Questão de Medicina — Pediatria e Neonatologia — VUNESP 2025
Medicina›Pediatria e Neonatologia
Código
vu093513
Banca
VUNESP
Órgão
FAMEMA
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - Pré-Requisito em Pediatria
Durante um plantão na enfermaria pediátrica, dois pediatras presenciam o colapso súbito de uma criança de 4 anos de idade, pesando aproximadamente 18 kg, sem histórico médico relevante prévio. Ao se aproximarem, a criança está inconsciente e não respira. Após verificar rapidamente o pulso braquial, um dos pediatras não o sente durante 8 segundos, enquanto o outro já prepara o material para ventilação e aciona o time de resposta rápida.Nesse contexto, qual a sequência correta de ações para o início da reanimação cardiopulmonar (RCP)?
AIniciar compressões com uma mão, profundidade de 4 cm, na relação de 30:2, checando o pulso braquial a cada 2 minutos.
BIniciar compressões torácicas com duas mãos, profundidade de 5 cm, frequência de 100-120/min e relação 15:2 de compressões-ventilações.Priorizar a ventilação com 1 a cada 3 segundos e compressões a 100/min, preparando o desfibrilador externo automático (DEA) para desfibrilação imediata.
CPriorizar a ventilação com 1 a cada 3 segundos e compressões a 100/min, preparando o desfibrilador externo automático (DEA) para desfibrilação imediata.
DAlternar entre os pediatras a cada minuto, com compressões usando dois dedos na metade inferior do esterno, profundidade de 4 cm, e ventilar 20-30 vezes por minuto.
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GabaritoB — Iniciar compressões torácicas com duas mãos, profundidade de 5 cm, frequência de 100-120/min e relação 15:2 de compressões-ventilações.Priorizar a ventilação com 1 a cada 3 segundos e compressões a 100/min, preparando o desfibrilador externo automático (DEA) para desfibrilação imediata.
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Reanimação cardiopulmonar pediátrica: sequência correta de ações
Gabarito: letra B. Em uma criança de 4 anos em parada cardiorrespiratória (PCR) com dois socorristas, a sequência correta é iniciar compressões torácicas com duas mãos, profundidade de 5 cm, frequência de 100-120/min e relação compressão-ventilação de 15:2, conforme as diretrizes da American Heart Association (AHA) e da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC). A alternativa B é a única que combina corretamente todos os parâmetros para essa faixa etária e cenário.
A reanimação cardiopulmonar (RCP) é o conjunto de manobras destinadas a manter a perfusão de órgãos vitais até que se restabeleça a circulação espontânea. Na pediatria, a causa mais comum de PCR é a respiratória, o que torna a ventilação um componente essencial, mas as compressões torácicas de alta qualidade são a prioridade absoluta. A sequência de atendimento recomendada desde 2010 e reforçada em 2020 é o mnemônico CAB: C (compressões), A (abertura de vias aéreas), B (boa ventilação).
A verificação do pulso central não deve ultrapassar 10 segundos. No caso, o pediatra não sentiu o pulso braquial por 8 segundos, o que confirma a PCR e indica o início imediato das compressões. A criança de 4 anos, pesando 18 kg, está na faixa etária de "criança" (1 ano até antes da puberdade), portanto as compressões devem ser realizadas com uma ou duas mãos, no terço inferior do esterno, com profundidade de aproximadamente 5 cm (1/3 do diâmetro anteroposterior do tórax) e frequência de 100 a 120 compressões por minuto.
A relação compressão-ventilação varia conforme o número de socorristas: com um socorrista, é 30:2; com dois ou mais socorristas, é 15:2. Como o enunciado descreve dois pediatras presentes, a relação correta é 15:2. Além disso, o rodízio de funções deve ocorrer a cada 2 minutos para minimizar a fadiga, e a reavaliação do pulso central deve ser feita a cada 2 minutos. O DEA deve ser utilizado assim que disponível, especialmente em casos de colapso súbito, onde há maior probabilidade de ritmo chocável (FV/TV sem pulso).
A pegadinha desta questão está na combinação de parâmetros: a alternativa A usa relação 30:2 (correta para um socorrista), a C prioriza ventilação com 1 a cada 3 segundos (recomendação para via aérea avançada, não para o início da RCP), e a D usa técnica de dois dedos (correta para lactentes, não para crianças). A alternativa B é a única que apresenta todos os elementos corretos para o cenário descrito.
1Verificar pulso (≤10s)
2Compressões 100-120/min
3Profundidade ~5 cm
4Relação 15:2
5Reavaliar a cada 2 min
6DEA assim que disponível
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Alternativa A — ❌ Incorreta
A alternativa A afirma que as compressões devem ser iniciadas com uma mão, profundidade de 4 cm, relação 30:2 e checagem de pulso a cada 2 minutos. O erro está na relação 30:2, que é indicada para um socorrista, mas o enunciado descreve dois pediatras presentes. Com dois socorristas, a relação correta é 15:2. Além disso, a profundidade de 4 cm é mais adequada para lactentes; para crianças, a profundidade recomendada é de aproximadamente 5 cm. A checagem de pulso a cada 2 minutos está correta, mas os demais parâmetros tornam a alternativa incorreta.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A alternativa B está correta porque apresenta todos os parâmetros adequados para uma criança de 4 anos em PCR com dois socorristas: compressões com duas mãos, profundidade de 5 cm, frequência de 100-120/min e relação 15:2. Esses valores estão alinhados com as diretrizes da AHA e da SBC para RCP pediátrica. A profundidade de 5 cm corresponde a 1/3 do diâmetro anteroposterior do tórax de uma criança, e a relação 15:2 é a recomendada quando há dois ou mais socorristas.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A alternativa C prioriza a ventilação com 1 a cada 3 segundos e compressões a 100/min, preparando o DEA. O erro está em priorizar a ventilação sobre as compressões. Embora a ventilação seja importante na PCR pediátrica, as compressões torácicas de alta qualidade são a prioridade. A recomendação de 1 ventilação a cada 2-3 segundos (20-30 ventilações/min) é para quando há via aérea avançada estabelecida, não para o início da RCP. Além disso, a alternativa não menciona a relação compressão-ventilação, que é fundamental.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A alternativa D sugere alternar entre os pediatras a cada minuto, com compressões usando dois dedos na metade inferior do esterno, profundidade de 4 cm, e ventilar 20-30 vezes por minuto. O erro está na técnica de compressão com dois dedos, que é indicada para lactentes (menores de 1 ano), não para crianças de 4 anos. Para crianças, a técnica correta é com uma ou duas mãos. Além disso, o rodízio de funções deve ocorrer a cada 2 minutos, não a cada minuto, e a profundidade de 4 cm é mais adequada para lactentes.