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Questão de Medicina — Pediatria e Neonatologia — VUNESP 2025

MedicinaPediatria e Neonatologia
Código
vu093249
Banca
VUNESP
Órgão
FAMEMA
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico I - Especialidade: Pediatria
Sobre as principais afecções ortopédicas pediátricas, assinale a afirmativa correta.
  1. APé torto congênito é uma das mais comuns deformidades dos pés que, quase sempre, requer correção cirúrgica, uma vez que os métodos conservadores de correção não são muito eficazes.
  2. BEscoliose idiopática do adolescente é afecção ortopédica bastante frequente e predomina na região lombar dos adolescentes do sexo masculino.
  3. CEm crianças com até, aproximadamente, 1 ano de idade, é comum e considerado normal o aspecto valgo dos membros inferiores.
  4. DA doença de Osgood-Schlatter é um apofisite de tração na região dos tornozelos dos adolescentes em estirão puberal.
  5. EApresentação pélvica fetal e o oligoidrâmnio são fatores de risco pré-natais importantes para o desenvolvimento de displasia de desenvolvimento do quadril em crianças.
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GabaritoE — Apresentação pélvica fetal e o oligoidrâmnio são fatores de risco pré-natais importantes para o desenvolvimento de displasia de desenvolvimento do quadril em crianças.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Afecções ortopédicas pediátricas: displasia do desenvolvimento do quadril e outras

Gabarito: letra E. A afirmativa correta é a que aponta a apresentação pélvica fetal e o oligoidrâmnio como fatores de risco pré-natais para a displasia do desenvolvimento do quadril (DDQ), condição em que há anormalidade na formação ou na estabilidade do quadril do recém-nascido. As demais alternativas contêm erros conceituais: o pé torto congênito responde bem ao tratamento conservador (método de Ponseti), a escoliose idiopática predomina em meninas e na região torácica, o valgo fisiológico dos membros inferiores é típico de crianças entre 2 e 4 anos (não até 1 ano), e a doença de Osgood-Schlatter é uma apofisite da tuberosidade anterior da tíbia, no joelho, não no tornozelo.

A displasia do desenvolvimento do quadril (DDQ) é um espectro de anormalidades que vão desde a instabilidade (luxação) até a displasia acetabular, presente ao nascimento ou que se desenvolve nos primeiros meses de vida. O diagnóstico precoce é essencial, pois o tratamento é mais eficaz e menos invasivo quanto mais cedo for iniciado. Os fatores de risco clássicos para DDQ são divididos em pré-natais, perinatais e pós-natais. Entre os pré-natais, destacam-se a apresentação pélvica (especialmente a pélvica completa), o oligoidrâmnio (diminuição do líquido amniótico, que restringe os movimentos fetais), o sexo feminino (maior laxidade ligamentar), a primiparidade e a história familiar positiva. O oligoidrâmnio reduz o espaço intrauterino, limitando a movimentação fetal e favorecendo a compressão do quadril contra a parede uterina, o que pode levar à luxação. A apresentação pélvica, por sua vez, está associada a uma posição anormal do feto que aumenta o risco de instabilidade do quadril.

O exame físico é a principal ferramenta de triagem, com os testes de Ortolani (manobra de redução da luxação) e Barlow (manobra de provocação da luxação), realizados no período neonatal. A ultrassonografia é o exame de imagem de escolha até os 4-6 meses de idade, quando a ossificação do núcleo cefálico femoral ainda não está completa; após essa idade, a radiografia é o método preferido. O tratamento varia conforme a idade: no recém-nascido, utiliza-se o suspensório de Pavlik; em crianças maiores, pode ser necessária a redução incruenta ou cruenta com imobilização gessada.

A banca explora, nesta questão, o conhecimento de características específicas de cada afecção ortopédica pediátrica, exigindo que o candidato diferencie corretamente as apresentações clínicas, os fatores de risco e os tratamentos. A pegadinha central está em associar corretamente cada doença à sua descrição, evitando generalizações ou trocas de localização anatômica. Vamos analisar cada alternativa em detalhe.

Afecção

Característica correta

Erro na alternativa

Pé torto congênito

Tratamento conservador (Ponseti) é eficaz em ~90% dos casos; cirurgia é exceção

Afirma que "quase sempre requer cirurgia" e que métodos conservadores são ineficazes

Escoliose idiopática do adolescente

Predomina no sexo feminino e na região torácica

Afirma predomínio no sexo masculino e na região lombar

Alinhamento fisiológico dos membros inferiores

Até ~1 ano: geno varo (fisiológico); geno valgo é típico entre 2 e 4 anos

Afirma que o valgo é comum até 1 ano

Doença de Osgood-Schlatter

Apofisite de tração da tuberosidade anterior da tíbia (joelho)

Afirma que ocorre no tornozelo

Displasia do desenvolvimento do quadril (DDQ)

Apresentação pélvica e oligoidrâmnio são fatores de risco pré-natais (correto)

— (alternativa correta)

1Fatores de risco pré-natais
Apresentação pélvica
Oligoidrâmnio
Sexo feminino
Primiparidade
História familiar
2Diagnóstico
Exame físico (Ortolani e Barlow)
Ultrassonografia (até 4-6 meses)
Radiografia (após 4-6 meses)
3Tratamento
Suspensório de Pavlik (recém-nascido)
Redução incruenta ou cruenta (crianças maiores)
Displasia do desenvolvimento do quadril (DDQ)
LEVELsoulevel.com.br
Displasia do desenvolvimento do quadril (DDQ): Fatores de risco pré-natais (Apresentação pélvica, Oligoidrâmnio, Sexo feminino, Primiparidade, História familiar); Diagnóstico (Exame físico (Ortolani e Barlow), Ultrassonografia (até 4-6 meses), Radiografia (após 4-6 meses)); Tratamento (Suspensório de Pavlik (recém-nascido), Redução incruenta ou cruenta (crianças maiores))

Alternativa A — ❌ Incorreta

O erro está em afirmar que o pé torto congênito "quase sempre requer correção cirúrgica" e que os métodos conservadores "não são muito eficazes". Na verdade, o tratamento conservador é a primeira linha e tem altíssima taxa de sucesso, especialmente quando iniciado precocemente. O método de Ponseti, que consiste em manipulações semanais, gessos seriados e uso de órtese de abdução (tala de Dennis Browne), alcança correção em cerca de 90% dos casos sem necessidade de cirurgia. A cirurgia fica reservada para casos refratários, não tratados ou com deformidades graves e rígidas. Portanto, a afirmativa inverte a realidade: o tratamento conservador é eficaz e a cirurgia é exceção, não regra.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A escoliose idiopática do adolescente (EIA) é a forma mais comum de escoliose estrutural, mas a afirmativa erra em dois pontos: (1) predomina no sexo feminino, com proporção que pode chegar a 10:1 em curvas maiores, e não no masculino; (2) a localização mais frequente é a região torácica (ou toracolombar), não a lombar. A EIA é definida como uma curvatura lateral da coluna vertebral, com rotação vertebral, sem causa identificável, que surge na adolescência. O diagnóstico é clínico (teste de Adams) e confirmado por radiografia (ângulo de Cobb). O tratamento depende da magnitude da curva e do potencial de crescimento: observação, órtese (colete) ou cirurgia (artrodese). A banca troca o sexo e a localização, características que são bem estabelecidas na literatura.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A afirmativa confunde o padrão fisiológico de alinhamento dos membros inferiores. Em crianças até aproximadamente 1 ano de idade, o padrão normal é o geno varo (joelhos afastados, "pernas arqueadas"), que é fisiológico e decorre da posição intrauterina. O geno valgo (joelhos aproximados, "pernas em X") é o padrão normal em crianças entre 2 e 4 anos de idade, sendo também fisiológico. Portanto, a alternativa inverte os padrões: até 1 ano é varo, e não valgo. Essa é uma pegadinha clássica, pois o valgo é comum em uma faixa etária diferente da mencionada. O acompanhamento do desenvolvimento do alinhamento dos membros inferiores é parte da puericultura ortopédica, e a maioria dos casos se resolve espontaneamente.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A doença de Osgood-Schlatter é uma apofisite de tração da tuberosidade anterior da tíbia, localizada no joelho, e não no tornozelo. Ela ocorre em adolescentes em fase de estirão de crescimento, especialmente em meninos praticantes de atividades esportivas que envolvem saltos e corridas, devido à tração repetitiva do tendão patelar sobre a apófise tibial. O quadro clínico é de dor e edema na região anterior do joelho, que piora com a atividade física e melhora com o repouso. O tratamento é conservador, com repouso relativo, gelo, analgésicos e fisioterapia. A alternativa erra a localização anatômica, trocando o joelho pelo tornozelo. Uma apofisite de tração no tornozelo seria, por exemplo, a doença de Sever (apofisite do calcâneo), que é outra entidade.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A afirmativa está correta. A apresentação pélvica fetal e o oligoidrâmnio são, de fato, fatores de risco pré-natais importantes para a displasia do desenvolvimento do quadril (DDQ). A apresentação pélvica, especialmente a pélvica completa, está associada a um risco aumentado de DDQ, pois a posição do feto pode levar a uma postura anormal do quadril, com flexão e adução, favorecendo a luxação. O oligoidrâmnio, por sua vez, reduz o espaço intrauterino, limitando os movimentos fetais e aumentando a compressão sobre o quadril, o que também contribui para o desenvolvimento da displasia. Esses fatores são amplamente reconhecidos na literatura ortopédica e pediátrica, e o rastreamento da DDQ deve ser intensificado em recém-nascidos com esses antecedentes. O exame físico (Ortolani e Barlow) e a ultrassonografia são fundamentais para o diagnóstico precoce.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre os padrões fisiológicos de alinhamento dos membros inferiores (alternativa C) e a localização anatômica das apofisites (alternativa D). No primeiro caso, inverte-se o varo (até 1 ano) com o valgo (2-4 anos); no segundo, troca-se o joelho (Osgood-Schlatter) pelo tornozelo. Fique atento a essas trocas sutis de características, que são as armadilhas mais comuns em questões de ortopedia pediátrica. Com treino, você identifica esses padrões de imediato 💪.

Gabarito: letra E

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