Questão de Medicina — Cirurgia Geral — VUNESP 2025
Medicina›Cirurgia Geral
Código
vu093420
Banca
VUNESP
Órgão
FAMEMA
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - Pré-Requisito em Cirurgia Geral/Área Cirúrgica Básica
Durante um exame de colonoscopia, um homem de 75 anos foi submetido à ressecção de um pólipo pediculado de 2,5 cm no cólon sigmoide. A histopatologia evidenciou um adenocarcinoma bem diferenciado com margens de ressecção livres, brotamento tumoral de baixo risco (budding grau 1) e ausência de invasão linfovascular. A classificação histopatológica descreve a lesão como nível 2 segundo a classificação de Haggitt.O achado histológico compatível com essa classificação e a conduta mais adequada para o caso, respectivamente, são o acometimento
Arestrito à cabeça do pólipo; invasão da colectomia complementar com linfadenectomia.
Bdo pedículo; reabordagem endoscópica para remoção da base do pólipo.
Cdo colo do pólipo; seguimento clínico e colonoscopia em 3 anos.
Dda mucosa adjacente ao pólipo; quimioterapia adjuvante e seguimento clínico.
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GabaritoC — do colo do pólipo; seguimento clínico e colonoscopia em 3 anos.
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Pólipos colorretais e a classificação de Haggitt
Gabarito: letra C. O nível 2 da classificação de Haggitt corresponde à invasão do colo do pólipo (a junção entre cabeça e pedículo), e, diante de um adenocarcinoma bem diferenciado, com margens livres, sem invasão linfovascular e com budding de baixo risco, a conduta é o seguimento clínico com colonoscopia em 3 anos — não há indicação de cirurgia complementar nem de quimioterapia adjuvante.
A classificação de Haggitt é um sistema de estadiamento histopatológico específico para pólipos pediculados com adenocarcinoma invasivo, ressecados endoscopicamente. Ela avalia o nível de invasão tumoral em relação às estruturas do pólipo, dividindo-se em quatro níveis: nível 1, invasão restrita à cabeça do pólipo; nível 2, invasão do colo do pólipo (a região de transição entre a cabeça e o pedículo); nível 3, invasão do pedículo; e nível 4, invasão da submucosa abaixo do pedículo, ou seja, da parede intestinal adjacente. Essa classificação é fundamental porque, em pólipos pediculados, a invasão da submucosa da parede colônica (nível 4) confere risco de linfonodos metastáticos, enquanto níveis 1 a 3, em geral, apresentam baixo risco de metástase linfonodal, especialmente quando associados a outros fatores favoráveis.
A conduta após a polipectomia endoscópica depende de uma análise conjunta de fatores histopatológicos de risco. São considerados critérios favoráveis: margens de ressecção livres, histologia bem diferenciada, ausência de invasão linfovascular, ausência de tumor budding (ou budding de baixo grau) e invasão limitada à submucosa superficial (até 1.000 micra, no caso de lesões sésseis). Quando todos esses critérios estão presentes, o paciente é considerado curado pela ressecção endoscópica, e a conduta é o seguimento clínico com colonoscopia de vigilância. O intervalo dessa colonoscopia varia conforme a estratificação de risco, mas, para lesões de baixo risco, como a do caso, recomenda-se a repetição em 3 anos. A cirurgia complementar com linfadenectomia (colectomia segmentar) fica reservada para os casos com fatores de risco desfavoráveis, como invasão linfovascular, budding de alto grau, margens comprometidas ou invasão profunda da submucosa. A quimioterapia adjuvante, por sua vez, é indicada apenas para adenocarcinomas invasivos com alto risco de recidiva, o que não se aplica a este caso.
A pegadinha central desta questão está na distinção entre os níveis 2 e 3 da classificação de Haggitt. O nível 2 é a invasão do colo do pólipo, enquanto o nível 3 é a invasão do pedículo. A alternativa B, que menciona "do pedículo", descreve o nível 3, não o nível 2. Além disso, a conduta associada a cada nível varia: para níveis 1 e 2 com critérios favoráveis, o seguimento endoscópico é suficiente; para nível 3, a conduta é mais controversa, mas muitos autores também indicam seguimento se os demais critérios forem favoráveis; já para o nível 4, a cirurgia complementar é geralmente recomendada. A banca explora exatamente essa confusão entre os níveis, oferecendo o nível 3 como distrator.
Outro ponto que merece destaque é a diferença entre pólipo pediculado e pólipo séssil. A classificação de Haggitt aplica-se apenas a pólipos pediculados. Para pólipos sésseis, utiliza-se a classificação de Kikuchi, que avalia a profundidade da invasão da submucosa em três níveis (Sm1, Sm2 e Sm3). Essa distinção é crucial, pois a profundidade da invasão submucosa é um dos principais fatores de risco para metástase linfonodal. No caso apresentado, o pólipo é pediculado, o que justifica o uso da classificação de Haggitt.
Guarde a fronteira entre os níveis 2 e 3 da classificação de Haggitt e a associação entre os critérios histopatológicos favoráveis e a conduta de seguimento: é exatamente nesses dois pontos que as alternativas se dividem.
Critério
Nível 1
Nível 2
Nível 3
Nível 4
Local de invasão
Cabeça do pólipo
Colo do pólipo
Pedículo
Submucosa da parede intestinal
Conduta típica (com critérios favoráveis)
Seguimento endoscópico
Seguimento endoscópico
Seguimento (controverso)
Cirurgia complementar
Risco de metástase linfonodal
Baixo
Baixo
Baixo
Alto
1Nível 1: cabeça do pólipo
2Nível 2: colo do pólipo
3Nível 3: pedículo
4Nível 4: submucosa da parede
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Alternativa A — ❌ Incorreta
O erro está na primeira parte: "restrito à cabeça do pólipo" descreve o nível 1 da classificação de Haggitt, não o nível 2. Além disso, a conduta proposta (colectomia complementar com linfadenectomia) é inadequada para um caso com todos os critérios favoráveis, pois a ressecção endoscópica já foi curativa. A cirurgia complementar seria considerada apenas se houvesse fatores de risco desfavoráveis, como invasão linfovascular, budding de alto grau ou margens comprometidas.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A primeira parte está errada: "do pedículo" corresponde ao nível 3 da classificação de Haggitt, não ao nível 2. A segunda parte, "reabordagem endoscópica para remoção da base do pólipo", também não é a conduta adequada, pois as margens já estão livres e não há indicação de nova ressecção local. A conduta correta é o seguimento clínico com colonoscopia de vigilância.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A alternativa descreve corretamente o nível 2 da classificação de Haggitt como invasão do colo do pólipo. A conduta de seguimento clínico com colonoscopia em 3 anos é adequada, pois o caso apresenta todos os critérios histopatológicos favoráveis: adenocarcinoma bem diferenciado, margens livres, ausência de invasão linfovascular e budding de baixo risco. Nesse cenário, a ressecção endoscópica é considerada curativa, e a vigilância colonoscópica é o manejo recomendado.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A primeira parte, "da mucosa adjacente ao pólipo", descreve o nível 4 da classificação de Haggitt, que é a invasão da submucosa da parede intestinal abaixo do pedículo. A segunda parte, "quimioterapia adjuvante", é uma conduta excessiva e inadequada para este caso, pois não há indicação de quimioterapia para um adenocarcinoma de baixo risco ressecado endoscopicamente com critérios favoráveis. A quimioterapia adjuvante é reservada para tumores com alto risco de recidiva, como aqueles com linfonodos positivos ou metástases.
NÃO CAIA NESSA!
A banca troca os níveis da classificação de Haggitt para confundir o candidato. O nível 2 é a invasão do colo do pólipo, e não do pedículo (nível 3) nem da cabeça (nível 1). Memorize a sequência: cabeça (1) → colo (2) → pedículo (3) → submucosa da parede (4). Com esse mapa mental, você identifica a pegadinha de longe.
PEGA ESSA DICA!
Para questões de pólipos colorretais, monte uma tabela mental com os critérios favoráveis e desfavoráveis. Favoráveis: margens livres, bem diferenciado, sem invasão linfovascular, sem budding, invasão submucosa superficial. Desfavoráveis: margens comprometidas, pouco diferenciado, invasão linfovascular, budding de alto grau, invasão submucosa profunda. Se todos os favoráveis estiverem presentes, a conduta é seguimento; se algum desfavorável aparecer, considere cirurgia.