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Questão de Medicina — Cirurgia Geral — VUNESP 2025

MedicinaCirurgia Geral
Código
vu093423
Banca
VUNESP
Órgão
FAMEMA
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - Pré-Requisito em Cirurgia Geral/Área Cirúrgica Básica
Homem de 34 anos, previamente hígido, procura atendimento ambulatorial por queixa de desconforto evacuatório há cerca de 3 semanas. Refere percepção de lesão na margem anal com sangramento discreto ao evacuar, associado a prurido. Nega alterações do hábito intestinal, febre ou perda ponderal. Ao exame observa-se fissura na borda lateral esquerda do ânus. Ao toque não apresenta dor local e a lesão é rasa com bordas endurecidas.A conduta mais adequada para o caso é tratamento
  1. Anão operatório com nitratos tópicos e bloqueadores dos canais de cálcio.
  2. Bnão operatório com injeção de toxina botulínica.
  3. Coperatório com esfincterotomia lateral interna.
  4. Dnão operatório com penicilina benzatina 2,4 milhões de unidades
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — não operatório com penicilina benzatina 2,4 milhões de unidades

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Fissura anal: diagnóstico e conduta

Gabarito: letra D — o quadro descrito é de fissura anal sifilítica (lesão lateral, indolor, rasa, com bordas endurecidas), cuja conduta é o tratamento não operatório com penicilina benzatina 2,4 milhões de unidades. A fissura anal típica é dolorosa, localiza-se na linha média (comissura posterior) e cursa com hipertonia esfincteriana; a apresentação atípica — lateral, indolor, com bordas endurecidas — levanta a suspeita de etiologia específica, como a sífilis, que responde ao esquema antibiótico.

A fissura anal é uma úlcera linear no canal anal, classicamente causada por trauma local (passagem de fezes endurecidas) que leva a espasmo do esfíncter anal interno, isquemia e dificuldade de cicatrização. O diagnóstico é essencialmente clínico, pela inspeção com afastamento das nádegas. A fissura aguda dura até 4–8 semanas; a crônica persiste além disso e costuma apresentar plicoma-sentinela, papila hipertrófica, bordas endurecidas e visualização do esfíncter no fundo da úlcera.

O ponto-chave deste caso é a localização atípica (borda lateral esquerda) e a ausência de dor ao toque, com lesão rasa e bordas endurecidas. A fissura anal idiopática é quase sempre posterior na linha média (ou anterior, em mulheres), e é dolorosa, com hipertonia esfincteriana. Fissuras laterais, indolores ou com características incomuns devem levantar suspeita de doenças específicas: doença de Crohn, tuberculose, HIV, sífilis, entre outras. Na sífilis, a lesão pode se apresentar como fissura em "espelho" (simétrica contralateral) ou como úlcera indolor de bordas endurecidas — exatamente o padrão descrito no enunciado.

O tratamento da fissura anal típica é inicialmente clínico: dieta rica em fibras, aumento da ingesta hídrica, banhos de assento, laxantes suaves e, nos casos com hipertonia, esfincterotomia química com nitratos tópicos ou bloqueadores de canais de cálcio. A toxina botulínica é opção para casos refratários. A esfincterotomia lateral interna é o tratamento cirúrgico de escolha para fissura crônica que não responde ao tratamento clínico. Nenhuma dessas condutas, porém, trata a causa quando a fissura é secundária a uma doença específica, como a sífilis — nesse caso, o tratamento é etiológico, com penicilina benzatina.

A banca explora exatamente a armadilha de o candidato reconhecer o diagnóstico de fissura anal e aplicar o tratamento padrão, ignorando os sinais de alerta para etiologia específica. A fissura lateral, indolor, rasa e com bordas endurecidas em paciente jovem e hígido é fortemente sugestiva de sífilis anorretal, e a conduta correta é o tratamento antibiótico específico. Guarde o critério: fissura típica (linha média, dolorosa) → tratamento clínico convencional; fissura atípica (lateral, indolor, bordas endurecidas) → investigar e tratar causa específica.

Alternativa A — ❌ Incorreta

Nitratos tópicos e bloqueadores dos canais de cálcio são a esfincterotomia química, indicada para fissura anal idiopática com hipertonia esfincteriana. No caso, a fissura é lateral, indolor e com bordas endurecidas — características que apontam para etiologia específica (sífilis), e não para fissura idiopática. Aplicar esse tratamento não abordaria a causa e seria conduta inadequada.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A injeção de toxina botulínica é outra modalidade de esfincterotomia química, usada em fissuras crônicas refratárias ao tratamento clínico convencional. Também não trata a causa da fissura sifilítica. Além disso, o paciente não apresenta fissura crônica típica — o quadro é agudo (3 semanas) e com características atípicas.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A esfincterotomia lateral interna é o tratamento cirúrgico de escolha para fissura anal crônica idiopática que não responde ao tratamento clínico. No caso, a fissura é aguda, indolor e lateral — não há indicação cirúrgica, e a cirurgia seria inadequada e potencialmente danosa, pois não trata a sífilis subjacente.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A fissura lateral, indolor, rasa e com bordas endurecidas em paciente jovem e hígido é fortemente sugestiva de sífilis anorretal. O tratamento de escolha é a penicilina benzatina 2,4 milhões de unidades, em esquema adequado para sífilis. Essa conduta trata a causa da lesão, permitindo a cicatrização. As demais alternativas tratam a fissura idiopática, não a etiologia específica.

NÃO CAIA NESSA!

A banca descreve uma fissura anal com características atípicas (lateral, indolor, bordas endurecidas) para induzir o candidato a aplicar o tratamento padrão da fissura idiopática (nitratos, toxina botulínica, esfincterotomia). O erro clássico é não reconhecer que fissura lateral e indolor sugere etiologia específica, como sífilis, cujo tratamento é antibiótico. Fique atento: fissura típica = linha média + dolorosa; fissura atípica = lateral + indolor → investigar causa.

PEGA ESSA DICA!

Na prova, ao se deparar com fissura anal, verifique sempre a localização e a presença de dor. Se a fissura for lateral ou indolor, pense em causas secundárias (sífilis, Crohn, tuberculose, HIV) e busque o tratamento etiológico. Essa distinção é o que separa o acerto do erro nesta questão.

Gabarito: letra D

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