Residência Médica - Pré-Requisito em Clínica Médica
Qual a primeira medida terapêutica específica no status epiléptico (> 5 minutos de crise contínua)?
AFenitoína endovenoso (EV) 20 mg/kg.
BPropofol EV como 1a linha de escolha.
CMidazolam intramuscular como melhor opção ao acesso venoso periférico.
DBenzodiazepínico EV seguido de anticonvulsivante de manutenção.
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GabaritoD — Benzodiazepínico EV seguido de anticonvulsivante de manutenção.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Status epiléptico: abordagem terapêutica inicial
Gabarito: letra D. A primeira medida terapêutica específica no status epiléptico (> 5 minutos de crise contínua) é a administração de um benzodiazepínico EV (diazepam, midazolam ou lorazepam) seguida de um anticonvulsivante de manutenção (fenitoína, valproato ou levetiracetam) para prevenir a recorrência das crises. Essa sequência é o padrão-ouro do manejo inicial, conforme as diretrizes de emergência neurológica.
O status epiléptico (SE) é definido como uma crise epiléptica que se prolonga por mais de 5 minutos ou crises repetidas sem recuperação da consciência entre elas. É uma emergência neurológica com alta morbimortalidade, e o tempo até o controle das crises é o principal fator prognóstico — quanto mais tempo de crise, maior o risco de lesão neuronal irreversível. Por isso, o tratamento deve ser iniciado imediatamente, com drogas de rápido início de ação, por via parenteral.
A abordagem inicial segue os preceitos do suporte básico de vida: garantir via aérea pérvia, oxigenação, ventilação e suporte hemodinâmico, além de colher exames (glicemia capilar, gasometria, eletrólitos, toxicologia). A terapia farmacológica específica começa com um benzodiazepínico — a classe mais eficaz para interromper a crise em curso. O lorazepam (0,1 mg/kg EV) é a droga de primeira escolha em muitos protocolos, mas no Brasil, onde o lorazepam EV não está disponível, usa-se diazepam (0,1 mg/kg EV) ou midazolam (0,05 mg/kg EV). Se não houver acesso venoso, o midazolam intramuscular (10 mg IM) é a opção recomendada.
Após o controle da crise com o benzodiazepínico, é obrigatório iniciar um anticonvulsivante de manutenção (segunda linha) para prevenir a recorrência das crises. As opções de segunda linha são fenitoína (20 mg/kg EV), valproato (20-40 mg/kg EV) ou levetiracetam (40-60 mg/kg EV), todos com eficácia semelhante. A fenitoína é a mais clássica, mas deve ser infundida lentamente (até 50 mg/min) e não pode ser administrada na mesma via do benzodiazepínico, pois há precipitação. O valproato e o levetiracetam são alternativas modernas com perfil de segurança favorável.
A sequência correta é, portanto: benzodiazepínico EV (1ª linha) → anticonvulsivante de manutenção (2ª linha). Essa é a conduta que a alternativa D descreve. As demais alternativas apresentam erros conceituais ou de priorização que veremos a seguir.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre as fases do tratamento. O benzodiazepínico é a droga de primeira linha para interromper a crise; a fenitoína é a segunda linha (manutenção). A alternativa A apresenta a fenitoína como primeira medida, o que está errado — ela só entra depois do benzodiazepínico. A alternativa C inverte a lógica: o midazolam IM é uma opção quando não há acesso venoso, não a "melhor opção" em geral. A alternativa B coloca o propofol, que é droga de terceira linha (SE refratário), como primeira escolha. Guarde a ordem: BZD → anticonvulsivante → anestésico.
1Benzodiazepínico EV (1ª linha)
2Anticonvulsivante de manutenção (2ª linha)
3Anestésico (3ª linha, refratário)
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Alternativa A — ❌ Incorreta
A fenitoína EV 20 mg/kg é a dose correta de segunda linha (manutenção), mas não é a primeira medida terapêutica. Ela deve ser administrada após o benzodiazepínico, para prevenir a recorrência das crises. Usar fenitoína como primeira escolha atrasa o controle da crise, pois ela tem início de ação mais lento que o benzodiazepínico. O erro está na priorização: a primeira medida é sempre o benzodiazepínico.
Alternativa B — ❌ Incorreta
O propofol é um anestésico geral usado no status epiléptico refratário (terceira linha), quando as crises persistem após benzodiazepínico e anticonvulsivante de manutenção. Não é droga de primeira linha. Além disso, seu uso requer intubação e monitorização em UTI, o que não é apropriado para o manejo inicial. A alternativa confunde a fase do tratamento: propofol é reservado para casos refratários, não para o início.
Alternativa C — ❌ Incorreta
O midazolam intramuscular (10 mg IM) é uma opção válida quando não há acesso venoso, mas não é a "melhor opção" em geral. A via de escolha para o benzodiazepínico é a endovenosa, por ter início de ação mais rápido e previsível. O midazolam IM é uma alternativa quando o acesso venoso não está disponível, não a primeira escolha. A alternativa erra ao generalizar: a via IM é exceção, não regra.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Esta alternativa descreve exatamente a conduta correta: benzodiazepínico EV (diazepam, midazolam ou lorazepam) como primeira linha para interromper a crise, seguido de anticonvulsivante de manutenção (fenitoína, valproato ou levetiracetam) para prevenir recorrência. Essa sequência é o padrão-ouro do manejo inicial do status epiléptico, conforme as diretrizes de emergência neurológica. A alternativa captura a essência do tratamento: interromper a crise com droga de ação rápida e, em seguida, estabilizar o paciente com droga de ação prolongada.