Questão de Medicina — Ginecologia e Obstetrícia — VUNESP 2025
Medicina›Ginecologia e Obstetrícia
Código
vu093631
Banca
VUNESP
Órgão
FAMEMA
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - Áreas Básicas e Acesso Direto
Uma complicação clínica muito frequente na gestação é a infecção do trato urinário.Em relação a essa morbidade, assinale a alternativa correta.
ABacteriúria assintomática em gestantes não precisa ser tratada.
BBacteriúria assintomática em gestantes pode evoluir para pielonefrite.
CNa gestação, urina 1 com mais de 100 mil leucócitos deve ser tratada com antibioticoterapia endovenosa.
DA pielonefrite na gestação é mais comum à esquerda.
Revelar gabarito e comentário▾
GabaritoB — Bacteriúria assintomática em gestantes pode evoluir para pielonefrite.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Infecção do trato urinário na gestação: bacteriúria assintomática e pielonefrite
Gabarito: letra B. A bacteriúria assintomática em gestantes, se não tratada, pode evoluir para pielonefrite aguda — exatamente o que a alternativa B afirma. Essa é a razão central do rastreamento e tratamento obrigatórios dessa condição no pré-natal, conforme as diretrizes de Ginecologia e Obstetrícia.
A infecção do trato urinário (ITU) é uma das complicações clínicas mais frequentes na gestação, e a bacteriúria assintomática é a sua forma mais comum. Ela é definida pela presença de urocultura positiva (≥ 100.000 colônias/mL) em uma gestante sem sintomas urinários. O que torna essa condição tão relevante no pré-natal é justamente o risco de progressão: entre as gestantes com bacteriúria assintomática não tratadas, 30 a 40% desenvolvem ITU sintomática e 25 a 50% podem evoluir para pielonefrite aguda. Por isso, o rastreamento na primeira consulta e o tratamento das gestantes com cultura positiva são plenamente justificados, reduzindo o risco de pielonefrite em cerca de 76% (NNT = 6-9), além de diminuir partos pré-termo e baixo peso ao nascer.
A fisiopatologia dessa suscetibilidade aumentada envolve fatores que, em conjunto, tornam a gestante mais vulnerável às infecções urinárias altas: a estase urinária provocada pela ação miorrelaxante da progesterona e pela compressão mecânica do útero sobre os ureteres; as alterações físico-químicas da urina, como aumento de glicose, aminoácidos e vitaminas, que favorecem o crescimento bacteriano; a imunidade celular diminuída; e o refluxo vesicoureteral, considerado o principal fator. Em 80 a 90% dos casos, a bactéria envolvida é a Escherichia coli.
O tratamento da bacteriúria assintomática na gestação é uma exceção importante à regra geral. Em pacientes não gestantes, a bacteriúria assintomática em geral não deve ser tratada, exceto em situações específicas. Na gestação, porém, o benefício do tratamento está bem documentado, e as principais opções incluem nitrofurantoína, cefalexina, amoxicilina e fosfomicina, com cursos curtos de 5 dias e repetição da urocultura 7 dias após o término do medicamento. A escolha do antimicrobiano deve ser baseada no antibiograma e na segurança do uso na gestação.
A pielonefrite aguda, por sua vez, é a complicação mais temida da ITU na gestação, com morbidades materna e perinatal significativas e forte relação com prematuridade. O tratamento da pielonefrite na gestação geralmente requer internação e antibioticoterapia parenteral, diferentemente da cistite, que pode ser tratada por via oral. A lateralidade da pielonefrite na gestação é um ponto clássico: ela é mais comum à direita, devido à dextrorrotação do útero gravídico e à consequente compressão mais acentuada do ureter direito.
Guarde a fronteira entre bacteriúria assintomática (tratada na gestação, mas não na população geral) e pielonefrite (complicação que a bacteriúria não tratada pode causar, e que é mais comum à direita): é exatamente nesses pontos que as alternativas se dividem.
ITU na gestação
1Bacteriúria assintomática
Diagnóstico: urocultura ≥ 100.000 colônias/mL
Tratamento obrigatório (via oral)
Sem tratamento → pielonefrite (25–50%)
2Pielonefrite aguda
Tratamento: internação + via parenteral
Lateralidade: mais comum à direita
3Fatores de risco
Estase urinária (progesterona + útero)
Refluxo vesicoureteral
Imunidade diminuída
LEVEL · soulevel.com.br
Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que a bacteriúria assintomática em gestantes não precisa ser tratada. Isso contraria frontalmente as diretrizes: na gestação, o tratamento é obrigatório, pois reduz o risco de pielonefrite, parto pré-termo e baixo peso ao nascer. A regra de não tratar bacteriúria assintomática vale para a população geral, mas a gestação é uma das exceções explícitas — junto com neutropênicos, pacientes com transplante de órgãos sólidos e pré-operatório de cirurgias urológicas.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A bacteriúria assintomática em gestantes pode, de fato, evoluir para pielonefrite. Entre as gestantes com bacteriúria assintomática não tratadas, 25 a 50% podem apresentar pielonefrite aguda. Esse é o fundamento do rastreamento e tratamento obrigatórios no pré-natal, e o tratamento reduz o risco de pielonefrite em cerca de 76% (NNT = 6-9).
Alternativa C — ❌ Incorreta
Afirma que, na gestação, urina 1 com mais de 100 mil leucócitos deve ser tratada com antibioticoterapia endovenosa. Há dois erros: (1) o diagnóstico de bacteriúria assintomática é feito pela urocultura (≥ 100.000 colônias/mL), não pela contagem de leucócitos na urina 1; (2) a bacteriúria assintomática, mesmo na gestação, é tratada por via oral (nitrofurantoína, cefalexina, amoxicilina ou fosfomicina), não endovenosa. A antibioticoterapia endovenosa é reservada para pielonefrite aguda ou ITU complicada com quadro grave.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Afirma que a pielonefrite na gestação é mais comum à esquerda. O correto é o oposto: a pielonefrite na gestação é mais comum à direita, devido à dextrorrotação do útero gravídico, que comprime mais o ureter direito, favorecendo a estase urinária e a ascensão bacteriana. A banca inverteu a lateralidade clássica.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora duas inversões clássicas neste tema. Na alternativa A, inverte a regra geral (não tratar bacteriúria assintomática) com a exceção gestacional (tratar sempre). Na alternativa D, inverte a lateralidade da pielonefrite na gestação (direita, não esquerda). Fique atento: quando a questão falar de gestante, a bacteriúria assintomática SEMPRE deve ser tratada — e a pielonefrite é mais comum à direita. Com treino, você enxerga essas trocas de longe 💪