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Questão de Medicina — Pediatria e Neonatologia — VUNESP 2025

MedicinaPediatria e Neonatologia
Código
vu093522
Banca
VUNESP
Órgão
FAMEMA
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - Pré-Requisito em Pediatria
Escolar, sexo feminino, com 6 anos de idade, previamente hígido, com quadro de edema progressivo ao longo de 3 semanas, inicialmente percebido nas pálpebras ao acordar e evoluindo para um inchaço mais generalizado. Não há histórico de febre, lesões de pele, dor abdominal, alterações no padrão ou características urinárias, nem relatos de uso de antibióticos recentes. Há edema periorbital e em membros inferiores no exame físico. Os exames laboratoriais indicam proteinúria de > 40 mg/m² /hora, hipoalbuminemia, níveis séricos de C3 e C4 normais, colesterol total elevado e função renal preservada. A pressão arterial está normal para idade.Segundo as informações apresentadas, assinale a afirmativa correta sobre a principal hipótese diagnóstica para essa criança.
  1. AA biópsia renal é imperativa antes de qualquer intervenção terapêutica.
  2. BInvestigações adicionais, incluindo imunoglobulinas séricas e autoanticorpos, são necessárias antes de iniciar o tratamento.
  3. CO manejo inicial deve focar na correção nutricional e no controle do edema, evitando o uso de corticosteroides até que uma avaliação genética seja realizada.
  4. DO tratamento inicial deve incluir corticosteroides, com monitoramento rigoroso para possíveis efeitos adversos e exclusão de algumas infestações parasitárias.
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GabaritoD — O tratamento inicial deve incluir corticosteroides, com monitoramento rigoroso para possíveis efeitos adversos e exclusão de algumas infestações parasitárias.

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Síndrome Nefrótica na Infância: Diagnóstico e Manejo

Gabarito: letra D. A principal hipótese diagnóstica é a síndrome nefrótica idiopática (SNI), e o tratamento inicial padrão é a corticoterapia, com monitoramento de efeitos adversos e exclusão de infestações parasitárias, como a malária e a esquistossomose, que podem cursar com síndrome nefrótica secundária. As alternativas A, B e C contrariam as diretrizes atuais, que preconizam o início imediato do corticoide sem biópsia prévia na faixa etária típica (1-8 anos) e sem necessidade de investigação genética ou imunológica extensa antes do tratamento.

A síndrome nefrótica é uma glomerulopatia caracterizada pela tríade clássica: proteinúria maciça (> 40 mg/m²/hora ou relação proteína/creatinina > 2,0), hipoalbuminemia (< 2,5 g/dL) e edema. O colesterol elevado (hiperlipidemia) é um achado frequente, decorrente do estímulo hepático à síntese de lipoproteínas em resposta à hipoalbuminemia. Na criança, a causa mais comum é a doença de lesões mínimas (DLM), responsável por cerca de 80-90% dos casos na faixa etária de 1 a 8 anos. O quadro clínico típico é o descrito no enunciado: edema periorbital matinal progressivo, evoluindo para anasarca, sem hematúria, sem hipertensão e com função renal preservada. O complemento sérico (C3 e C4) está normal na DLM, o que ajuda a diferenciar de outras glomerulopatias, como a glomerulonefrite pós-estreptocócica (C3 baixo) e a nefrite lúpica (C3 e C4 baixos).

O tratamento de primeira linha da SNI na infância é a prednisona ou prednisolona oral, na dose de 2 mg/kg/dia (máximo 60 mg/dia) por 4 a 6 semanas, seguida de redução gradual (1,5 mg/kg em dias alternados por 4-6 semanas). A resposta à corticoterapia é um dos principais fatores prognósticos: cerca de 90% das crianças com DLM respondem ao corticoide. O monitoramento rigoroso dos efeitos adversos é essencial, incluindo hipertensão, hiperglicemia, ganho de peso, catarata, supressão adrenal e maior susceptibilidade a infecções. Além disso, antes de iniciar o corticoide, é prudente excluir infestações parasitárias, como malária e esquistossomose, que podem causar síndrome nefrótica secundária e que podem ser agravadas pela imunossupressão. Em áreas endêmicas, a pesquisa de parasitos em fezes e a sorologia para malária são recomendadas.

A biópsia renal não é indicada de rotina antes do tratamento na faixa etária típica (1-8 anos) com apresentação clássica. Ela é reservada para casos atípicos, como: idade < 1 ano ou > 12 anos, hematúria macroscópica, hipertensão arterial, hipocomplementemia, insuficiência renal sem causa aparente, ou ausência de resposta ao corticoide após 4-6 semanas de tratamento. A investigação genética é indicada apenas em casos de síndrome nefrótica congênita (primeiros 3 meses de vida) ou resistente ao tratamento, não sendo necessária antes do início da terapia. A avaliação de imunoglobulinas e autoanticorpos é útil em casos suspeitos de lúpus ou outras doenças autoimunes, mas não é rotina na apresentação clássica da SNI.

A pegadinha desta questão está em associar a necessidade de exames complementares ou biópsia antes do tratamento, quando na verdade o diagnóstico é eminentemente clínico-laboratorial e o tratamento deve ser iniciado prontamente. A banca explora o receio do candidato de iniciar corticoide sem uma confirmação histológica, mas as diretrizes pediátricas são claras: na faixa etária típica, com quadro clássico, o corticoide é o primeiro passo, e a biópsia fica reservada para os casos de falha terapêutica ou apresentação atípica.

Critério

Síndrome Nefrótica Idiopática (SNI)

Conduta correta (Gabarito D)

Diagnóstico

Clínico-laboratorial (proteinúria > 40 mg/m²/h, hipoalbuminemia, edema, C3/C4 normais)

Início imediato do tratamento, sem necessidade de biópsia prévia na faixa etária típica (1-8 anos)

Tratamento de primeira linha

Corticoterapia oral (prednisona/prednisolona)

Corticosteroides com monitoramento rigoroso de efeitos adversos

Investigações prévias

Não são obrigatórias (imunoglobulinas, autoanticorpos, genética)

Exclusão de infestações parasitárias (malária, esquistossomose) antes do corticoide

Biópsia renal

Reservada para casos atípicos ou resistência ao tratamento

Não é imperativa antes da intervenção terapêutica

Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma que a biópsia renal é imperativa antes de qualquer intervenção terapêutica. Isso é falso: na faixa etária de 1 a 8 anos, com quadro clássico de SNI (proteinúria nefrótica, hipoalbuminemia, edema, complemento normal), a biópsia não é indicada de rotina antes do tratamento. A conduta é iniciar corticoterapia empírica e reservar a biópsia para casos de resistência ao corticoide, recidivas frequentes ou apresentações atípicas (idade extrema, hematúria, hipertensão, hipocomplementemia). A biópsia precoce atrasaria o tratamento e exporia a criança a um procedimento invasivo desnecessário.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Afirma que investigações adicionais, incluindo imunoglobulinas séricas e autoanticorpos, são necessárias antes de iniciar o tratamento. Na apresentação clássica da SNI na infância, esses exames não são obrigatórios antes da corticoterapia. A dosagem de imunoglobulinas e autoanticorpos é reservada para casos suspeitos de doenças autoimunes (como lúpus eritematoso sistêmico) ou imunodeficiências, que cursam com outras manifestações clínicas. O diagnóstico de SNI é clínico-laboratorial, e o tratamento deve ser iniciado prontamente para evitar complicações do edema e da proteinúria.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Afirma que o manejo inicial deve focar na correção nutricional e no controle do edema, evitando o uso de corticosteroides até que uma avaliação genética seja realizada. Isso está errado: o tratamento de primeira linha da SNI é a corticoterapia, e a avaliação genética é indicada apenas em casos específicos (síndrome nefrótica congênita, resistência ao tratamento), não sendo um pré-requisito para iniciar o corticoide. Embora a correção nutricional (dieta hipossódica, restrição hídrica) e o controle do edema (repouso, diuréticos em casos selecionados) sejam medidas adjuvantes importantes, elas não substituem o tratamento específico com corticoide, que é essencial para induzir a remissão da proteinúria.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Esta é a conduta correta. O tratamento inicial da síndrome nefrótica idiopática na infância é a corticoterapia oral (prednisona ou prednisolona), com monitoramento rigoroso dos efeitos adversos (hipertensão, hiperglicemia, ganho de peso, supressão adrenal, maior risco de infecções). Além disso, é prudente excluir infestações parasitárias (como malária e esquistossomose) antes de iniciar o corticoide, pois essas condições podem causar síndrome nefrótica secundária e podem ser agravadas pela imunossupressão. Em áreas endêmicas, a pesquisa de parasitos é recomendada. A alternativa espelha exatamente a conduta preconizada pelas diretrizes de nefrologia pediátrica.

Gabarito: letra D

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