Questão de Medicina — Envenenamentos e Acidentes — VUNESP 2025
Medicina›Envenenamentos e Acidentes
Código
vu093252
Banca
VUNESP
Órgão
FAMEMA
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico I - Especialidade: Pediatria
Assinale a alternativa correta em relação à conduta diante de uma criança politraumatizada com traumatismo cranioencefálico (TCE), com hipertensão Intracraniana (HIC).
ADeve-se intubar precocemente os pacientes com TCE e HIC, para promover a proteção da via aérea e realização de hiperventilação com manutenção do ETCO2 (medida do CO2 por capnografia) entre 20 e 25 para redução da pressão intracraniana.
BDeve-se intubar os pacientes com TCE e HIC com Glasgow menor ou igual a 8 para promover a proteção da via aérea e realização de hipoventilação controlada com manutenção do ETCO2 (medida do CO2 por capnografia) entre 45 e 50, para redução da pressão intracraniana.
CDeve-se intubar os pacientes com TCE e HIC com Glasgow menor ou igual a 8, para promover a proteção da via aérea e realização de normoventilação ou hiperventilação leve com manutenção do ETCO2 (medida do CO2 por capnografia) entre 30 e 35 para redução da pressão intracraniana.
DNão se deve intubar precocemente esses pacientes, mesmo que o Glasgow seja menor ou igual a 8, pois a intubação precoce associa-se a um risco maior de herniação do SNC pela bradicardia por reflexo vagal associada ao procedimento.
EDeve-se intubar precocemente, sem uso de sequência rápida de intubação, caso o Glasgow esteja menor ou igual a 8, pois o paciente já está com o nível de consciência rebaixado, sendo desnecessário uso de sedação e bloqueador neuromuscular.
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GabaritoC — Deve-se intubar os pacientes com TCE e HIC com Glasgow menor ou igual a 8, para promover a proteção da via aérea e realização de normoventilação ou hiperventilação leve com manutenção do ETCO2 (medida do CO2 por capnografia) entre 30 e 35 para redução da pressão intracraniana.
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Manejo da via aérea no TCE com hipertensão intracraniana
Gabarito: letra C. Na criança politraumatizada com TCE e HIC, a intubação está indicada quando o Glasgow é menor ou igual a 8, para proteção de via aérea, e a ventilação deve ser ajustada para manter o ETCO2 entre 30 e 35 mmHg — normoventilação ou hiperventilação leve —, evitando tanto a hipocapnia grave (que reduz a perfusão cerebral por vasoconstrição excessiva) quanto a hipercapnia (que aumenta a PIC por vasodilatação). Essa é a conduta preconizada pelas diretrizes de suporte avançado de vida no trauma e pela Brain Trauma Foundation.
O manejo do paciente com TCE grave gira em torno de um princípio central: evitar a lesão secundária, ou seja, impedir que hipotensão, hipoxemia, hipercapnia ou hipocapnia agravem a lesão cerebral primária já instalada. No paciente com HIC, a pressão de perfusão cerebral (PPC) é o produto da diferença entre a pressão arterial média (PAM) e a pressão intracraniana (PIC). Qualquer oscilação brusca nesse equilíbrio — seja por queda da PAM, seja por aumento da PIC — compromete a entrega de oxigênio ao tecido cerebral e piora o prognóstico.
A via aérea merece atenção especial justamente porque a laringoscopia e a passagem do tubo endotraqueal causam intensa estimulação simpática, elevando a PIC de forma aguda. Por isso, a intubação deve ser feita por profissional experiente, com otimização hemodinâmica prévia e uso de sequência rápida de intubação (SRI), que reduz o risco de broncoaspiração. A escolha dos fármacos também é estratégica: agentes como etomidato, por serem cardioestáveis e reduzirem o metabolismo cerebral, são preferidos; o fentanil pode ser usado como pré-medicação para atenuar a resposta simpática à laringoscopia, desde que o paciente não esteja hipotenso.
O ponto crítico que decide esta questão é o alvo de CO2. A hiperventilação agressiva (ETCO2 entre 20 e 25 mmHg) causa vasoconstrição cerebral intensa, reduzindo o fluxo sanguíneo cerebral e podendo provocar isquemia — por isso é reservada apenas para situações de herniação iminente, como medida transitória. Já a hipoventilação (ETCO2 entre 45 e 50 mmHg) leva à hipercapnia, que dilata os vasos cerebrais e aumenta a PIC, sendo igualmente prejudicial. A conduta correta é manter o ETCO2 entre 30 e 35 mmHg, o que corresponde à normoventilação ou hiperventilação leve, garantindo adequada perfusão cerebral sem elevar a PIC.
A banca explora exatamente essa fronteira: o candidato que memorizou que "hiperventilação reduz PIC" pode marcar a alternativa A, com valores extremos de ETCO2, sem perceber que a hiperventilação profilática e agressiva é deletéria. O mesmo vale para a alternativa B, que inverte o raciocínio com hipoventilação e hipercapnia. A alternativa E erra ao dispensar a sequência rápida de intubação, pois mesmo com rebaixamento do nível de consciência, a SRI é o método de escolha para reduzir o risco de broncoaspiração e controlar a resposta hemodinâmica. A alternativa D contraria a indicação formal de intubação com Glasgow ≤ 8, que visa justamente proteger a via aérea e prevenir a aspiração.
Guarde o tripé que separa as alternativas: indicação de intubação (Glasgow ≤ 8) + método (SRI) + alvo de ETCO2 (30–35 mmHg). É exatamente nesses três eixos que as alternativas se dividem.
TCE grave com HIC: Indicação de intubação (Glasgow ≤ 8, Proteção de via aérea); Método (Sequência rápida (SRI), Etomidato (cardioestável), Fentanil (pré-medicação)); Alvo de ETCO2 (20–25 (hiperventilação → isquemia), 45–50 (hipoventilação → ↑PIC), 30–35 (normo/leve → correto))
Alternativa A — ❌ Incorreta
Erra ao preconizar hiperventilação com ETCO2 entre 20 e 25 mmHg. Esse nível de hipocapnia causa vasoconstrição cerebral intensa, reduzindo o fluxo sanguíneo cerebral e podendo provocar isquemia cerebral — é deletério e só se justifica como medida transitória em herniação iminente, nunca como conduta de rotina. O alvo correto é 30–35 mmHg.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Erra ao indicar hipoventilação controlada com ETCO2 entre 45 e 50 mmHg. A hipercapnia resultante dilata os vasos cerebrais, aumentando o volume sanguíneo intracraniano e, consequentemente, a PIC — exatamente o oposto do que se deseja. O alvo correto é 30–35 mmHg.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Espelha a conduta correta: intubação com Glasgow ≤ 8 para proteção de via aérea, com normoventilação ou hiperventilação leve, mantendo ETCO2 entre 30 e 35 mmHg. Esse alvo evita tanto a hipocapnia grave (isquemia) quanto a hipercapnia (aumento da PIC), preservando a pressão de perfusão cerebral.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Contraria a indicação formal de intubação com Glasgow ≤ 8. A intubação precoce nesses pacientes visa proteger a via aérea e prevenir broncoaspiração, sendo recomendada pelas diretrizes. O risco de herniação existe, mas é manejado com técnica adequada (SRI, pré-medicação, intubador experiente), não com a omissão da intubação.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Erra ao dispensar a sequência rápida de intubação. Mesmo com rebaixamento do nível de consciência, a SRI é o método de escolha na grande maioria dos casos, pois reduz o risco de broncoaspiração e permite controle hemodinâmico durante o procedimento. A ausência de sedação e bloqueador neuromuscular pode levar a tosse, aumento da PIC e instabilidade.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre "hiperventilação reduz PIC" e "hiperventilação agressiva é sempre boa". A hiperventilação profilática com ETCO2 < 30 mmHg causa isquemia cerebral por vasoconstrição excessiva — o alvo correto é 30–35 mmHg. Memorize o tripé: Glasgow ≤ 8 → intubar; método → SRI; ETCO2 → 30–35 mmHg.