De acordo com a atualização do GINA (Global Initiative for Asthma) 2024, eosinófilos no escarro induzido (EosEI) e no sangue periférico (EosS), fração exalada de óxido nítrico (FeNO) e IgE sérica específica para aeroalérgenos são os biomarcadores mais utilizados como indicadores de inflamação, possibilitando o diferencial fenotípico entre os pacientes com asma grave, bem como predizendo a resposta aos tratamentos com imunobiológicos.Assinale a alternativa que contempla o fenótipo inflamatório T2 baixo.
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Fenótipos inflamatórios da asma grave: T2 alto × T2 baixo
Gabarito: letra E. O fenótipo T2 baixo (não T2 alto) caracteriza-se pela ausência de biomarcadores de inflamação tipo 2: eosinófilos no escarro induzido abaixo de 2–3%, eosinófilos no sangue periférico abaixo de 150 células/µL, FeNO abaixo de 25 ppb e IgE específica negativa — exatamente o que a alternativa E apresenta (EosEI 1%, EosS 110, FeNO 15, IgE negativa). A classificação segue o Quadro 1 das Recomendações para o manejo da asma grave da SBPT 2021, que divide os fenótipos em T2 alto (eosinofílico alérgico e não alérgico) e não T2 alto (neutrofílico e paucigranulocítico).
A asma grave é uma doença heterogênea, e a identificação do fenótipo inflamatório é o passo central para a escolha do imunobiológico. Os biomarcadores mais utilizados para essa fenotipagem são a IgE sérica específica (ou teste cutâneo por puntura), os eosinófilos no escarro induzido (EosEI), os eosinófilos no sangue periférico (EosS) e a fração exalada de óxido nítrico (FeNO). Quando esses marcadores estão elevados, fala-se em inflamação T2 alta; quando estão ausentes ou em níveis baixos, o paciente tem fenótipo não T2 alto (também chamado T2 baixo).
Os pontos de corte são fundamentais para não errar a questão. Para EosEI, considera-se inflamação eosinofílica T2 alta quando o percentual é ≥ 2% ou ≥ 3%, conforme o estudo. Para EosS, o corte é ≥ 150 células/µL (alguns estudos usam ≥ 300 células/µL como critério de elegibilidade para imunobiológicos). Para FeNO, o valor de referência é ≥ 25 ppb. Já a IgE específica positiva (ou teste cutâneo positivo) confirma o fenótipo alérgico. O fenótipo T2 baixo, portanto, é aquele em que todos esses marcadores estão abaixo dos cortes — não basta um único valor baixo.
A distinção prática entre os fenótipos pode ser resumida assim:
Biomarcador
T2 alto (eosinofílico)
T2 baixo (não eosinofílico)
EosEI
≥ 2–3%
< 2%
EosS
≥ 150 células/µL
< 150 células/µL
FeNO
≥ 25 ppb
< 25 ppb
IgE específica
Positiva (alérgico) ou negativa (não alérgico)
Negativa
A pegadinha da banca está em oferecer alternativas com um ou dois valores elevados (EosS ≥ 150, FeNO ≥ 25 ou IgE positiva), que caracterizam T2 alto, e uma única alternativa com todos os valores baixos e IgE negativa — a correta. O candidato que não domina os cortes pode ser induzido a escolher uma alternativa com FeNO de 30 ou 35 ppb, por exemplo, sem perceber que isso já indica inflamação T2 alta.
Guarde o critério decisivo: para ser T2 baixo, todos os biomarcadores devem estar abaixo dos cortes e a IgE específica deve ser negativa. É exatamente nesse critério que as alternativas se separam.
Alternativa A — ❌ Incorreta
Apresenta EosEI 1% (baixo) e EosS 229 células/µL (≥ 150, elevado), FeNO 30 ppb (≥ 25, elevado) e IgE específica positiva. A presença de eosinofilia sanguínea, FeNO elevado e IgE positiva caracteriza T2 alto (fenótipo eosinofílico alérgico), não T2 baixo. O erro está em considerar que apenas o EosEI baixo define o fenótipo.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Traz EosEI 1% (baixo), EosS 88 células/µL (baixo), FeNO 35 ppb (≥ 25, elevado) e IgE específica positiva. A FeNO elevada e a IgE positiva indicam inflamação T2 alta, mesmo com eosinófilos baixos. O fenótipo alérgico com FeNO elevada é T2 alto; a alternativa erra ao ignorar esses dois marcadores.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Apresenta EosEI 2% (no limite, ≥ 2% caracteriza T2 alto), EosS 180 células/µL (≥ 150, elevado), FeNO 40 ppb (≥ 25, elevado) e IgE específica positiva. Todos os marcadores apontam para T2 alto eosinofílico alérgico. É a alternativa com o perfil mais claramente T2 alto, portanto incorreta para T2 baixo.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Traz EosEI 6% (≥ 2%, elevado), EosS 870 células/µL (≥ 150, elevado), FeNO 20 ppb (baixo) e IgE específica negativa. A eosinofilia acentuada no escarro e no sangue caracteriza T2 alto eosinofílico não alérgico (IgE negativa). A FeNO baixa não exclui o fenótipo T2 alto quando os eosinófilos estão elevados.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Apresenta EosEI 1% (< 2%), EosS 110 células/µL (< 150), FeNO 15 ppb (< 25) e IgE específica negativa. Todos os biomarcadores estão abaixo dos cortes de T2 alto, caracterizando o fenótipo não T2 alto (T2 baixo), que pode ser neutrofílico ou paucigranulocítico. É a única alternativa que preenche integralmente o critério.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a falta de domínio dos pontos de corte. O candidato tende a olhar apenas um marcador (geralmente o EosEI) e ignorar os demais. Nas alternativas A, B e C, há sempre pelo menos um marcador elevado (FeNO ≥ 25 ou IgE positiva) que já define T2 alto. A alternativa D, com eosinófilos muito elevados, é T2 alto não alérgico. A única com todos os valores baixos e IgE negativa é a E. Na prova, confira todos os biomarcadores antes de marcar — um único valor elevado já muda o fenótipo.
PEGA ESSA DICA!
Memorize os cortes como um conjunto: EosEI ≥ 2–3%, EosS ≥ 150 células/µL, FeNO ≥ 25 ppb e IgE específica positiva. Se qualquer um estiver acima do corte, o fenótipo é T2 alto. Para T2 baixo, todos devem estar abaixo e a IgE negativa. Treine com questões que misturam valores para fixar o padrão.