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Questão de Medicina — Geriatria — VUNESP 2025

MedicinaGeriatria
Código
vu093401
Banca
VUNESP
Órgão
FAMEMA
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - Pré-Requisito em Cirurgia Geral/Área Cirúrgica Básica
Assinale a alternativa correta sobre o trauma na população geriátrica.
  1. ADrogas betabloqueadoras podem os mascarar efeitos cardiovasculares do trauma em pacientes idosos, dificultando a interpretação da leitura dos dados vitais.
  2. BApesar da idade avançada, o desfecho dos politraumatismos em pacientes idosos é favorável, justificando todas as medidas possíveis para suporte à vida.
  3. CA necessidade de transfusão sanguínea nessa população é significativamente menor do que a observada na população mais jovem.
  4. DA mortalidade por fratura pélvica em idosos é quatro vezes maior do que na população mais jovem. O mecanismo de trauma mais comum desse tipo de lesão são os acidentes automobilísticos.
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GabaritoA — Drogas betabloqueadoras podem os mascarar efeitos cardiovasculares do trauma em pacientes idosos, dificultando a interpretação da leitura dos dados vitais.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Trauma na população geriátrica

Gabarito: letra A. O uso de betabloqueadores em pacientes idosos pode mascarar a taquicardia e outras respostas cardiovasculares compensatórias ao trauma, dificultando a interpretação dos dados vitais e atrasando o reconhecimento de choque. As demais alternativas apresentam erros conceituais ou dados incorretos sobre o prognóstico, a necessidade transfusional e a epidemiologia das fraturas pélvicas nessa população.

O trauma no idoso é um desafio clínico porque as reservas fisiológicas estão diminuídas e as comorbidades são frequentes. A resposta ao estresse, mediada pelo sistema nervoso simpático, é fundamental para manter a perfusão dos órgãos vitais após uma lesão. Em pacientes jovens, a taquicardia é um sinal precoce e confiável de hipovolemia. No idoso, essa resposta pode estar atenuada por vários fatores, incluindo o uso crônico de medicamentos como os betabloqueadores, que bloqueiam os receptores beta-adrenérgicos e impedem o aumento da frequência cardíaca. Isso significa que um idoso em choque pode apresentar frequência cardíaca normal ou até bradicardia, mascarando a gravidade do quadro. Por isso, a avaliação deve ser mais criteriosa, valorizando outros sinais de hipoperfusão, como alteração do nível de consciência, hipotensão (que é um sinal tardio) e diminuição da diurese.

A literatura médica é clara ao afirmar que o desfecho do trauma em idosos é pior do que em jovens, mesmo para lesões de gravidade semelhante. A mortalidade é maior, a necessidade de cuidados intensivos é mais frequente e a recuperação funcional é mais lenta. Portanto, a afirmação de que o desfecho é favorável e justifica todas as medidas possíveis é incorreta. Embora a idade avançada não seja, por si só, um critério para limitar o suporte, é preciso reconhecer que o prognóstico é reservado e que a decisão de tratar deve ser individualizada, considerando a fragilidade, as comorbidades e a qualidade de vida prévia do paciente.

A necessidade de transfusão sanguínea no idoso traumatizado é, na verdade, maior do que no jovem. Isso ocorre porque o idoso tem menor reserva fisiológica, menor capacidade de compensar a perda volêmica e maior prevalência de uso de anticoagulantes e antiagregantes plaquetários, que aumentam o sangramento. Além disso, a anemia prévia é comum nessa população. Portanto, a alternativa que afirma que a necessidade transfusional é menor está incorreta.

As fraturas pélvicas no idoso são lesões graves, com alta mortalidade, que pode ser até quatro vezes maior do que em adultos jovens. No entanto, o mecanismo de trauma mais comum não são os acidentes automobilísticos de alta energia, mas sim as quedas da própria altura, que ocorrem em ambiente doméstico. A osteoporose fragiliza o osso, e uma queda simples pode resultar em uma fratura pélvica instável. Essa diferença é crucial para o entendimento da epidemiologia e para a prevenção.

A pegadinha central desta questão é a inversão de conceitos: a banca apresenta o mascaramento dos sinais vitais como um problema (correto), mas também tenta confundir o candidato com afirmações que contrariam a literatura sobre prognóstico, transfusão e mecanismo de trauma. O candidato que não domina as particularidades do trauma no idoso pode ser levado a acreditar que o desfecho é favorável ou que a transfusão é menos necessária, quando o oposto é verdadeiro. A chave para acertar é lembrar que o idoso é um paciente de alto risco, com respostas fisiológicas atenuadas e maior vulnerabilidade a complicações.

1Resposta fisiológica atenuada
Betabloqueador mascara taquicardia
Hipotensão é sinal tardio
2Prognóstico
Pior que no jovem
Maior mortalidade
3Transfusão
Necessidade maior que no jovem
Uso de anticoagulantes
4Fratura pélvica
Mortalidade 4x maior
Queda da própria altura
Trauma no idoso
LEVELsoulevel.com.br
Trauma no idoso: Resposta fisiológica atenuada (Betabloqueador mascara taquicardia, Hipotensão é sinal tardio); Prognóstico (Pior que no jovem, Maior mortalidade); Transfusão (Necessidade maior que no jovem, Uso de anticoagulantes); Fratura pélvica (Mortalidade 4x maior, Queda da própria altura)

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Esta alternativa está correta porque os betabloqueadores, amplamente utilizados no tratamento de hipertensão, insuficiência cardíaca e doença arterial coronariana em idosos, bloqueiam os receptores beta-1 e beta-2 adrenérgicos. Isso impede a taquicardia reflexa que normalmente ocorre em resposta à hipovolemia e ao estresse do trauma. Sem esse mecanismo compensatório, a frequência cardíaca pode permanecer normal ou até diminuída, mascarando a gravidade do choque e dificultando a interpretação dos dados vitais. O médico deve estar atento a essa possibilidade e utilizar outros parâmetros, como pressão arterial, nível de consciência, perfusão periférica e lactato, para avaliar a hemodinâmica do paciente.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A afirmação de que o desfecho dos politraumatismos em idosos é favorável está incorreta. A literatura demonstra que a mortalidade é maior em idosos quando comparados a jovens com lesões de gravidade semelhante. Isso se deve à menor reserva fisiológica, à presença de comorbidades (cardiopatias, pneumopatias, diabetes) e à maior susceptibilidade a complicações (infecções, tromboembolismo, disfunção de múltiplos órgãos). Embora todas as medidas de suporte devam ser oferecidas, o prognóstico é reservado e a decisão de tratar deve ser individualizada, considerando a fragilidade e a qualidade de vida prévia.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A necessidade de transfusão sanguínea em idosos traumatizados é maior, e não menor, do que em jovens. Os idosos têm menor reserva fisiológica para compensar a perda volêmica, maior prevalência de anemia prévia e uso frequente de anticoagulantes e antiagregantes, que aumentam o risco de sangramento. Além disso, a resposta à hipovolemia é atenuada, o que pode levar a um atraso no reconhecimento do choque e a uma maior necessidade de reposição volêmica e hemotransfusão.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A mortalidade por fratura pélvica em idosos é, de fato, maior do que em jovens, podendo ser até quatro vezes maior. No entanto, o mecanismo de trauma mais comum não são os acidentes automobilísticos, mas sim as quedas da própria altura. A osteoporose, comum em idosos, fragiliza os ossos, e uma queda simples pode resultar em uma fratura pélvica grave. Essa distinção é importante para a prevenção e para o manejo inicial, pois o trauma de baixa energia pode causar lesões significativas nessa população.

Gabarito: letra A

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