Questão de Medicina — Doenças Reumatológicas e do Sistema Imunológico — VUNESP 2025
Medicina›Doenças Reumatológicas e do Sistema Imunológico
Código
vu093338
Banca
VUNESP
Órgão
FAMEMA
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico I - Especialidade: Reumatologia
A poliangiíte microscópica é afecção rara, e seu reconhecimento precoce como medidas terapêuticas adequadas leva a desfechos muito satisfatórios.É um biomarcador observado nos pacientes com essa suspeita:
Aanticorpo anti-DNAse.
BHLA-B52.
Canticorpo anticitoplasma de neutrófilo.
Daumento sérico de antitripsina.
Eanti-PCNA em títulos moderados.
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GabaritoC — anticorpo anticitoplasma de neutrófilo.
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Poliangiíte microscópica: biomarcadores e diagnóstico
Gabarito: letra C. Na suspeita de poliangiíte microscópica (PAM), o biomarcador clássico é o anticorpo anticitoplasma de neutrófilo (ANCA), presente na maioria dos casos, especialmente no padrão perinuclear (p-ANCA), com especificidade anti-MPO. As demais alternativas trazem marcadores associados a outras condições, não à PAM.
A poliangiíte microscópica é uma vasculite de pequenos vasos, classificada entre as vasculites associadas a ANCA (VAA), juntamente com a granulomatose com poliangiíte (GPA, antiga granulomatose de Wegener) e a granulomatose eosinofílica com poliangiíte (GEPA, antiga síndrome de Churg-Strauss). O termo "ANCA" refere-se a autoanticorpos dirigidos contra antígenos presentes no citoplasma dos neutrófilos, principalmente a proteinase 3 (PR3) e a mieloperoxidase (MPO). Na PAM, o padrão mais frequente é o p-ANCA (perinuclear), com especificidade anti-MPO, enquanto na GPA predomina o c-ANCA (citoplasmático), com especificidade anti-PR3.
O reconhecimento precoce da PAM é crucial, pois o quadro clínico costuma ser grave, com envolvimento renal (glomerulonefrite rapidamente progressiva) e pulmonar (hemorragia alveolar), além de sintomas constitucionais como febre, perda de peso e artralgias. O diagnóstico é confirmado pela combinação de achados clínicos, laboratoriais (ANCA positivo) e, idealmente, histopatológicos (biópsia renal ou pulmonar mostrando vasculite necrosante pauci-imune). O tratamento é baseado em imunossupressão, com corticosteroides e agentes como ciclofosfamida ou rituximabe, e o prognóstico melhora significativamente com terapia precoce e adequada.
É importante distinguir a PAM de outras vasculites e doenças reumáticas que podem apresentar sintomas semelhantes. A artrite reumatoide, por exemplo, pode cursar com vasculite, mas o fator reumatoide e o anti-CCP são os marcadores típicos, não o ANCA. O lúpus eritematoso sistêmico (LES) apresenta anticorpos antinucleares (FAN), anti-DNA e anti-Sm. A poliangiíte microscópica, por sua vez, é uma doença pauci-imune, ou seja, sem depósitos significativos de imunocomplexos, o que a diferencia de outras glomerulonefrites.
A pegadinha da banca está em oferecer marcadores que são específicos de outras doenças: anti-DNAse (febre reumática), HLA-B52 (doença de Behçet, arterite de Takayasu), antitripsina (deficiência de alfa-1-antitripsina, associada a DPOC e doença hepática) e anti-PCNA (lúpus eritematoso sistêmico). O candidato que não domina o perfil de autoanticorpos das vasculites pode facilmente se confundir. Portanto, a chave para acertar é lembrar que a PAM é uma vasculite ANCA-associada, e o ANCA é o biomarcador central.
Poliangiíte microscópica (PAM)
1Vasculite de pequenos vasos
2Pauci-imune (sem imunocomplexos)
3Biomarcador: ANCA
p-ANCA (anti-MPO) — padrão típico
c-ANCA (anti-PR3) — mais na GPA
4Clínica
Glomerulonefrite rapidamente progressiva
Hemorragia alveolar
Sintomas constitucionais
5Diagnóstico
Clínica + ANCA
Biópsia (vasculite necrosante)
6Tratamento
Corticosteroides
Ciclofosfamida ou rituximabe
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Alternativa A — ❌ Incorreta
O anticorpo anti-DNAse é um marcador de febre reumática, uma doença reativa a infecção estreptocócica, que pode cursar com poliartrite, cardite e coreia. Não tem relação com poliangiíte microscópica. A banca oferece esse distrator para testar o conhecimento dos anticorpos associados a doenças reumáticas específicas.
Alternativa B — ❌ Incorreta
O HLA-B52 é um antígeno de histocompatibilidade associado a algumas doenças, como a doença de Behçet e a arterite de Takayasu, mas não é biomarcador de poliangiíte microscópica. A PAM não tem associação HLA característica que seja utilizada no diagnóstico.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
O anticorpo anticitoplasma de neutrófilo (ANCA) é o biomarcador clássico da poliangiíte microscópica. Na PAM, o padrão mais comum é o p-ANCA, com especificidade anti-MPO (mieloperoxidase). A presença de ANCA, aliada ao quadro clínico de vasculite de pequenos vasos (glomerulonefrite, hemorragia alveolar), é um dos pilares do diagnóstico.
Alternativa D — ❌ Incorreta
O aumento sérico de antitripsina não é um marcador de poliangiíte microscópica. Na verdade, a deficiência de alfa-1-antitripsina é que está associada a doenças como DPOC e doença hepática. A banca inverte o conceito: não é o aumento, mas a deficiência que tem relevância clínica, e mesmo assim em outras condições.
Alternativa E — ❌ Incorreta
O anti-PCNA (antígeno nuclear de células proliferantes) é um autoanticorpo encontrado em uma minoria de pacientes com lúpus eritematoso sistêmico (LES), não na poliangiíte microscópica. É um distrator que remete a outra doença autoimune, testando o conhecimento dos anticorpos específicos de cada condição.