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Questão de Medicina — Pediatria e Neonatologia — VUNESP 2025

MedicinaPediatria e Neonatologia
Código
vu093516
Banca
VUNESP
Órgão
FAMEMA
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - Pré-Requisito em Pediatria
Adolescente, sexo masculino, com 16 anos, procura atendimento médico com queixas relacionadas ao seu desenvolvimento puberal. Ao exame, encontra-se no estadiamento 3, segundo os critérios de Tanner, para genital, e 2 para pelos pubianos. Os testículos são pequenos e endurecidos. A avaliação antropométrica revela estatura no escore-z +2,7 e envergadura maior do que a estatura em 3 cm.Com relação à principal hipótese diagnóstica, assinale a alternativa correta.
  1. ANão está indicada nenhum tipo de investigação, pois o paciente está com o desenvolvimento puberal habitual para idade.
  2. BUma das queixas mais comuns nessa doença costuma ser o comprometimento do olfato (anosmia ou hiposmia).
  3. CNessa doença, o padrão hormonal comumente esperado é de um hipogonadismo hipergonadotrófico.
  4. DO paciente geralmente apresenta inteligência superior à média, sem quaisquer dificuldades de aprendizado ou problemas pregressos de linguagem.
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GabaritoC — Nessa doença, o padrão hormonal comumente esperado é de um hipogonadismo hipergonadotrófico.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Hipogonadismo masculino: síndrome de Kallmann e o padrão hormonal

Gabarito: letra C. O quadro descrito — adolescente com estatura elevada (escore-z +2,7), envergadura maior que a estatura em 3 cm (proporções eunucoides), testículos pequenos e endurecidos e atraso puberal — é compatível com hipogonadismo hipogonadotrópico, cuja principal causa sindrômica é a síndrome de Kallmann. Nessa condição, o defeito está na migração dos neurônios produtores de GnRH, resultando em baixos níveis de gonadotrofinas (LH e FSH) e, consequentemente, de testosterona — ou seja, o padrão esperado é de hipogonadismo hipogonadotrópico (gonadotrofinas baixas), e não hipergonadotrófico. A alternativa C afirma exatamente o contrário, sendo, portanto, a incorreta pedida.

O hipogonadismo masculino é classificado conforme o nível do defeito no eixo hipotálamo-hipófise-gonadal. Quando a lesão está nos testículos (hipogonadismo primário ou hipergonadotrópico), a produção de testosterona cai, mas a hipófise responde aumentando LH e FSH — é o mecanismo de retroalimentação negativa: menos hormônio periférico, mais estímulo central. Já quando o defeito está no hipotálamo ou na hipófise (hipogonadismo hipogonadotrópico), as gonadotrofinas estão baixas ou inapropriadamente normais, e a testosterona também está baixa. A síndrome de Kallmann é um exemplo clássico do segundo grupo: há deficiência de GnRH por falha na migração dos neurônios do placódio olfatório para o hipotálamo, o que explica a associação com anosmia ou hiposmia.

O texto de apoio descreve com precisão essa fisiopatologia:

Conteúdo de apoio (fisiopatologia do hipogonadismo):

"A síndrome de Kallmann é uma forma de hipogonadismo hipogonadotrópico que está associada ao comprometimento da capacidade de discriminação de odores, seja incompleto (hiposmia), seja completo (anosmia). Essa síndrome resulta de defeito na migração dos neurônios de GnRH do placódio olfatório para o hipotálamo. Por conseguinte, representa uma deficiência de GnRH. Os pacientes permanecem em um estado pré-puberal, com pequenos testículos de consistência elástica e desenvolvem eunucoidismo."

A distinção entre os dois tipos de hipogonadismo é o coração da questão. No hipergonadotrópico (primário), o problema está na gônada: os testículos não respondem ao estímulo, então LH e FSH sobem. No hipogonadotrópico (secundário), o problema está no comando central: a hipófise ou o hipotálamo não produzem as gonadotrofinas, então LH e FSH ficam baixos. Na síndrome de Kallmann, especificamente, há deficiência de GnRH, o que torna o padrão hormonal esperado o de gonadotrofinas baixas — exatamente o oposto do que afirma a alternativa C.

A pegadinha da banca está em inverter o padrão hormonal: o candidato que memoriza que "hipogonadismo = testosterona baixa" pode não perceber que a classificação depende das gonadotrofinas. A alternativa C diz que o padrão é hipergonadotrófico, quando na verdade é hipogonadotrófico. É uma troca clássica de termo que exige conhecimento da fisiologia do eixo.

Para fixar, compare os dois padrões:

Critério

Hipogonadismo hipergonadotrópico (primário)

Hipogonadismo hipogonadotrópico (secundário)

Local do defeito

Testículos (gônadas)

Hipotálamo ou hipófise

LH e FSH

Elevados

Baixos ou inapropriadamente normais

Testosterona

Baixa

Baixa

Exemplo clássico

Síndrome de Klinefelter

Síndrome de Kallmann

Mecanismo

Falha na resposta gonadal ao estímulo

Falha na produção/liberação de gonadotrofinas

Guarde essa fronteira: é ela que separa as alternativas. A questão pede a incorreta, e a única que erra o padrão hormonal é a C.

Hipogonadismo masculino
  • 1Hipergonadotrópico (primário)
    • Defeito nos testículos
    • LH/FSH elevados
    • Ex.: Klinefelter
  • 2Hipogonadotrópico (secundário)
    • Defeito no hipotálamo/hipófise
    • LH/FSH baixos
    • Ex.: síndrome de Kallmann
      • anosmia/hiposmia
      • proporções eunucoides
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Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma que não está indicada nenhuma investigação, pois o desenvolvimento puberal é habitual. Isso é falso: o paciente tem 16 anos, está no estágio 3 de Tanner para genital e 2 para pelos pubianos, com testículos pequenos e endurecidos, estatura elevada e proporções eunucoides. Esse conjunto de achados não é habitual — há atraso puberal e sinais de hipogonadismo, o que exige investigação. A banca explora a ideia de que "cada um tem seu ritmo", mas aqui há dados objetivos que fogem do esperado.

Alternativa B — ✅ Correta

Afirma que uma das queixas mais comuns nessa doença é o comprometimento do olfato (anosmia ou hiposmia). Isso é verdadeiro para a síndrome de Kallmann: o defeito na migração dos neurônios de GnRH também afeta o bulbo olfatório, causando perda ou redução do olfato. É um achado clássico e um dos principais diferenciais clínicos da síndrome. A alternativa está correta e é uma das características mais cobradas da doença.

Alternativa C — ❌ Incorreta (gabarito)

Afirma que o padrão hormonal esperado é de hipogonadismo hipergonadotrófico. Isso é falso: na síndrome de Kallmann, o defeito está na produção de GnRH, então as gonadotrofinas (LH e FSH) estão baixas — caracterizando hipogonadismo hipogonadotrópico. A banca inverteu o termo: trocou "hipogonadotrópico" por "hipergonadotrópico". O padrão hipergonadotrópico seria esperado em lesões testiculares primárias, como na síndrome de Klinefelter, não na Kallmann.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Afirma que o paciente geralmente apresenta inteligência superior à média, sem dificuldades de aprendizado ou problemas pregressos de linguagem. Isso não é uma característica da síndrome de Kallmann. A síndrome pode estar associada a outras anomalias (como agenesia do corpo caloso, sincinesia, defeitos renais), mas não há relação com inteligência superior. A banca inventou uma associação que não existe na literatura. O paciente pode ter desenvolvimento neuropsicomotor normal, mas não há ganho cognitivo específico.

Gabarito: letra C — a única alternativa incorreta, pois inverte o padrão hormonal esperado na síndrome de Kallmann.

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