Questão de Medicina — Pneumologia — VUNESP 2025
- Código
- vu093276
- Banca
- VUNESP
- Órgão
- FAMEMA
- Ano
- 2025
- Nível
- Superior
- Cargo
- Médico I - Especialidade: Pneumologia
- Aescore PORT
- Bescore de Wells
- Cescore Grace
- Descore de Pádua
- Eescore de Caprini
GabaritoB — escore de Wells
Gabarito: letra B. O escore de Wells é a ferramenta clínica validada e mais clássica para estimar a probabilidade pré-teste de tromboembolismo pulmonar (TEP) antes de exames complementares, estratificando o paciente em baixa, intermediária ou alta probabilidade. Os demais escores citados (PORT, Grace, Pádua e Caprini) são utilizados para outras finalidades clínicas, como pneumonia, síndrome coronariana aguda, fibrilação atrial e risco de trombose venosa profunda, respectivamente.
O tromboembolismo pulmonar (TEP) é uma condição de apresentação clínica extremamente inespecífica — dispneia, taquicardia, dor torácica e hipoxemia são comuns a diversas doenças cardiopulmonares. Por isso, a abordagem diagnóstica moderna não se inicia diretamente com exames de imagem, mas sim com a estratificação da probabilidade clínica pré-teste. Essa etapa é fundamental porque o valor preditivo positivo dos exames diagnósticos (como angio-TC e cintilografia V/Q) está intrinsecamente ligado à probabilidade pré-teste: um exame positivo em um paciente de baixa probabilidade tem menor chance de representar doença real do que em um paciente de alta probabilidade.
A ferramenta mais consagrada para essa estratificação é o escore de Wells, que combina sinais clínicos, fatores de risco e a presença de diagnóstico alternativo. O escore de Wells original pontua variáveis como sinais de TVP (3 pontos), ausência de diagnóstico alternativo mais provável (3 pontos), frequência cardíaca > 100 bpm (1,5 pontos), imobilização ou cirurgia recente (1,5 pontos), história prévia de TVP/TEP (1,5 pontos), hemoptise (1 ponto) e câncer ativo (1 ponto). A soma classifica o paciente em baixa (< 2 pontos), intermediária (2 a 6 pontos) ou alta probabilidade (> 6 pontos). Existe também o escore de Geneva revisado, que é mais objetivo por não depender do julgamento subjetivo sobre diagnósticos alternativos, mas o Wells permanece como o mais clássico e amplamente reconhecido.
A importância dessa estratificação vai além da escolha do exame: ela define a conduta. Em pacientes de baixa probabilidade, um dímero D negativo (por método altamente sensível) exclui o TEP sem necessidade de imagem. Em pacientes de alta probabilidade, o dímero D tem pouco valor e a angio-TC é indicada diretamente. A banca explora exatamente a confusão entre os escores de diferentes doenças — o candidato que não domina a finalidade de cada ferramenta acaba escolhendo um distrator plausível.
Guarde a correspondência entre cada escore e sua doença: Wells → TEP, PORT/PSI → pneumonia, Grace → síndrome coronariana aguda, Pádua → fibrilação atrial, Caprini → risco de TVP. É nessa fronteira que as alternativas se dividem.
O escore PORT (Pneumonia Outcomes Research Team), também conhecido como PSI (Pneumonia Severity Index), é utilizado para estimar a gravidade e o risco de mortalidade em 30 dias de pacientes com pneumonia adquirida na comunidade, auxiliando na decisão de internação hospitalar ou tratamento ambulatorial. Não tem relação com a probabilidade de TEP.
O escore de Wells é a ferramenta clínica validada para estimar a probabilidade pré-teste de TEP, classificando os pacientes em baixa, intermediária ou alta probabilidade. Ele é citado nas diretrizes como o primeiro passo na abordagem diagnóstica, antes da realização de exames complementares como dímero D ou angio-TC.
O escore GRACE (Global Registry of Acute Coronary Events) é um preditor de risco de morte ou infarto em pacientes com síndrome coronariana aguda (SCA), utilizado na estratificação prognóstica e na decisão terapêutica. Não se aplica à suspeita de TEP.
O escore de Pádua (Padua Prediction Score) é utilizado para avaliar o risco de tromboembolismo venoso (TEV) em pacientes hospitalizados, auxiliando na decisão de profilaxia anticoagulante. Embora esteja relacionado ao tromboembolismo, ele não estima a probabilidade de TEP em um paciente com suspeita clínica — essa é a função do escore de Wells.
O escore de Caprini é uma ferramenta de avaliação do risco de trombose venosa profunda (TVP) e TEV em pacientes cirúrgicos e hospitalizados, utilizado para indicar profilaxia. Não é utilizado para estimar a probabilidade pré-teste de TEP diante de uma suspeita clínica.
A banca mistura escores de diferentes doenças para confundir o candidato. O escore de Pádua e o de Caprini estão relacionados ao tromboembolismo venoso, mas não à probabilidade de TEP — eles avaliam o risco de desenvolver TEV, não a chance de o paciente já ter TEP. O escore de Wells é o único que responde diretamente à pergunta.
Para não errar, associe cada escore à sua doença de forma automática: Wells e Geneva → TEP; PORT/PSI e CURB-65 → pneumonia; Grace e TIMI → síndrome coronariana aguda; Pádua e Caprini → risco de TEV/TVP; CHA₂DS₂-VASc → fibrilação atrial. Essa tabela mental resolve a maioria das questões sobre escores clínicos.
Gabarito: letra B
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