem.
Defeitos de parede abdominal
1Onfalocele
linha média, base do cordão
membrana presente (peritônio/âmnio)
conteúdo: intestino, fígado
correção cirúrgica programada
2Gastrosquise
lateral ao cordão (direita)
sem membrana (alças expostas)
conteúdo: geralmente intestino
correção cirúrgica de emergência
3Hérnia umbilical
coberta por pele
conteúdo redutível
conduta expectante
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Alternativa A — ❌ Incorreta
A gastrosquise é um defeito da parede abdominal sem membrana, com alças intestinais expostas ao líquido amniótico, causando inflamação e edema. O manejo é a correção cirúrgica de emergência. No caso descrito, há membrana, o que caracteriza onfalocele, não gastrosquise. A alternativa erra ao trocar o diagnóstico e, consequentemente, o manejo.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A onfalocele é o diagnóstico correto, pois há massa na linha média coberta por membrana, na base do cordão umbilical. O manejo inicial é a cobertura da membrana com curativo estéril e a correção cirúrgica programada, pois a membrana protege o conteúdo e permite que a cirurgia seja feita de forma eletiva, após estabilização do recém-nascido.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A hérnia umbilical é uma protrusão do conteúdo abdominal através do anel umbilical, mas é coberta por pele e tecido subcutâneo, não por membrana fina. Além disso, o conteúdo é redutível e não há risco de complicações imediatas, sendo a conduta expectante na maioria dos casos. A alternativa erra ao descrever a membrana e o conteúdo.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A enteropatia associada à prematuridade é uma condição que afeta recém-nascidos prematuros, com má absorção e intolerância alimentar. O recém-nascido do caso é a termo e o quadro é de massa abdominal, não de sintomas gastrointestinais. A alternativa não se relaciona com o caso.
Alternativa E — ❌ Incorreta
O divertículo de Meckel é uma anomalia congênita do intestino delgado, mas não se exterioriza pela parede abdominal. O diagnóstico é feito por exames de imagem (cintilografia) e o tratamento é cirúrgico eletivo, mas não se aplica ao caso descrito, que apresenta massa abdominal exteriorizada.