Uma paciente de 64 anos, com diagnóstico de DPOC (classificada como GOLD E), eosinófilos no sangue < 300 células/μL, está em tratamento regular com LABA + LAMA. Ela apresenta exacerbação da DPOC com dispneia e hipoxemia, necessitando de internação hospitalar. A paciente encontra-se clinicamente estável e será acomodada em enfermaria.A respeito da condução da paciente, em ambiente hospitalar, assinale a alternativa correta.
AA espirometria no início e durante o tratamento da exacerbação deve ser realizada para monitorar a resposta terapêutica.
BAntibióticos inalatórios são preferíveis aos sistêmicos, a fim de reduzir multirresistência bacteriana e apresentam a mesma eficácia terapêutica.
CA antibioticoterapia sistêmica imediata deve ser iniciada, direcionada aos germes da comunidade.
DO início da antibioticoterapia deve ocorrer apenas após a coleta de lavado broncoalveolar e envio para análise de culturas.
ECorticoide endovenoso está contraindicado na exacerbação, devido a seus efeitos de imunossupressão secundária.
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GabaritoC — A antibioticoterapia sistêmica imediata deve ser iniciada, direcionada aos germes da comunidade.
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Exacerbação da DPOC: manejo hospitalar e antibioticoterapia
Gabarito: letra C. Na exacerbação grave da DPOC que exige internação, a antibioticoterapia sistêmica empírica deve ser iniciada imediatamente, direcionada aos germes da comunidade (H. influenzae, S. pneumoniae e M. catarrhalis), conforme as diretrizes de manejo da doença. A alternativa C reflete exatamente essa conduta.
A exacerbação da DPOC é definida como um evento agudo caracterizado por piora dos sintomas respiratórios (dispneia, tosse e/ou escarro) que vai além da variação diária normal e exige mudança na medicação. A gravidade é classificada em leve (apenas broncodilatadores de curta duração), moderada (broncodilatadores + antibióticos ou corticoide oral) e grave (associada a insuficiência respiratória). A paciente do caso, com dispneia e hipoxemia necessitando internação, apresenta exacerbação grave, o que justifica a abordagem hospitalar agressiva.
O tratamento hospitalar da exacerbação grave inclui, além da oxigenoterapia suplementar titulada para manter SpO2 em torno de 92-94% e broncodilatadores de curta duração, o uso de corticoides sistêmicos e antibióticos. A antibioticoterapia está indicada quando há sinais clínicos de infecção bacteriana, como aumento da purulência do escarro, e é especialmente importante nos pacientes internados, pois reduz o tempo de internação e a mortalidade. A escolha do antibiótico deve ser orientada pelo padrão de resistência local aos agentes bacterianos mais comuns, sendo a terapia empírica uma prática aceita e recomendada.
A decisão de iniciar antibióticos não deve aguardar o resultado de culturas, pois a coleta de lavado broncoalveolar é um procedimento invasivo, reservado para casos específicos, e o atraso no tratamento pode piorar o prognóstico. Da mesma forma, a espirometria não é recomendada durante a exacerbação aguda, pois o paciente não consegue realizar o exame adequadamente e o resultado não orienta a conduta imediata. Os antibióticos inalatórios não são uma opção estabelecida para o tratamento da exacerbação, e os corticoides sistêmicos são recomendados, não contraindicados, nesse cenário.
A pegadinha central desta questão é a tentativa de induzir o candidato a acreditar que é necessário aguardar exames complementares (espirometria, culturas) antes de iniciar o tratamento, quando na prática clínica a conduta é imediata e empírica. A banca também explora a confusão entre o papel dos antibióticos inalatórios (que não têm indicação na exacerbação) e a contraindicação equivocada de corticoides sistêmicos.
Guarde o princípio: na exacerbação grave internada, o tratamento é agressivo e imediato — oxigênio, broncodilatador, corticoide sistêmico e antibiótico empírico direcionado aos germes da comunidade. É exatamente esse raciocínio que separa a alternativa correta das demais.
1Oxigenoterapia (SpO₂ 92-94%)
2Broncodilatador de curta duração
3Corticoide sistêmico
4Antibiótico empírico imediato
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Alternativa A — ❌ Incorreta
A espirometria não deve ser realizada durante a exacerbação aguda. O exame é útil para o diagnóstico e estadiamento da DPOC estável, mas na crise o paciente não consegue realizar o esforço necessário e o resultado não orienta a conduta imediata. A avaliação da resposta terapêutica na exacerbação é clínica (melhora da dispneia, oxigenação, etc.), não espirométrica.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Os antibióticos inalatórios não são uma opção terapêutica estabelecida para a exacerbação da DPOC. A via sistêmica (oral ou endovenosa) é a preferencial, pois garante concentrações adequadas no trato respiratório. A afirmação de que apresentam a mesma eficácia é falsa e não há evidência que sustente a redução de multirresistência com essa via.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A antibioticoterapia sistêmica imediata é a conduta correta na exacerbação grave que requer internação. O tratamento empírico deve ser direcionado aos germes da comunidade (H. influenzae, S. pneumoniae e M. catarrhalis), conforme o padrão de resistência local. O uso de antibióticos em pacientes internados reduz o tempo de internação e a mortalidade.
Alternativa D — ❌ Incorreta
O início da antibioticoterapia não deve aguardar a coleta de lavado broncoalveolar. Esse procedimento é invasivo, não é realizado rotineiramente na exacerbação da DPOC e o atraso no tratamento empírico pode piorar o prognóstico. A conduta é iniciar antibióticos imediatamente, baseado na avaliação clínica.
Alternativa E — ❌ Incorreta
O corticoide sistêmico (oral ou endovenoso) é recomendado no tratamento da exacerbação da DPOC, pois está associado a menor tempo de hospitalização, melhora da função pulmonar e da oxigenação. A contraindicação por imunossupressão secundária não se aplica ao uso de curta duração na exacerbação aguda.
NÃO CAIA NESSA!
A banca tenta fazer o candidato acreditar que é preciso aguardar exames (espirometria, culturas) antes de tratar, quando a conduta na exacerbação grave é imediata e empírica. Lembre-se: na crise, o tratamento é clínico e urgente — oxigênio, broncodilatador, corticoide e antibiótico sistêmico direcionado aos germes da comunidade. Com treino, você reconhece essa armadilha de longe 💪