Pular para o conteúdo principal

Questão de Medicina — Pediatria e Neonatologia — VUNESP 2025

MedicinaPediatria e Neonatologia
Código
vu093495
Banca
VUNESP
Órgão
FAMEMA
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - Pré-Requisito em Pediatria
Durante uma consulta de rotina, a mãe de uma criança de 18 meses relata que, ao olhar para o filho em determinadas luzes ou em fotos com flash, percebe um “reflexo branco” ou “brilho diferente” no centro do olho direito. Ao realizar o teste do reflexo vermelho, o pediatra identifica a ausência do reflexo vermelho no olho direito e a presença de um reflexo esbranquiçado.Diante desse achado, a correta suspeita diagnóstica é
  1. Auveíte de câmara anterior.
  2. Bobstrução do ducto lacrimal.
  3. Cum estigma de conjuntivite alérgica.
  4. Dretinoblastoma.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — retinoblastoma.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Leucocoria e retinoblastoma na infância

Gabarito: letra D. O achado de reflexo esbranquiçado (leucocoria) com ausência do reflexo vermelho no teste do olhinho em criança de 18 meses é a apresentação clássica do retinoblastoma, o tumor intraocular maligno mais comum da infância — e é exatamente o que a alternativa D descreve. O teste do reflexo vermelho é a triagem neonatal que detecta leucocorias, e o retinoblastoma é uma das principais causas a serem investigadas quando o reflexo está alterado.

A leucocoria — do grego leukós (branco) + kóre (pupila) — é o sinal clínico de um reflexo pupilar esbranquiçado em vez do vermelho normal. Ela ocorre quando algo dentro do olho reflete a luz de forma anômala, impedindo que o fundo de olho (retina e coroide, ricamente vascularizados) produza o reflexo vermelho esperado. No retinoblastoma, o tumor se origina nas células fotorreceptoras da retina e, ao crescer, forma massas esbranquiçadas que ocupam o vítreo e produzem exatamente esse reflexo branco — que a mãe percebeu em fotos com flash e o pediatra confirmou no exame.

O teste do reflexo vermelho (teste do olhinho) é parte da triagem neonatal obrigatória no Brasil. Ele consiste em incidir uma luz (oftalmoscópio) sobre o olho da criança e observar o reflexo que retorna pela pupila: o normal é um reflexo vermelho simétrico nos dois olhos. Quando há leucocoria, o reflexo aparece esbranquiçado ou ausente, e a conduta é encaminhar imediatamente ao oftalmologista para investigação. As principais causas de leucocoria na infância são o retinoblastoma e a catarata congênita — ambas potencialmente graves e que exigem diagnóstico precoce.

A importância do diagnóstico precoce do retinoblastoma não pode ser subestimada: é um tumor que, se tratado a tempo, tem altas taxas de cura e pode preservar o olho e a visão; se diagnosticado tardiamente, pode levar à enucleação (remoção do olho) e até à disseminação metastática. Por isso, qualquer alteração no teste do reflexo vermelho em criança pequena deve ser levada a sério e investigada com urgência por especialista.

A banca explora aqui a associação direta entre o sinal clínico (leucocoria) e a doença que ele mais caracteristicamente representa na faixa etária pediátrica. As demais alternativas apresentam condições que não produzem leucocoria como manifestação típica — são distratores que confundem o candidato que não domina a semiologia ocular infantil. Guarde a tríade: leucocoria + criança pequena + reflexo vermelho ausente = pensar em retinoblastoma até prova em contrário.

Leucocoria na infância
  • 1Reflexo pupilar esbranquiçado
    • Ausência do reflexo vermelho
    • Percebido em fotos com flash
  • 2Principal suspeita
    • Retinoblastoma
      • Tumor intraocular maligno mais comum
      • Pico aos 18 meses
      • Origem nas células fotorreceptoras
  • 3Diagnóstico diferencial
    • Catarata congênita
    • Uveíte anterior (sem leucocoria)
    • Obstrução ducto lacrimal (sem leucocoria)
    • Conjuntivite alérgica (sem leucocoria)
LEVEL · soulevel.com.br

Alternativa A — ❌ Incorreta

A uveíte de câmara anterior é uma inflamação intraocular que cursa com olho vermelho, dor, fotofobia e turvação visual — mas não produz leucocoria nem reflexo esbranquiçado. O achado do enunciado é um reflexo branco central, típico de massa retiniana, não de inflamação de segmento anterior. A uveíte anterior não é causa de reflexo vermelho ausente com aspecto esbranquiçado.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A obstrução do ducto lacrimal (dacrioestenose) causa epífora (lacrimejamento excessivo) e secreção ocular, mas não altera o reflexo vermelho. O ducto lacrimal obstruído não interfere na transparência dos meios oculares nem na reflexão da luz pela retina — portanto, não explica a leucocoria descrita.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A conjuntivite alérgica é uma inflamação da conjuntiva que cursa com hiperemia, prurido e lacrimejamento — manifestações de superfície ocular. Ela não produz reflexo esbranquiçado central nem ausência do reflexo vermelho. O enunciado descreve um achado intraocular (leucocoria), não uma alteração conjuntival.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

O retinoblastoma é o tumor intraocular maligno mais comum da infância, com pico de incidência por volta dos 18 meses — exatamente a idade da criança do caso. Sua apresentação clássica é a leucocoria (reflexo pupilar branco, percebido em fotos com flash ou em determinadas luzes) com ausência do reflexo vermelho ao teste do olhinho. O quadro descrito no enunciado — mãe notando "reflexo branco" no olho direito + teste do reflexo vermelho alterado com reflexo esbranquiçado — é a suspeita diagnóstica típica de retinoblastoma, exigindo encaminhamento oftalmológico imediato para confirmação e tratamento.

NÃO CAIA NESSA!

A banca oferece condições oculares comuns da infância (obstrução de ducto lacrimal, conjuntivite alérgica) como distratores, mas todas elas cursam com sintomas de superfície — lacrimejamento, secreção, hiperemia — e nunca com leucocoria. O candidato que não associa o reflexo branco ao retinoblastoma cai na armadilha de escolher uma condição benigna e frequente. A chave é reconhecer que leucocoria em criança pequena é sinal de alerta para tumor retiniano até que se prove o contrário.

Gabarito: letra D — retinoblastoma.

Link permanente: /questoes/vu093495