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Questão de Medicina — Pediatria e Neonatologia — VUNESP 2025

MedicinaPediatria e Neonatologia
Código
vu093263
Banca
VUNESP
Órgão
FAMEMA
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico I - Especialidade: Pediatria
Lactente, sexo masculino, 8 meses de idade, nascido prematuro, com antecedente de um episódio de pneumonia, com evolução para choque séptico, com alta hospitalar há cerca de 30 dias, é levado ao pediatra, pois a mãe está preocupada com contato com uma criança (familiar) com diagnóstico confirmado de varicela há 48 horas. O contato foi de, aproximadamente, 2 horas, tendo ficado, inclusive, no colo dessa criança. O calendário vacinal está adequado de acordo com as vacinas disponíveis pelo Programa Nacional de Imunizações.Assinale a alternativa que contém a recomendação adequada em relação à preocupação da mãe.
  1. ANão deve haver preocupação nem qualquer intervenção, pois essa criança já está protegida pelo imunizante que já recebeu, pela sua faixa etária.
  2. BNão deve haver preocupação nem qualquer intervenção, pois essa criança, possivelmente, está protegida pela passagem de anticorpos maternos e não tem fatores de risco para doença grave.
  3. CA criança deve receber vacinação de bloqueio para varicela.
  4. DA criança deve receber imunoglobulina específica para evitar varicela.
  5. EA criança deve receber tratamento profilático com aciclovir oral, para evitar varicela grave.
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GabaritoD — A criança deve receber imunoglobulina específica para evitar varicela.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Profilaxia pós-exposição à varicela em lactente de alto risco

Gabarito: letra D. O lactente de 8 meses, prematuro, com antecedente de pneumonia complicada por choque séptico e alta hospitalar recente, é considerado de alto risco para doença grave por varicela. Nesse contexto, a recomendação é a administração de imunoglobulina específica (imunoglobulina humana antivaricela-zóster) o mais precocemente possível após a exposição, conforme as diretrizes de imunização. As demais alternativas não se aplicam: a vacinação de bloqueio é contraindicada nesse cenário e o aciclovir profilático não é a conduta padrão para prevenção da doença.

A varicela é uma doença viral altamente contagiosa, transmitida por gotículas e contato direto com lesões. Em lactentes jovens, especialmente naqueles com história de prematuridade e doença grave prévia, o risco de complicações — como pneumonia, encefalite e infecções bacterianas secundárias — é significativamente maior. A imunidade passiva materna, embora presente nos primeiros meses de vida, pode não ser suficiente para proteger um lactente de 8 meses, sobretudo se ele nasceu prematuro, pois a transferência transplacentária de anticorpos IgG é maior no terceiro trimestre. Além disso, o calendário vacinal do PNI prevê a primeira dose da vacina varicela apenas aos 15 meses (tetraviral), de modo que o lactente de 8 meses ainda não recebeu o imunizante.

A profilaxia pós-exposição para varicela depende do status imunológico e do risco do paciente. Para indivíduos suscetíveis de alto risco (imunocomprometidos, gestantes suscetíveis, recém-nascidos de mães com varicela no período perinatal, prematuros com história de doença grave, entre outros), a imunoglobulina específica é a medida indicada, idealmente administrada até 96 horas após a exposição. A vacinação de bloqueio, por sua vez, é recomendada para contatos suscetíveis sem contraindicação, mas é contraindicada em imunocomprometidos e em lactentes muito jovens, pois a vacina é de vírus vivo atenuado. O aciclovir profilático não é a conduta padrão para prevenção da varicela; seu uso é reservado para tratamento de casos graves ou para profilaxia em situações específicas, como em imunocomprometidos, mas não substitui a imunoglobulina na profilaxia pós-exposição.

A distinção crucial aqui é entre vacinação de bloqueio e imunoglobulina. A vacina é uma medida ativa, que estimula a resposta imune do próprio paciente, e é indicada para contatos suscetíveis saudáveis, preferencialmente até 72 horas (ou até 5 dias) após a exposição. A imunoglobulina é uma medida passiva, que fornece anticorpos prontos, e é indicada para aqueles que não podem receber a vacina ou que têm risco elevado de doença grave. No caso do lactente prematuro com história de doença grave, a imunoglobulina é a escolha correta, pois a vacina é contraindicada e a imunidade passiva materna pode não ser suficiente.

A pegadinha da banca está em confundir a indicação de vacinação de bloqueio com a de imunoglobulina. O candidato pode ser levado a escolher a vacinação de bloqueio por ser uma medida comum em surtos, mas deve atentar para o perfil do paciente: prematuro, com doença grave prévia, o que contraindica a vacina de vírus vivo e indica a imunoglobulina. Além disso, a alternativa que menciona a proteção por anticorpos maternos é incorreta, pois a transferência placentária é menor em prematuros e a imunidade passiva pode já ter diminuído aos 8 meses.

Guarde a fronteira entre vacinação de bloqueio e imunoglobulina: é exatamente nela que as alternativas se dividem. A vacina é para suscetíveis saudáveis; a imunoglobulina é para suscetíveis de alto risco ou com contraindicação à vacina.

Conduta

Indicação

Contraindicação

Prazo ideal

Vacinação de bloqueio

Contatos suscetíveis saudáveis

Imunocomprometidos; lactentes muito jovens

Até 72h (ou 5 dias)

Imunoglobulina específica

Suscetíveis de alto risco (prematuros, doença grave prévia)

—

Até 96h

Aciclovir profilático

Não é padrão para profilaxia pós-exposição

—

—

Profilaxia pós-exposição varicela
  • 1Suscetível saudável
    • Vacinação de bloqueio (até 72h)
  • 2Alto risco
    • Imunoglobulina específica (até 96h)
    • Ex.: prematuro com doença grave
  • 3Contraindicações
    • Vacina viva atenuada em imunocomprometidos
    • Aciclovir não é profilaxia padrão
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Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma que a criança já está protegida pelo imunizante que recebeu pela faixa etária. Isso é falso: a vacina varicela não está disponível no calendário básico do PNI para lactentes de 8 meses — a primeira dose é administrada aos 15 meses (tetraviral). Portanto, a criança não recebeu a vacina e não está protegida por ela. O erro está em supor que o calendário vacinal adequado inclui a vacina varicela nessa idade.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Afirma que a criança está protegida pela passagem de anticorpos maternos e não tem fatores de risco. Dois erros: (1) a transferência transplacentária de IgG é maior no terceiro trimestre, e o lactente nasceu prematuro, o que reduz a quantidade de anticorpos recebidos; (2) aos 8 meses, a imunidade passiva materna já pode ter diminuído significativamente. Além disso, a criança tem fatores de risco claros: prematuridade e antecedente de pneumonia complicada por choque séptico, o que a coloca em alto risco para doença grave.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Propõe vacinação de bloqueio para varicela. A vacina varicela é de vírus vivo atenuado e é contraindicada em imunocomprometidos e em lactentes muito jovens. O paciente em questão, prematuro com doença grave prévia, não se enquadra no perfil para vacinação de bloqueio. A vacinação de bloqueio é indicada para contatos suscetíveis saudáveis, preferencialmente até 72 horas após a exposição, mas não para este caso.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Recomenda imunoglobulina específica para evitar varicela. Esta é a conduta correta para profilaxia pós-exposição em pacientes de alto risco, como o lactente prematuro com antecedente de doença grave. A imunoglobulina fornece anticorpos passivos e deve ser administrada o mais precocemente possível, idealmente até 96 horas após a exposição. A alternativa está correta porque reconhece o perfil de risco do paciente e indica a medida passiva apropriada.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Propõe tratamento profilático com aciclovir oral. O aciclovir não é a conduta padrão para profilaxia pós-exposição da varicela. Seu uso é reservado para tratamento de casos graves ou para profilaxia em situações específicas, como em imunocomprometidos, mas não substitui a imunoglobulina na prevenção da doença. Além disso, a profilaxia com aciclovir não é recomendada rotineiramente para lactentes de alto risco expostos à varicela.

Conclusão: A criança é de alto risco para varicela grave, e a conduta adequada é a administração de imunoglobulina específica. Portanto, o gabarito é a letra D.

Gabarito: letra D

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