Questão de Medicina — Pediatria e Neonatologia — VUNESP 2025
Medicina›Pediatria e Neonatologia
Código
vu093498
Banca
VUNESP
Órgão
FAMEMA
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - Pré-Requisito em Pediatria
Um lactente de 18 dias de vida, nascido a termo com 3.200 g e na alta com 3.100 g, é trazido para consulta de rotina. A mãe relata amamentação exclusiva em livre demanda, com o bebê mamando “o tempo todo” e parecendo insatisfeito após as mamadas, com episódios frequentes de choro. O peso atual é de 3.050 g. Ao exame físico, o lactente está ativo e alerta, com boa coloração, sem icterícia e com elasticidade da pele e turgor normais. A mãe, experiente em amamentação com outros filhos, relata conseguir espremer manualmente cerca de 50-60 mL de leite de um único seio, após a mamada, mas está preocupada com a insatisfação do bebê.Com base nas informações apresentadas, qual a hipótese diagnóstica provável e a conduta inicial para esse caso?
AHipogalactia materna secundária à produção inadequada de leite, apesar da expressão manual, indicando suplementação imediata com fórmula e investigação de galactogogos.
BIneficácia da transferência de leite materno devido a dificuldades de pega e/ou sucção, necessitando de observação direta da mamada por profissional qualificado e correção da técnica.
CDesidratação hipernatrêmica subclínica ou deficiência enzimática congênita, impondo internação para monitorização e investigação laboratorial completa, incluindo eletrólitos e testes metabólicos.
DTranstorno do tônus muscular ou alteração neurológica sutil do lactente, que impede uma sucção eficaz, justificando encaminhamento prioritário para neurologista pediátrico e fonoaudiólogo.
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GabaritoB — Ineficácia da transferência de leite materno devido a dificuldades de pega e/ou sucção, necessitando de observação direta da mamada por profissional qualificado e correção da técnica.
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Aleitamento materno: avaliação da mamada e ganho de peso no recém-nascido
Gabarito: letra B. O quadro descrito — lactente de 18 dias em aleitamento materno exclusivo, com perda de peso progressiva (3.200 g → 3.100 g → 3.050 g), choro frequente e insatisfação após as mamadas, apesar de a mãe conseguir ordenhar 50-60 mL de leite — aponta para ineficácia da transferência de leite materno, mais do que para produção insuficiente. A conduta inicial é a observação direta da mamada por profissional qualificado para avaliar pega e sucção, e não a suplementação imediata ou investigação laboratorial. Essa é a abordagem recomendada pelas diretrizes de aleitamento materno, como o Guia Prático de Aleitamento Materno da Sociedade Brasileira de Pediatria.
O aleitamento materno é um processo que envolve não apenas a produção de leite (galactopoese), mas também a sua transferência eficaz para o bebê. A transferência depende de uma pega adequada, que permita uma sucção eficiente e rítmica, e do posicionamento correto do lactente. Quando há dificuldade de pega, o bebê pode mamar por longos períodos, mas extrair pouco leite, resultando em ganho de peso insuficiente, choro e insatisfação — exatamente o que a mãe descreve.
No caso apresentado, a mãe consegue ordenhar 50-60 mL de leite de um seio após a mamada. Isso indica que a produção de leite está adequada (hipogalactia primária é rara), mas que o bebê não está conseguindo extrair esse leite de forma eficiente. A perda de peso de 150 g em relação ao peso de alta (3.100 g → 3.050 g) é um sinal de alerta, pois o esperado é que o recém-nascido recupere o peso de nascimento por volta do 10º ao 14º dia de vida. No entanto, o lactente está ativo, alerta, com boa coloração, sem icterícia e com turgor e elasticidade da pele normais, o que afasta desidratação clinicamente significativa e outras causas orgânicas.
A conduta inicial, portanto, não é suplementar com fórmula (alternativa A), nem internar para investigação (alternativa C), nem encaminhar para neurologista (alternativa D). A abordagem correta é a observação da mamada para identificar e corrigir problemas de pega e sucção, que são a causa mais comum de transferência ineficaz de leite. Essa observação deve ser feita por profissional de saúde qualificado, que pode orientar a mãe sobre o posicionamento correto, a pega adequada e a frequência das mamadas.
PEGA ESSA DICA!
Em casos de suspeita de baixa transferência de leite, a avaliação da mamada é o primeiro passo. Observe a pega (boca bem aberta, lábios evertidos, queixo tocando a mama), a sucção (ritmo lento e profundo, com pausas) e a deglutição (audível). Se a pega estiver inadequada, oriente a mãe a reposicionar o bebê. A ordenha manual após a mamada pode ser usada para aliviar o ingurgitamento e manter a produção, mas não substitui a correção da técnica.
1Observar mamada
2Avaliar pega e sucção
3Corrigir técnica
4Reavaliar ganho de peso
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Alternativa A — ❌ Incorreta
A alternativa sugere hipogalactia materna secundária à produção inadequada de leite, apesar da expressão manual, e indica suplementação imediata com fórmula e investigação de galactogogos. Isso está incorreto porque a mãe consegue ordenhar 50-60 mL de leite, o que demonstra produção adequada. A hipogalactia primária é rara, e a suplementação com fórmula sem antes avaliar a mamada pode levar ao desmame precoce. A conduta correta é a observação da mamada e a correção da técnica, não a suplementação imediata.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A alternativa descreve ineficácia da transferência de leite materno devido a dificuldades de pega e/ou sucção, necessitando de observação direta da mamada por profissional qualificado e correção da técnica. Isso está correto porque a produção de leite está adequada (a mãe ordenha 50-60 mL), mas o bebê não está conseguindo extrair o leite de forma eficiente, resultando em perda de peso e insatisfação. A observação da mamada é a conduta inicial recomendada para identificar e corrigir problemas de pega e sucção.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A alternativa sugere desidratação hipernatrêmica subclínica ou deficiência enzimática congênita, impondo internação para monitorização e investigação laboratorial completa. Isso está incorreto porque o lactente está ativo, alerta, com boa coloração, sem icterícia e com turgor e elasticidade da pele normais, o que afasta desidratação clinicamente significativa. A perda de peso é preocupante, mas a conduta inicial não é internação, e sim a avaliação da mamada. A investigação laboratorial e a internação seriam indicadas se houvesse sinais de desidratação ou outras alterações clínicas.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A alternativa sugere transtorno do tônus muscular ou alteração neurológica sutil do lactente, que impede uma sucção eficaz, justificando encaminhamento prioritário para neurologista pediátrico e fonoaudiólogo. Isso está incorreto porque não há sinais de alteração neurológica no exame físico (lactente ativo, alerta, com boa coloração). A causa mais comum de transferência ineficaz de leite é a dificuldade de pega, não uma alteração neurológica. O encaminhamento para neurologista seria indicado se houvesse outros sinais de alerta, como hipotonia, letargia ou convulsões, o que não é o caso.