Questão de Medicina — Cirurgia Geral — VUNESP 2025
Medicina›Cirurgia Geral
Código
vu093411
Banca
VUNESP
Órgão
FAMEMA
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - Pré-Requisito em Cirurgia Geral/Área Cirúrgica Básica
Criança de 3 anos é trazida ao pronto atendimento devido a provável ingestão acidental de corpo estranho. Apresenta-se chorosa, agitada e pouco colaborativa. Os pais referem que a criança estava brincando sozinha na sala quando começou a tossir e a engasgar-se. Após um breve período em apneia, começou a chorar e se agitar progressivamente. Foi realizada radiografia de tórax (anteroposterior e perfil), que evidenciou a presença de um corpo estranho metálico, arredondado, impactado no terço médio do esôfago, com presença do sinal do duplo halo.A conduta imediata é
Abroncoscopia de urgência nas primeiras 6 horas.
Bendoscopia de emergência (imediata).
Cendoscopia de urgência após observado período de jejum de, no mínimo, 6 horas.
Dradiografias seriadas para acompanhamento da progressão do objeto.
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GabaritoB — endoscopia de emergência (imediata).
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Ingestão de corpo estranho esofágico: conduta de emergência
Gabarito: letra B. A criança apresenta corpo estranho metálico impactado no terço médio do esôfago, com sinal do duplo halo — achado radiológico clássico de pilha/bateria (botão). Nesse cenário, a conduta é endoscopia de emergência (imediata), pois a ingestão de pilhas ou baterias é uma das indicações formais de remoção endoscópica de urgência, devido ao alto risco de lesão por queimadura alcalina, necrose e perfuração esofágica. A alternativa B é a única que reflete essa urgência máxima.
A ingestão de corpo estranho é um evento comum na faixa etária pediátrica, especialmente entre 6 meses e 3 anos, quando a criança explora o ambiente pela boca. O esôfago é o local mais frequente de impactação, e os pontos de estreitamento fisiológico — cricofaríngeo, cruzamento com o arco aórtico e junção esofagogástrica — são os sítios preferenciais de retenção. No caso descrito, o corpo estranho está no terço médio, região do cruzamento aórtico, e o sinal do duplo halo na radiografia é o marcador radiológico típico de pilha/bateria: a imagem mostra uma dupla densidade concêntrica, correspondendo à borda metálica da cápsula e ao conteúdo interno.
A conduta na ingestão de corpo estranho esofágico depende de três fatores: o tipo de objeto, a localização e a presença de sintomas. Objetos rombos e pequenos, sem sintomas, podem ser manejados com observação e radiografias seriadas, pois muitos passam espontaneamente. Já objetos pontiagudos, pilhas/baterias, ímãs múltiplos e objetos que causam obstrução completa ou sintomas respiratórios graves exigem remoção endoscópica. A pilha/bateria é o caso mais urgente: o contato prolongado com a mucosa esofágica gera corrente elétrica, queimadura química alcalina e necrose tecidual, podendo evoluir para perfuração, fístula traqueoesofágica ou fístula aortoesofágica — complicações com mortalidade elevada. Por isso, a endoscopia deve ser imediata, sem aguardar jejum prolongado, pois o risco da demora supera o risco do procedimento.
A distinção central que a banca explora é entre endoscopia de emergência (imediata) e endoscopia de urgência (em até 24 horas). A endoscopia de emergência é reservada para situações de risco iminente de vida ou de lesão grave: obstrução completa do esôfago, ingestão de pilhas/baterias, ingestão de objetos pontiagudos e sintomas respiratórios significativos. A endoscopia de urgência, realizada em até 24 horas, é indicada para corpos estranhos esofágicos rombos, sem complicações, que não passaram espontaneamente. No caso da questão, a presença do sinal do duplo halo identifica a pilha/bateria, o que classifica o caso como emergência — a conduta imediata é a endoscopia, sem esperar jejum de 6 horas ou radiografias seriadas.
A pegadinha da questão está em duas frentes: primeiro, a alternativa C sugere aguardar jejum de 6 horas, o que é um erro grave no caso de pilha/bateria, pois cada hora de contato aumenta o risco de necrose; segundo, a alternativa A propõe broncoscopia, que é o procedimento para corpo estranho em vias aéreas (traqueia/bronquios), não no esôfago. A radiografia de tórax com o corpo estranho no esôfago e o sinal do duplo halo direciona inequivocamente para a via digestiva alta. A alternativa D, radiografias seriadas, seria aceitável apenas para objetos rombos, pequenos e assintomáticos, o que não é o caso.
Guarde o critério decisivo: tipo de corpo estranho + localização + sintomas determinam a urgência da endoscopia. Pilha/bateria, objeto pontiagudo, obstrução completa ou sintomas respiratórios = endoscopia imediata. Objeto rombo, esofágico, assintomático = endoscopia em até 24 horas ou observação. É exatamente nessa fronteira que as alternativas se dividem.
Ingestão de corpo estranho esofágico: Fatores que definem a conduta (Tipo de objeto, Localização, Sintomas); Endoscopia de emergência (imediata) (Pilha/bateria (sinal do duplo halo), Objeto pontiagudo, Obstrução completa, Sintomas respiratórios); Endoscopia de urgência (até 24h) (Objeto rombo, Assintomático); Conduta expectante (Objeto rombo e pequeno, Radiografias seriadas)
Alternativa A — ❌ Incorreta
A broncoscopia é o procedimento para remoção de corpo estranho em vias aéreas inferiores (traqueia e brônquios), não no esôfago. A radiografia demonstrou o corpo estranho impactado no terço médio do esôfago, portanto o acesso correto é pela via digestiva alta, com endoscopia digestiva alta. Além disso, a urgência de 6 horas não se aplica: no caso de pilha/bateria, a remoção deve ser imediata.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A presença do sinal do duplo halo na radiografia é o achado radiológico característico de pilha/bateria (corpo estranho metálico arredondado com dupla densidade concêntrica). A ingestão de pilhas ou baterias é uma das indicações formais de endoscopia de emergência, pois o contato prolongado com a mucosa esofágica causa queimadura alcalina, necrose e risco de perfuração. A conduta imediata é a endoscopia digestiva alta, sem aguardar jejum prolongado, pois o risco da demora supera o risco do procedimento.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Aguardar jejum de 6 horas antes da endoscopia é um erro grave no caso de pilha/bateria. O jejum é uma preparação padrão para procedimentos eletivos, mas em situações de emergência — como a ingestão de pilha/bateria — a endoscopia deve ser realizada imediatamente, mesmo com estômago cheio, pois cada hora de contato aumenta o risco de necrose e perfuração esofágica. A alternativa confunde a preparação de rotina com a urgência do caso.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Radiografias seriadas para acompanhamento da progressão do objeto são indicadas apenas para corpos estranhos rombos, pequenos e assintomáticos, que têm alta probabilidade de passagem espontânea. No caso de pilha/bateria, a conduta expectante é contraindicada, pois o risco de lesão grave é iminente. A presença do sinal do duplo halo e a impactação no esôfago exigem remoção endoscópica imediata.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre os níveis de urgência da endoscopia e entre as vias de acesso. A alternativa C tenta fazer o candidato aplicar a regra geral de jejum pré-procedimento, mas a pilha/bateria é exceção — exige endoscopia imediata. A alternativa A troca a via digestiva pela via aérea, sugerindo broncoscopia para um corpo estranho claramente esofágico. Identifique o sinal do duplo halo como o gatilho para a emergência máxima.
PEGA ESSA DICA!
Memorize as indicações de endoscopia de emergência na ingestão de corpo estranho: pilha/bateria, objeto pontiagudo, obstrução completa e sintomas respiratórios. Para objetos rombos e assintomáticos, a endoscopia pode ser feita em até 24 horas. Na prova, o sinal do duplo halo é o marcador que decide a urgência.