Questão de Medicina — Pediatria e Neonatologia — VUNESP 2025
Medicina›Pediatria e Neonatologia
Código
vu093540
Banca
VUNESP
Órgão
FAMEMA
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - Pré-Requisito em Pediatria
O Brasil, em alinhamento com a estratégia global de erradicação da poliomielite, realizou uma importante mudança em seu calendário vacinal a partir de 2025, suspendendo o uso da vacina oral para poliomielite (VOP) na rotina e passando a utilizar exclusivamente a vacina inativada poliomielite (VIP) para o esquema primário e reforços.Qual o principal motivo para essa transição?
AAumento da incidência de poliomielite selvagem no Brasil, exigindo uma vacina mais potente.
BMaior eficácia da VIP na prevenção da transmissão intestinal do poliovírus.
CEliminar o risco de paralisia flácida associada à vacina e à circulação de poliovírus derivados da vacina.
DDificuldade logística na manutenção da cadeia de frio para a VOP em todo o território nacional.
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GabaritoC — Eliminar o risco de paralisia flácida associada à vacina e à circulação de poliovírus derivados da vacina.
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Transição da VOP para a VIP no calendário vacinal brasileiro
Gabarito: letra C. O principal motivo para a suspensão da vacina oral contra a poliomielite (VOP) na rotina e a adoção exclusiva da vacina inativada (VIP) é eliminar o risco de paralisia flácida associada à vacina e a circulação de poliovírus derivados da vacina — um risco inerente às vacinas de vírus vivo atenuado, como a VOP, que podem sofrer mutação e reverter à neurovirulência. Essa mudança está alinhada à estratégia global de erradicação da poliomielite, que prevê a substituição gradual da VOP pela VIP após a eliminação da transmissão do poliovírus selvagem.
A poliomielite é uma doença viral altamente contagiosa que pode causar paralisia flácida aguda. Historicamente, duas vacinas foram fundamentais no combate à doença: a VIP (vacina inativada, tipo Salk), que contém o vírus inativado (morto) e é administrada por via injetável, e a VOP (vacina oral, tipo Sabin), que contém o vírus vivo atenuado e é administrada por via oral. A VOP tem a vantagem de induzir imunidade intestinal (mucosa), o que interrompe a transmissão do vírus selvagem de forma mais eficaz, e é de fácil administração. No entanto, por ser uma vacina de vírus vivo, a VOP apresenta um risco raro, porém real, de causar a própria doença: o vírus atenuado pode sofrer mutações durante a replicação no intestino da pessoa vacinada e reverter à forma neurovirulenta, causando a paralisia flácida associada à vacina (PAV). Além disso, o vírus excretado nas fezes pode circular na comunidade e, em áreas com baixa cobertura vacinal, sofrer mutações adicionais, originando os poliovírus derivados da vacina (PVDV), que também podem causar surtos de paralisia.
A estratégia global de erradicação da poliomielite, coordenada pela OMS, prevê que, uma vez eliminada a transmissão do poliovírus selvagem, o uso da VOP deve ser descontinuado, pois o risco de PAV e PVDV passa a superar o benefício da imunidade intestinal. O Brasil, que não registra casos de poliomielite selvagem há décadas, alinhou-se a essa estratégia e, a partir de 2025, passou a utilizar exclusivamente a VIP no esquema primário (2, 4 e 6 meses) e nos reforços (15 meses e 4-6 anos). A VIP, por ser inativada, não apresenta risco de PAV nem de PVDV, sendo segura inclusive para imunocomprometidos. A tabela abaixo resume as principais diferenças entre as duas vacinas:
Característica
VIP (Salk)
VOP (Sabin)
Tipo de vírus
Inativado (morto)
Vivo atenuado
Via de administração
Injetável (IM)
Oral
Imunidade humoral (sistêmica)
Sim
Sim
Imunidade intestinal (mucosa)
Não (ou baixa)
Sim
Risco de paralisia associada à vacina (PAV)
Não
Sim (raro)
Risco de poliovírus derivado da vacina (PVDV)
Não
Sim
Uso em imunocomprometidos
Segura
Contraindicada
Custo
Mais alto
Mais baixo
A pegadinha da questão está em distinguir o motivo principal da transição. A alternativa B menciona a "maior eficácia da VIP na prevenção da transmissão intestinal", o que é um erro conceitual: a VIP é menos eficaz que a VOP na imunidade intestinal. A alternativa A fala em "aumento da incidência de poliomielite selvagem", o que é falso, pois o Brasil está livre da doença. A alternativa D menciona "dificuldade logística na cadeia de frio", mas a VIP, por ser injetável, na verdade exige mais cuidados com a cadeia de frio do que a VOP, que é mais estável. Portanto, a única alternativa que apresenta o motivo correto e central é a C.
Vacinas contra poliomielite: VIP (Salk) (Vírus inativado, Via injetável, Sem risco de PAV/PVDV, Segura p/ imunocomprometidos); VOP (Sabin) (Vírus vivo atenuado, Via oral, Risco de PAV, Risco de PVDV); Motivo da transição (Eliminar PAV e PVDV, Estratégia global de erradicação)
Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que a transição se deve ao aumento da incidência de poliomielite selvagem no Brasil, exigindo uma vacina mais potente. Isso é falso: o Brasil não registra casos de poliomielite selvagem há décadas e a VIP não é "mais potente" que a VOP em termos de imunidade intestinal. A transição ocorre justamente porque a doença selvagem foi eliminada, tornando o risco da VOP (PAV e PVDV) desproporcional.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Afirma que a VIP tem maior eficácia na prevenção da transmissão intestinal do poliovírus. Isso é um erro conceitual: a VOP é superior à VIP na indução de imunidade intestinal (mucosa), que é o que bloqueia a transmissão do vírus. A VIP confere principalmente imunidade humoral (sistêmica), mas não impede tão eficazmente a replicação intestinal do vírus. Portanto, a VIP não é mais eficaz nesse aspecto; pelo contrário, é menos eficaz.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Esta é a alternativa correta. O principal motivo para a transição da VOP para a VIP é eliminar o risco de paralisia flácida associada à vacina (PAV) e a circulação de poliovírus derivados da vacina (PVDV). A VOP, por ser uma vacina de vírus vivo atenuado, pode sofrer mutações e reverter à neurovirulência, causando paralisia no vacinado ou em contatos, e o vírus excretado pode circular e gerar surtos. A VIP, por ser inativada, não apresenta esses riscos. Essa é a razão central da estratégia global de erradicação da poliomielite, que preconiza a substituição da VOP pela VIP após a eliminação do vírus selvagem.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Afirma que a transição se deve à dificuldade logística na manutenção da cadeia de frio para a VOP. Isso é incorreto e até contraintuitivo: a VOP é mais estável e menos sensível à temperatura do que a VIP, que é injetável e exige armazenamento refrigerado. A VIP, portanto, apresenta maiores desafios logísticos de cadeia de frio, não menores. A dificuldade logística não é o motivo da transição.
Gabarito: letra C — a transição da VOP para a VIP visa eliminar o risco de paralisia flácida associada à vacina e a circulação de poliovírus derivados da vacina.