Questão de Medicina — Doenças Reumatológicas e do Sistema Imunológico — VUNESP 2025
Medicina›Doenças Reumatológicas e do Sistema Imunológico
Código
vu093341
Banca
VUNESP
Órgão
FAMEMA
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico I - Especialidade: Reumatologia
Na prescrição de hidroxicloroquina para pacientes com diagnóstico de lúpus eritematoso sistêmico, deve-se considerar que
Aa prescrição de azatioprina em associação aumenta o risco de intoxicação medular.
Ba dose deve ser ajustada para 5 mg/kg/dia até o máximo de 400 mg.
Ca avaliação oftalmológica pode ser facultativa após 3 anos de uso contínuo.
Duma avaliação cardiológica detalhada deve ser realizada antes da prescrição.
Epelo risco de induzir hemólise, realizar hemogramas seriadamente a cada 3 meses.
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GabaritoB — a dose deve ser ajustada para 5 mg/kg/dia até o máximo de 400 mg.
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Hidroxicloroquina no Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES)
Gabarito: letra B. A dose recomendada de hidroxicloroquina para pacientes com LES é de 5 mg/kg/dia, sem ultrapassar 400 mg/dia, conforme as diretrizes atuais de reumatologia. Essa recomendação visa equilibrar eficácia e segurança, especialmente em relação à retinopatia, que é a toxicidade mais temida e dependente da dose acumulada.
A hidroxicloroquina é um antimalárico com potente ação imunomoduladora, sendo considerada a base do tratamento do LES. Ela atua em diversas manifestações da doença, como cutâneas e musculoesqueléticas, além de reduzir a atividade da doença, prevenir danos a órgãos e diminuir o risco de trombose. Por isso, seu uso é recomendado para praticamente todos os pacientes com LES, salvo contraindicações.
A principal preocupação com o uso prolongado é a retinopatia por hidroxicloroquina, que pode levar à perda irreversível da visão. O risco está diretamente relacionado à dose diária (em mg/kg) e ao tempo de uso. Por essa razão, as diretrizes mais recentes recomendam uma dose máxima de 5 mg/kg/dia (peso real) e monitoramento oftalmológico regular. A avaliação inicial deve ser feita no primeiro ano de uso e, depois, anualmente após 5 anos, ou com mais frequência em pacientes de alto risco (dose > 5 mg/kg/dia, uso > 5 anos, doença renal ou hepática, ou uso concomitante de tamoxifeno).
A banca explora a confusão entre a dose de ataque (que pode ser maior) e a dose de manutenção, ou entre a dose para outras doenças (como artrite reumatoide, onde a dose pode ser semelhante, mas o acompanhamento pode variar). A pegadinha está em oferecer valores que parecem plausíveis, mas que não correspondem à recomendação atual para o LES. A alternativa correta é a que reproduz exatamente a dose preconizada: 5 mg/kg/dia, máximo de 400 mg/dia.
Hidroxicloroquina no LES: Dose recomendada (5 mg/kg/dia, Máximo 400 mg/dia); Toxicidade principal (Retinopatia, Dose-dependente, Irreversível); Monitoramento oftalmológico (Base no 1º ano, Anual após 5 anos, Mais frequente em alto risco); Interações e riscos (Não aumenta mielotoxicidade da azatioprina, Não exige avaliação cardiológica, Não induz hemólise no LES)
Alternativa A — ❌ Incorreta
A associação de azatioprina com hidroxicloroquina não aumenta o risco de intoxicação medular. A azatioprina, por si só, pode causar mielossupressão (citopenias), mas essa toxicidade não é potencializada pela hidroxicloroquina. A hidroxicloroquina não tem efeito mielossupressor relevante. A banca tenta confundir o candidato ao associar a toxicidade medular da azatioprina com a combinação, o que não é correto.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A dose recomendada de hidroxicloroquina para o LES é de 5 mg/kg/dia, com dose máxima de 400 mg/dia. Essa é a recomendação das diretrizes atuais para minimizar o risco de retinopatia, que é dose-dependente. A alternativa está correta e reflete a prática clínica baseada em evidências.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A avaliação oftalmológica não é facultativa após 3 anos de uso contínuo. Pelo contrário, é obrigatória e periódica. As diretrizes recomendam exame oftalmológico de base no primeiro ano de uso e, depois, anualmente após 5 anos (ou com mais frequência em pacientes de alto risco). A banca inverte a lógica: em vez de ser facultativa, a avaliação é essencial para prevenir a retinopatia irreversível.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Não há recomendação de avaliação cardiológica detalhada antes da prescrição de hidroxicloroquina. A hidroxicloroquina não tem toxicidade cardíaca significativa que justifique essa avaliação de rotina. A preocupação principal é com a retina. A banca tenta confundir com outras medicações que exigem avaliação cardiológica prévia, como alguns antineoplásicos.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A hidroxicloroquina não induz hemólise em pacientes com LES. Essa é uma preocupação em pacientes com deficiência de glicose-6-fosfato desidrogenase (G6PD), mas não é uma contraindicação absoluta nem uma recomendação de monitoramento com hemogramas a cada 3 meses. A banca mistura conceitos: a hemólise é um risco de outros antimaláricos (como a primaquina) em pacientes com deficiência de G6PD, mas não é uma preocupação central com a hidroxicloroquina no LES.