Questão de Medicina — Gastroenterologia — VUNESP 2025
Medicina›Gastroenterologia
Código
vu093470
Banca
VUNESP
Órgão
FAMEMA
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - Pré-Requisito em Clínica Médica
Sobre a esteato-hepatite associada à disfunção metabólica (MASH), assinale a alternativa correta.
AO diagnóstico de MASH exige obrigatoriamente biópsia hepática, já que nenhum exame de imagem ou escore clínico possui acurácia suficiente para triagem ou acompanhamento.
BA fisiopatologia do MASH envolve resistência insulínica, inflamação hepática e fibrose progressiva, sendo o grau de fibrose o principal determinante de prognóstico.
CO tratamento específico do MASH é baseado no uso universal de estatinas em altas doses, pois reduzem o acúmulo de gordura hepática e têm efeito antifibrótico comprovado.
DA perda de peso não influencia na evolução do MASH, motivo pelo qual a abordagem do estilo de vida não é recomendada nas diretrizes atuais.
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GabaritoB — A fisiopatologia do MASH envolve resistência insulínica, inflamação hepática e fibrose progressiva, sendo o grau de fibrose o principal determinante de prognóstico.
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Esteato-hepatite associada à disfunção metabólica (MASH)
Gabarito: letra B. A fisiopatologia do MASH envolve resistência insulínica, inflamação hepática e fibrose progressiva, sendo o grau de fibrose o principal determinante de prognóstico — essa é a alternativa correta. As demais alternativas distorcem a realidade clínica: o diagnóstico não exige obrigatoriamente biópsia (há escores e exames de imagem para triagem), o tratamento não se baseia em estatinas em altas doses como terapia específica, e a perda de peso é, sim, a base da abordagem terapêutica.
A esteato-hepatite associada à disfunção metabólica (MASH) é a forma progressiva da doença hepática gordurosa associada à disfunção metabólica (MASLD). Antes denominada esteato-hepatite não alcoólica (NASH), a MASH representa o espectro da doença em que, além do acúmulo de gordura (esteatose), há inflamação e lesão hepatocelular, podendo evoluir para fibrose, cirrose e carcinoma hepatocelular. É considerada a manifestação hepática da síndrome metabólica, estando fortemente associada à obesidade, dislipidemia e diabetes mellitus tipo 2.
A fisiopatologia é multifatorial e envolve, em primeiro lugar, a resistência insulínica, que leva ao acúmulo de triglicerídeos nos hepatócitos. Esse acúmulo, por sua vez, desencadeia estresse oxidativo, inflamação e ativação de células estreladas hepáticas, que produzem colágeno e conduzem à fibrose progressiva. A fibrose é o principal determinante de prognóstico, pois sua progressão está diretamente relacionada ao desenvolvimento de cirrose e suas complicações (descompensação hepática, hipertensão portal e carcinoma hepatocelular). Por isso, a avaliação do estágio de fibrose é central no manejo clínico, guiando decisões terapêuticas e a necessidade de acompanhamento especializado.
Na prática clínica, o diagnóstico de MASH não exige obrigatoriamente biópsia hepática. Embora a biópsia seja o padrão-ouro para confirmar a esteato-hepatite e estadiar a fibrose, a abordagem inicial é não invasiva. A ultrassonografia de abdome é um dos exames de imagem iniciais para detectar esteatose, e escores clínicos como o FIB-4 e o NAFLD Fibrosis Score (NFS) são amplamente utilizados para triagem e estimativa do risco de fibrose avançada. A combinação de dois ou mais métodos diagnósticos aumenta a acurácia, e diretrizes como as da American Gastroenterological Association (AGA) propõem vias multidisciplinares para classificar os pacientes conforme o estágio de fibrose e guiar o manejo. A biópsia fica reservada para casos de dúvida diagnóstica ou quando há necessidade de estadiar a fibrose com precisão para decisões terapêuticas.
Quanto ao tratamento, a base é a modificação do estilo de vida, com ênfase na perda de peso por meio de dieta e exercícios físicos. A perda de peso é capaz de melhorar a esteatose, a inflamação e até a fibrose. A cirurgia bariátrica é uma alternativa para pacientes com dificuldade de emagrecer, com evidências de melhora histológica. Não existe, atualmente, um medicamento específico aprovado para MASH, mas algumas opções farmacológicas são utilizadas, como a pioglitazona (tiazolidinediona) e a vitamina E, que atuam melhorando a resistência insulínica e reduzindo o estresse oxidativo, respectivamente. As estatinas, por sua vez, são indicadas para o controle da dislipidemia e redução do risco cardiovascular nesses pacientes, sendo seguras na doença hepática compensada, mas não constituem o tratamento específico da MASH em si.
A pegadinha desta questão está em três frentes: (1) afirmar que a biópsia é obrigatória, quando a triagem não invasiva é a regra; (2) elevar as estatinas à condição de tratamento específico, quando seu papel é o controle do risco cardiovascular; e (3) negar o papel da perda de peso, que é justamente a principal intervenção terapêutica. A alternativa B, ao contrário, sintetiza corretamente a fisiopatologia e o prognóstico, destacando a fibrose como o fator prognóstico mais importante.
MASH (esteato-hepatite metabólica)
1Fisiopatologia
Resistência insulínica
Acúmulo de triglicerídeos
Estresse oxidativo e inflamação
Fibrose progressiva
2Prognóstico
Grau de fibrose é o principal fator
Cirrose e complicações
3Diagnóstico
Não invasivo (regra)
Ultrassonografia
FIB-4 e NFS
Biópsia (casos selecionados)
4Tratamento
Perda de peso (base)
Dieta e exercícios
Cirurgia bariátrica
Farmacológico
Pioglitazona
Vitamina E
Estatinas (risco cardiovascular)
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Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que o diagnóstico de MASH exige obrigatoriamente biópsia hepática, pois nenhum exame de imagem ou escore clínico teria acurácia suficiente para triagem ou acompanhamento. Isso é falso: a abordagem diagnóstica inicial é não invasiva, com ultrassonografia e escores como FIB-4 e NFS, que são utilizados justamente para triagem e acompanhamento. A biópsia é reservada para casos selecionados, como dúvida diagnóstica ou necessidade de estadiar a fibrose para decisões terapêuticas, mas não é obrigatória em todos os casos.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A alternativa descreve corretamente a fisiopatologia do MASH: resistência insulínica, inflamação hepática e fibrose progressiva. Além disso, afirma que o grau de fibrose é o principal determinante de prognóstico, o que é amplamente aceito na literatura, pois a progressão da fibrose está diretamente associada ao desenvolvimento de cirrose e suas complicações. Essa é a alternativa correta.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Afirma que o tratamento específico do MASH é baseado no uso universal de estatinas em altas doses, com efeito antifibrótico comprovado. Isso é incorreto por dois motivos: (1) não existe um tratamento específico aprovado para MASH, sendo a base terapêutica a modificação do estilo de vida com perda de peso; (2) as estatinas são indicadas para o controle da dislipidemia e redução do risco cardiovascular, não como tratamento específico da esteato-hepatite. Embora haja evidências de que as estatinas possam melhorar a esteatose e a fibrose, elas não são utilizadas em altas doses como terapia específica, e seu uso deve seguir as indicações habituais para dislipidemia.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Afirma que a perda de peso não influencia na evolução do MASH e que a abordagem do estilo de vida não é recomendada. Isso é o oposto da realidade: a perda de peso é a principal intervenção terapêutica, capaz de melhorar a esteatose, a inflamação e a fibrose. As diretrizes atuais recomendam fortemente a modificação do estilo de vida, incluindo dieta e exercícios, como base do tratamento. A cirurgia bariátrica é uma alternativa para pacientes com dificuldade de emagrecer, reforçando a importância da perda de peso.