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Questão de Medicina — Clínica Médica Humana — VUNESP 2025

MedicinaClínica Médica Humana
Código
vu093628
Banca
VUNESP
Órgão
FAMEMA
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - Áreas Básicas e Acesso Direto
Assinale a alternativa correta em relação à hipertensão arterial sistêmica (HAS).
  1. ASomente os pacientes com HAS crônica têm crises hipertensivas.
  2. BA crise hipertensiva é sempre sintomática e por isso fácil de ser diagnosticada pela Atenção Primária da Saúde (APS) ou serviços de emergência.
  3. CA crise hipertensiva está associada a infarto do miocárdio, acidente vascular encefálico isquêmico ou hemorrágico e síndromes aórticas.
  4. DApenas medições repetidas da pressão arterial podem descartar a hipertensão do avental branco.
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GabaritoC — A crise hipertensiva está associada a infarto do miocárdio, acidente vascular encefálico isquêmico ou hemorrágico e síndromes aórticas.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Crise hipertensiva: definição, classificação e lesão de órgão-alvo

Gabarito: letra C. A crise hipertensiva, especialmente na forma de emergência hipertensiva, está diretamente associada a lesões agudas e progressivas de órgãos-alvo, como infarto do miocárdio, acidente vascular encefálico (isquêmico ou hemorrágico) e síndromes aórticas (dissecção de aorta). As demais alternativas contêm erros conceituais: a crise não ocorre apenas em pacientes com HAS crônica, não é sempre sintomática e a hipertensão do avental branco não é descartada apenas por medições repetidas.

A crise hipertensiva é definida como uma elevação acentuada e abrupta da pressão arterial, arbitrariamente considerada quando a pressão arterial sistólica é igual ou superior a 180 mmHg ou a diastólica igual ou superior a 120 mmHg. O ponto central para o diagnóstico e manejo é a presença ou ausência de lesão aguda e progressiva de órgão-alvo, que divide a crise em dois grandes grupos: emergência hipertensiva e urgência hipertensiva.

A emergência hipertensiva é a situação de maior gravidade, caracterizada pela elevação pressórica acompanhada de lesão aguda e progressiva de órgão-alvo, com risco iminente de morte. As principais formas de lesão incluem encefalopatia hipertensiva, infarto agudo do miocárdio, acidente vascular encefálico isquêmico ou hemorrágico, dissecção de aorta, edema agudo de pulmão, insuficiência renal aguda e pré-eclâmpsia/eclâmpsia. Já a urgência hipertensiva é a elevação pressórica sem lesão aguda de órgão-alvo, na maioria das vezes em pacientes assintomáticos ou com sintomas inespecíficos, como cefaleia, epistaxe e palpitações.

Um ponto que merece destaque é que a emergência hipertensiva pode ocorrer em pacientes com ou sem diagnóstico prévio de HAS, e mesmo com níveis pressóricos abaixo do limiar arbitrário de 180/120 mmHg, dependendo do contexto clínico. Por outro lado, a urgência hipertensiva é mais frequente em pacientes com HAS crônica inadequadamente tratada ou sem adesão ao tratamento. A distinção entre urgência e emergência é fundamental porque muda completamente a conduta: na emergência, o paciente deve ser tratado em ambiente hospitalar com anti-hipertensivos intravenosos e redução controlada da PA; na urgência, o manejo pode ser feito com medicação oral e acompanhamento ambulatorial.

A banca explora aqui a confusão entre os conceitos de crise hipertensiva, urgência e emergência, e entre as características clínicas de cada uma. O candidato que não domina a diferença entre "lesão de órgão-alvo presente" (emergência) e "ausente" (urgência) tende a marcar alternativas que generalizam ou simplificam demais o quadro. Guarde o critério decisivo: a presença de lesão aguda de órgão-alvo é o que define a emergência hipertensiva e é exatamente isso que a alternativa C descreve.

Tipo de Crise Hipertensiva

Característica Principal

Exemplos de Lesão/Quadro Clínico

Conduta

Emergência Hipertensiva

PA elevada (≥180/120 mmHg) com lesão aguda e progressiva de órgão-alvo

Infarto agudo do miocárdio, AVC isquêmico/hemorrágico, dissecção de aorta, encefalopatia hipertensiva, edema agudo de pulmão, insuficiência renal aguda, pré-eclâmpsia/eclâmpsia

Hospitalar, com anti-hipertensivos intravenosos e redução controlada da PA

Urgência Hipertensiva

PA elevada (≥180/120 mmHg) sem lesão aguda de órgão-alvo

Assintomático ou sintomas inespecíficos (cefaleia, epistaxe, palpitações)

Ambulatorial, com medicação oral e acompanhamento

Crise hipertensiva
  • 1Emergência (com lesão de órgão-alvo)
    • Infarto agudo do miocárdio
    • AVC isquêmico ou hemorrágico
    • Dissecção de aorta
    • Encefalopatia hipertensiva
    • Edema agudo de pulmão
  • 2Urgência (sem lesão de órgão-alvo)
    • Assintomática ou sintomas inespecíficos
    • Manejo oral ambulatorial
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Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma que somente pacientes com HAS crônica têm crises hipertensivas. Isso é falso: a emergência hipertensiva pode ocorrer em pacientes sem diagnóstico prévio de HAS, inclusive como primeira manifestação da doença. Além disso, condições como pré-eclâmpsia e feocromocitoma podem cursar com crise hipertensiva em pacientes previamente normotensos. O erro está na palavra "somente", que exclui indevidamente os pacientes sem HAS prévia.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Afirma que a crise hipertensiva é sempre sintomática e fácil de diagnosticar. Isso é duplamente errado. Primeiro, a urgência hipertensiva é, na maioria dos casos, assintomática — muitos pacientes só descobrem a elevação pressórica em uma medição de rotina. Segundo, mesmo quando há sintomas, eles são inespecíficos (cefaleia, tontura, epistaxe) e não permitem distinguir com segurança uma urgência de uma emergência, sendo necessária a investigação de lesão de órgão-alvo. O diagnóstico não é "fácil" apenas pela clínica; exige avaliação dirigida.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa está correta ao afirmar que a crise hipertensiva está associada a infarto do miocárdio, acidente vascular encefálico isquêmico ou hemorrágico e síndromes aórticas. Essas são exatamente as principais formas de lesão aguda de órgão-alvo que caracterizam a emergência hipertensiva. A elevação abrupta da PA provoca estresse mecânico vascular e lesão endotelial, desencadeando isquemia tecidual e podendo levar a essas complicações graves. A dissecção de aorta, em particular, é uma síndrome aórtica que exige reconhecimento imediato, pois o atraso no tratamento é fatal.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Afirma que apenas medições repetidas da pressão arterial podem descartar a hipertensão do avental branco. Isso é incorreto porque existem outros métodos para esse fim, como a monitorização ambulatorial da pressão arterial (MAPA) e a monitorização residencial da pressão arterial (MRPA), que são considerados padrão-ouro para o diagnóstico. Além disso, a simples repetição da medida em consultório pode não ser suficiente, pois o efeito do avental branco pode persistir em múltiplas medições. O erro está na palavra "apenas", que exclui métodos igualmente válidos e até superiores.

Gabarito: letra C — a crise hipertensiva, na forma de emergência, está associada a infarto do miocárdio, AVC isquêmico ou hemorrágico e síndromes aórticas, que são lesões agudas de órgão-alvo.

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