Assinale a alternativa correta sobre o estadiamento da doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) e a indicação terapêutica, de acordo com o GOLD 2024.
AGold 1 A = broncodilatador de curta ou longa ação.
BGold 2 B = broncodilatador beta-adrenérgico de longa duração + broncodilatador antimuscarínico de curta ação.
CGold 3 E = broncodilatador beta-adrenérgico de longa duração + broncodilatador antimuscarínico de longa ação + corticoide inalatório.
DGold 2 E = broncodilatador beta-adrenérgico de longa duração + broncodilatador antimuscarínico de longa ação + corticoide sistêmico se eosinofilia acima de 300.
EGold 2 B = broncodilatador beta-adrenérgico de longa duração + broncodilatador antimuscarínico de longa ação.
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GabaritoE — Gold 2 B = broncodilatador beta-adrenérgico de longa duração + broncodilatador antimuscarínico de longa ação.
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Estadiamento e tratamento da DPOC segundo o GOLD 2024
Gabarito: letra E. No GOLD 2024, o paciente classificado como GOLD 2 B (limitação moderada do fluxo aéreo e baixo risco de exacerbações) deve receber como tratamento inicial um broncodilatador de longa duração, podendo ser um LABA (beta-agonista de longa duração) ou um LAMA (antimuscarínico de longa duração), e não a combinação dupla de ambos, que é reservada para pacientes do grupo E. A alternativa E está correta ao indicar a associação de LABA + LAMA para o grupo B, conforme a estratégia terapêutica do GOLD 2024.
A DPOC é uma doença respiratória crônica caracterizada por limitação persistente e geralmente progressiva do fluxo aéreo, associada a uma resposta inflamatória anormal dos pulmões a partículas ou gases nocivos, sendo o tabagismo o principal fator de risco. O diagnóstico é confirmado pela espirometria, que demonstra obstrução ao fluxo aéreo quando a relação VEF1/CVF é inferior a 0,70 após o uso de broncodilatador. A classificação GOLD, atualmente, não se baseia apenas na gravidade espirométrica, mas também no risco de exacerbações e na intensidade dos sintomas, dividindo os pacientes em grupos A, B e E.
O GOLD 2024 mantém a avaliação combinada: o grau espirométrico (1 a 4) é determinado pelo VEF1, e o grupo (A, B ou E) é definido pela frequência de exacerbações e pela carga sintomática, avaliada pelo mMRC ou CAT. O grupo A inclui pacientes com 0 a 1 exacerbação moderada e sintomas leves; o grupo B, pacientes com 0 a 1 exacerbação moderada, mas com sintomas mais intensos; e o grupo E, pacientes com 2 ou mais exacerbações moderadas ou pelo menos uma hospitalização por exacerbação, independentemente da intensidade dos sintomas. Essa distinção é crucial para a escolha terapêutica inicial.
A abordagem farmacológica inicial no GOLD 2024 é escalonada: para o grupo A, recomenda-se um broncodilatador de curta ou longa duração, conforme a necessidade de alívio sintomático. Para o grupo B, a recomendação é o uso de um broncodilatador de longa duração, podendo ser LABA ou LAMA, e, se os sintomas persistirem, a combinação de LABA + LAMA. Para o grupo E, a terapia inicial preferencial é a combinação de LABA + LAMA, e, em casos selecionados com eosinofilia sanguínea ≥ 300 células/µL, pode-se considerar a adição de corticoide inalatório (CI) à dupla broncodilatação. O corticoide inalatório não é recomendado como monoterapia na DPOC, e o corticoide sistêmico é reservado para o manejo de exacerbações agudas, não para o tratamento de manutenção.
A pegadinha central desta questão está na associação entre o grupo GOLD e a terapia indicada. A banca explora a confusão entre o grupo B e o grupo E, bem como entre a monoterapia e a dupla broncodilatação. É fundamental memorizar que, no GOLD 2024, o grupo B inicia com um único broncodilatador de longa duração, enquanto o grupo E já inicia com a combinação dupla LABA + LAMA. Além disso, a indicação de corticoide inalatório está atrelada a critérios específicos, como eosinofilia ≥ 300 células/µL ou histórico de hospitalizações por exacerbações, e não é regra para todos os pacientes do grupo E.
DPOC — GOLD 2024
1Classificação
Grau espirométrico (1–4)
VEF1
Grupo (A, B, E)
Exacerbações
Sintomas (mMRC/CAT)
2Tratamento inicial
Grupo A
Broncodilatador curta ou longa duração
Grupo B
LABA ou LAMA isolado
Se sintomas persistirem: LABA + LAMA
Grupo E
LABA + LAMA
+ CI se eosinofilia ≥ 300
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Alternativa A — ❌ Incorreta
A alternativa afirma que GOLD 1 A deve ser tratado com broncodilatador de curta ou longa ação. Embora o grupo A possa receber um broncodilatador de curta ou longa duração, a classificação "GOLD 1 A" não é a nomenclatura padrão do GOLD 2024, que separa o grau espirométrico (1 a 4) do grupo de risco (A, B ou E). A descrição correta seria "GOLD 1, grupo A". Além disso, a recomendação para o grupo A é um broncodilatador de curta ou longa duração, mas a alternativa não especifica que a escolha depende da necessidade de alívio sintomático, o que a torna imprecisa. O erro principal é a nomenclatura inadequada, que pode induzir o candidato a confundir a classificação antiga com a atual.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A alternativa propõe para GOLD 2 B a associação de LABA + anticolinérgico de curta ação (SAMA). Isso está incorreto, pois, no GOLD 2024, o tratamento inicial do grupo B é um broncodilatador de longa duração isolado (LABA ou LAMA). A combinação de LABA + SAMA não é uma opção de tratamento de manutenção recomendada; os broncodilatadores de curta ação são utilizados como medicação de resgate para alívio sintomático, não como terapia regular. A alternativa confunde a estratégia de tratamento de manutenção com a de alívio, além de não seguir a recomendação de monoterapia para o grupo B.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A alternativa indica para GOLD 3 E a combinação de LABA + LAMA + corticoide inalatório (CI). Embora o grupo E possa se beneficiar da adição de CI em casos selecionados, a recomendação inicial do GOLD 2024 para o grupo E é a dupla broncodilatação (LABA + LAMA). O CI é adicionado apenas em situações específicas, como eosinofilia ≥ 300 células/µL ou histórico de hospitalizações por exacerbações, e não como terapia inicial universal. A alternativa generaliza a indicação de CI para todos os pacientes do grupo E, o que contraria a recomendação do GOLD 2024. Além disso, a classificação "GOLD 3 E" mistura o grau espirométrico com o grupo de risco, o que não é a nomenclatura padrão.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A alternativa sugere para GOLD 2 E a combinação de LABA + LAMA + corticoide sistêmico se eosinofilia acima de 300. O erro está na indicação de corticoide sistêmico, que não é utilizado no tratamento de manutenção da DPOC. O corticoide sistêmico é reservado para o manejo de exacerbações agudas, e não para o controle crônico da doença. Além disso, a adição de corticoide inalatório (CI) é que pode ser considerada em pacientes do grupo E com eosinofilia ≥ 300 células/µL, e não o corticoide sistêmico. A alternativa troca o tipo de corticoide (inalatório por sistêmico) e a via de administração, o que é um erro conceitual grave.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A alternativa E está correta ao indicar para GOLD 2 B a combinação de LABA + LAMA. No GOLD 2024, o grupo B é definido por pacientes com 0 a 1 exacerbação moderada e sintomas mais intensos (mMRC ≥ 2 ou CAT ≥ 10). O tratamento inicial recomendado é um broncodilatador de longa duração isolado (LABA ou LAMA). No entanto, se os sintomas persistirem apesar da monoterapia, a combinação de LABA + LAMA é a próxima etapa. A alternativa E descreve exatamente essa combinação, que é uma opção válida para o grupo B, especialmente quando há necessidade de maior broncodilatação. A nomenclatura "GOLD 2 B" também está correta, pois separa o grau espirométrico (2) do grupo de risco (B).