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Questão de Medicina — Pediatria e Neonatologia — VUNESP 2025

MedicinaPediatria e Neonatologia
Código
vu093257
Banca
VUNESP
Órgão
FAMEMA
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico I - Especialidade: Pediatria
Lactente, sexo masculino, com 20 meses de idade, foi trazido ao Pronto-Socorro com história de ter apresentado sua primeira crise convulsiva. A criança está febril, com temperatura de 38,7 ºC, e a convulsão, segundo relato dos pais, foi do tipo tônico-clônica generalizada e durou, aproximadamente, 5 minutos. O exame neurológico, após a recuperação da convulsão, está normal, apenas observando-se discreta sonolência.Após a estabilização inicial, dentre as condutas a seguir, qual é a mais apropriada para essa criança?
  1. AIniciar tratamento anticonvulsivante profilático com fenobarbital oral diariamente, para prevenir futuras convulsões febris.
  2. BRealizar uma tomografia computadorizada (TC) de crânio imediatamente, para excluir causas estruturais da convulsão.
  3. CAdministrar uma dose única de diazepam retal ao apresentar febre nas próximas 24 horas, para prevenir recorrência de convulsão febril.
  4. DNão iniciar tratamento anticonvulsivante profilático, apenas educando os pais sobre o manejo da febre e que há baixa probabilidade de progressão para epilepsia.
  5. EAdministrar antitérmico regularmente “de horário” durante as próximas 48 horas, alternando-se diferentes classes de antitérmicos em intervalos mais curtos para o controle da temperatura.
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GabaritoD — Não iniciar tratamento anticonvulsivante profilático, apenas educando os pais sobre o manejo da febre e que há baixa probabilidade de progressão para epilepsia.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Crise febril simples: conduta e profilaxia

Gabarito: letra D. Trata-se de uma crise febril simples (CFS) — lactente de 20 meses, crise tônico-clônica generalizada com duração de 5 minutos, exame neurológico normal pós-ictal — e, nesse cenário, a conduta mais apropriada é não iniciar tratamento anticonvulsivante profilático, apenas orientar os pais sobre o manejo da febre e tranquilizá-los quanto ao baixo risco de epilepsia. Essa recomendação está alinhada às diretrizes de pediatria, que desaconselham a profilaxia contínua com fenobarbital ou valproato em crises febris simples, dado o prognóstico benigno e os efeitos adversos potenciais desses fármacos.

A crise febril é o distúrbio convulsivo mais comum na infância, afetando 2% a 5% das crianças. Define-se como uma crise que ocorre em crianças entre 6 meses e 5 anos, na presença de febre (temperatura > 38 °C), sem infecção do sistema nervoso central e sem história prévia de crises afebris. A crise febril simples (CFS) é caracterizada por ser generalizada, com duração inferior a 15 minutos, sem recorrência em 24 horas e sem déficits neurológicos pós-ictais. Já a crise febril complexa (CFC) apresenta duração superior a 15 minutos, foco, recorrência em 24 horas ou anormalidades neurológicas pós-ictais (como paralisia de Todd).

O ponto central da conduta é o prognóstico: as CFS têm evolução benigna, cessam espontaneamente em 2 a 3 minutos na maioria dos casos e não causam dano neurológico permanente. O risco de epilepsia após uma CFS é de apenas 1% a 1,5%, pouco acima da incidência populacional (cerca de 0,5%). Por isso, a profilaxia contínua com fenobarbital ou ácido valproico — embora eficaz na redução de recorrências — não é recomendada, pois os efeitos adversos desses fármacos superam os benefícios. A terapia intermitente com diazepam retal (0,4 a 0,5 mg/kg) pode ser considerada em situações específicas, como crises febris frequentes em curto espaço de tempo (3 ou mais em 6 meses, ou 4 ou mais em um ano) ou em pacientes com fatores de risco e pais confiáveis, mas não é indicada de rotina após o primeiro episódio simples.

Na prática, a conduta imediata após a estabilização inclui: orientar os pais sobre o manejo da febre (uso de antitérmicos quando indicado, banho morno, hidratação), explicar que a crise não causa dano cerebral e que o risco de epilepsia é baixo, e garantir acompanhamento ambulatorial. Exames complementares (laboratoriais, EEG, neuroimagem) não são recomendados de rotina na CFS, sendo reservados para casos de CFC ou suspeita de causa específica. A punção lombar é indicada apenas na presença de sinais meníngeos, em crianças < 18 meses com deterioração clínica ou em uso de antibióticos.

A pegadinha desta questão está em confundir a conduta da CFS com a da CFC ou com o tratamento da crise aguda em curso. A banca explora a tentação de "fazer algo" — iniciar profilaxia, solicitar exames de imagem, administrar medicação preventiva — quando a evidência mostra que a melhor conduta é a observação e a orientação. Guarde a fronteira: crise febril simples = conduta expectante + orientação; crise febril complexa = investigação + possível internação; crise em curso = benzodiazepínico para abortar. É exatamente nessa distinção que as alternativas se dividem.

Alternativa A — ❌ Incorreta

Iniciar fenobarbital oral diariamente como profilaxia contínua é contraindicado na CFS. Embora o fenobarbital seja eficaz na prevenção de recorrências, seus efeitos adversos (sedação, alterações cognitivas e comportamentais) superam os benefícios, dado o prognóstico benigno da condição. A profilaxia contínua é reservada para casos selecionados, como crises febris muito prolongadas, anormalidades neurológicas, história familiar de epilepsia ou crises iniciadas antes de 1 ano de idade — nenhum desses critérios está presente no caso.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A tomografia computadorizada de crânio não está indicada na avaliação de uma CFS. A CFS é um diagnóstico clínico, e exames de imagem não são recomendados de rotina, pois a probabilidade de uma causa estrutural é extremamente baixa. A neuroimagem é reservada para crises febris complexas, sinais focais, suspeita de hipertensão intracraniana ou trauma craniano. Solicitar TC imediatamente exporia a criança a radiação desnecessária e não alteraria a conduta.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A administração de diazepam retal ao apresentar febre nas próximas 24 horas é uma forma de profilaxia intermitente, que pode ser considerada em situações específicas (crises febris frequentes, fatores de risco, pais confiáveis), mas não é indicada de rotina após o primeiro episódio de CFS. Além disso, a alternativa sugere uso "ao apresentar febre nas próximas 24 horas", o que não corresponde à recomendação de administrar no início da febre e repetir se persistir. A conduta padrão para o primeiro episódio simples é apenas orientação e manejo da febre.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Esta é a conduta mais apropriada. A criança apresenta uma CFS típica: idade dentro da faixa (6 meses a 5 anos), crise generalizada com duração < 15 minutos, exame neurológico normal pós-ictal (a sonolência discreta é esperada no período pós-ictal). Não há indicação de profilaxia anticonvulsivante contínua nem intermitente. A conduta correta é educar os pais sobre o manejo da febre (uso racional de antitérmicos, medidas físicas, hidratação) e tranquilizá-los quanto ao baixo risco de progressão para epilepsia (1% a 1,5%). O acompanhamento ambulatorial deve ser garantido.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A administração de antitérmico "de horário" alternando classes em intervalos mais curtos não é recomendada. O uso de antitérmicos deve ser feito quando a criança estiver desconfortável ou com febre, e não de forma profilática regular. A alternância de classes (paracetamol e ibuprofeno) em intervalos curtos pode aumentar o risco de efeitos adversos (hepatotoxicidade, nefrotoxicidade) sem benefício comprovado na prevenção de crises febris. Além disso, a febre em si não é o problema — o controle da temperatura não previne necessariamente a recorrência de crises.

Gabarito: letra D — a conduta mais apropriada é não iniciar profilaxia anticonvulsivante e apenas orientar os pais sobre o manejo da febre e o baixo risco de epilepsia.

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