Questão de Medicina — Doenças Reumatológicas e do Sistema Imunológico — VUNESP 2025
Medicina›Doenças Reumatológicas e do Sistema Imunológico
Código
vu093344
Banca
VUNESP
Órgão
FAMEMA
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico I - Especialidade: Reumatologia
Na avaliação de pacientes que têm diagnóstico de fascíite plantar deve-se levar em consideração os fatores etiológicos.Qual das situações clínicas a seguir tem o maior risco de se relacionar com essa afecção?
AAcentuação da cifose dorsal.
BInsuficiência arterial periférica.
CHipertireoidismo.
DObesidade.
EUso crônico de sinvastatina.
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GabaritoD — Obesidade.
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Fascíite plantar: fatores de risco e etiologia
Gabarito: letra D. A obesidade é o fator de risco mais fortemente associado à fascíite plantar, pois o excesso de peso aumenta a sobrecarga mecânica sobre a fáscia plantar durante a deambulação, favorecendo microtraumas repetidos e o processo inflamatório degenerativo na sua origem no calcâneo. As demais alternativas (acentuação da cifose dorsal, insuficiência arterial periférica, hipertireoidismo e uso crônico de sinvastatina) não apresentam relação etiológica direta ou relevante com essa condição.
A fascíite plantar é uma das causas mais comuns de dor no calcanhar, caracterizada por dor na região plantar medial do calcâneo, tipicamente pior ao dar os primeiros passos pela manhã ou após períodos de repouso. A fáscia plantar é uma faixa espessa de tecido conjuntivo que se estende do calcâneo até a base dos dedos, funcionando como um amortecedor e suporte do arco longitudinal do pé. A condição surge de um processo degenerativo (não inflamatório primário) na origem da fáscia no calcâneo, resultante de estresse mecânico repetitivo e excessivo.
Os principais fatores de risco para o desenvolvimento da fascíite plantar incluem:
Obesidade — o excesso de peso corporal aumenta diretamente a carga sobre o pé, elevando a tensão sobre a fáscia plantar. É considerado um dos fatores de risco mais importantes e consistentes na literatura.
Atividades de impacto — corrida, dança, saltos e profissões que exigem longos períodos em pé (como professores, militares e trabalhadores da indústria) aumentam o estresse mecânico.
Alterações biomecânicas do pé — pé cavo, pé plano, encurtamento do tendão de Aquiles e discrepância no comprimento dos membros inferiores alteram a distribuição de carga.
Idade — mais comum entre 40 e 60 anos, devido à degeneração progressiva do tecido.
Uso de calçados inadequados — sapatos com pouco amortecimento ou suporte insuficiente.
A obesidade se destaca porque, além de ser um fator de risco bem estabelecido, é modificável — a perda de peso é uma das medidas terapêuticas mais eficazes. O mecanismo é puramente biomecânico: cada quilo de peso extra aumenta a pressão sobre o pé, e o excesso de tecido adiposo também pode alterar a biomecânica da marcha, sobrecarregando ainda mais a fáscia.
A banca explora aqui o conhecimento dos fatores etiológicos clássicos da fascíite plantar. O candidato que sabe que a obesidade é um fator de risco maior para essa condição acerta a questão; os demais distratores são condições clínicas que não têm associação relevante com a doença. É importante diferenciar a fascíite plantar de outras causas de dor no calcanhar, como a síndrome do túnel do tarso (compressão do nervo tibial posterior), a bursite retrocalcânea e a fratura por estresse do calcâneo — condições que podem ter apresentações semelhantes, mas etiologias distintas.
Guarde o critério decisivo: a fascíite plantar é uma condição mecânica/degenerativa, e o fator de risco mais forte entre as opções é aquele que aumenta a carga sobre o pé — a obesidade. É exatamente nesse ponto que as alternativas se separam.
Fascíite plantar: Natureza (Mecânica/degenerativa, Dor no calcâneo (pior ao acordar)); Fatores de risco (Obesidade (principal), Atividades de impacto, Alterações biomecânicas do pé, Idade (40–60 anos), Calçados inadequados); Diagnósticos diferenciais (Síndrome do túnel do tarso, Bursite retrocalcânea, Fratura por estresse do calcâneo)
Alternativa A — ❌ Incorreta
A acentuação da cifose dorsal (hipercifose torácica) é uma alteração postural da coluna vertebral, sem relação direta com a fáscia plantar. Embora alterações posturais possam influenciar a biomecânica global do corpo, a cifose dorsal não é reconhecida como fator de risco para fascíite plantar. A banca incluiu essa opção para testar se o candidato confunde alterações posturais da coluna com alterações biomecânicas do pé.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A insuficiência arterial periférica é uma doença vascular que reduz o fluxo sanguíneo para os membros inferiores, causando claudicação intermitente, dor isquêmica e úlceras. Não há associação etiológica com a fascíite plantar, que é uma condição mecânica/degenerativa da fáscia. A dor da insuficiência arterial é diferente da dor da fascíite: a primeira ocorre com o exercício e melhora com o repouso, enquanto a segunda é pior ao acordar e melhora após alguns passos.
Alternativa C — ❌ Incorreta
O hipertireoidismo é uma disfunção endócrina que pode causar diversas manifestações musculoesqueléticas, como fraqueza muscular e intolerância ao calor, mas não é um fator de risco estabelecido para fascíite plantar. A banca incluiu essa opção para testar se o candidato associa erroneamente doenças endócrinas a condições ortopédicas. Não há evidência científica que relacione o hipertireoidismo à fascíite plantar.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A obesidade é o fator de risco mais fortemente associado à fascíite plantar. O excesso de peso aumenta a carga mecânica sobre o pé, elevando a tensão sobre a fáscia plantar e favorecendo o processo degenerativo na sua origem no calcâneo. Estudos mostram que a obesidade é um dos principais fatores de risco para o desenvolvimento da condição, e a perda de peso é uma das medidas terapêuticas mais eficazes. A alternativa está correta porque a obesidade é o único fator entre as opções que tem relação etiológica direta e bem estabelecida com a fascíite plantar.
Alternativa E — ❌ Incorreta
O uso crônico de sinvastatina, uma estatina utilizada para redução do colesterol, pode causar miopatia (dor e fraqueza muscular) como efeito colateral, mas não está associado à fascíite plantar. A banca incluiu essa opção para testar se o candidato confunde miopatia induzida por estatina com fascíite plantar. A miopatia por estatina afeta os músculos proximais (coxa, ombro), enquanto a fascíite plantar afeta a fáscia na região do calcanhar — são condições completamente distintas.
A regra de ouro para a prova: a fascíite plantar é uma condição mecânica/degenerativa, e o fator de risco mais forte é a obesidade, que aumenta a carga sobre o pé. As demais opções (cifose dorsal, insuficiência arterial, hipertireoidismo e sinvastatina) não têm relação etiológica relevante com a doença.