Pré-escolar, sexo feminino, 3 anos de idade, apresenta lesões eczematosas pruriginosas desde os 6 meses de vida, que geralmente pioram na época do inverno. Nas últimas duas semanas, surgiram pápulas eritematosas exsudativas com crostas melicéricas em fossas cubitais e poplíteas. Mãe relata prurido intenso, que piora após banho quente.Ao exame clínico, apresenta áreas de liquenificação, escoriações e crostas amareladas em membros superiores e inferiores.Com base no diagnóstico mais provável, a conduta adequada é
Aintensificar hidratação da pele e iniciar antibiótico tópico associado a corticoide tópico de baixa potência.
Bexcluir leite e derivados da dieta, iniciar corticoide oral e anti-histamínico oral por 7 dias.
Cintensificar banhos com sabonete bactericida, iniciar tratamento com tacrolimo ou pimecrolimo tópicos.
Dusar antifúngico tópico e evitar hidratantes tópicos até regressão completa das lesões.
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GabaritoA — intensificar hidratação da pele e iniciar antibiótico tópico associado a corticoide tópico de baixa potência.
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Dermatite atópica impetiginizada em pré-escolar
Gabarito: letra A. O caso descreve uma pré-escolar com dermatite atópica (DA) desde os 6 meses, com piora no inverno e prurido intenso, que agora apresenta pápulas eritematosas exsudativas com crostas melicéricas em fossas cubitais e poplíteas — quadro clássico de impetiginização (infecção bacteriana secundária, geralmente por Staphylococcus aureus) sobre a DA. A conduta adequada é intensificar a hidratação da pele e iniciar antibiótico tópico associado a corticoide tópico de baixa potência, conforme o manejo da DA exacerbada e infectada.
A dermatite atópica é uma dermatose inflamatória crônica e recidivante, caracterizada por prurido intenso, xerose e lesões eczematosas que variam com a idade. Na infância/adolescência (2–16 anos), o eczema torna-se mais localizado e crônico, com predileção por superfícies flexoras — exatamente o que se observa na paciente (fossas cubitais e poplíteas). O diagnóstico é essencialmente clínico, baseado na história, morfologia e distribuição das lesões, e a paciente preenche critérios clássicos de Hanifin e Rajka: prurido, morfologia típica em flexuras, dermatite crônica recidivante e início precoce.
O ponto central desta questão é o surgimento de crostas melicéricas — sinal patognomônico de infecção bacteriana secundária (impetiginização), quase sempre por S. aureus. A pele do paciente atópico tem barreira cutânea comprometida (por defeitos na filagrina e redução de ceramidas), o que aumenta a suscetibilidade a infecções. O prurido intenso leva a escoriações, que facilitam a penetração bacteriana e perpetuam o ciclo coçar-inflamar-infectar. Por isso, o tratamento da DA exacerbada e infectada combina: (1) hidratação intensiva para restaurar a barreira cutânea; (2) antibiótico tópico (como mupirocina ou ácido fusídico) para tratar a infecção bacteriana; e (3) corticoide tópico de baixa potência para controlar a inflamação e o prurido, sem os riscos de atrofia cutânea em áreas de pele fina (flexuras) de uma criança.
A alternativa B propõe excluir leite e derivados da dieta e usar corticoide oral. Embora a alergia alimentar possa ser um fator desencadeante em alguns casos de DA, a exclusão dietética empírica não é recomendada como primeira linha — deve ser guiada por história clínica e testes específicos. Além disso, corticoide oral não é indicado para DA leve a moderada, reservado para casos graves e refratários. A alternativa C sugere banhos com sabonete bactericida e imunomoduladores tópicos (tacrolimo/pimecrolimo). Sabonetes bactericidas são irritantes e pioram a xerose; imunomoduladores tópicos são opção para DA moderada a grave refratária a corticoide, não para primeira linha em caso de infecção ativa. A alternativa D propõe antifúngico tópico e evitar hidratantes — não há indicação de infecção fúngica (as crostas melicéricas indicam bactéria), e evitar hidratantes é contraproducente, pois a hidratação é a base do tratamento da DA.
Guarde a distinção crucial: crosta melicérica = infecção bacteriana (impetiginização) → antibiótico + corticoide + hidratação. É exatamente esse raciocínio que separa a alternativa correta das demais.
Dermatite atópica impetiginizada
1Sinais-chave
Crostas melicéricas (bactéria)
Prurido intenso
Lesões em flexuras
2Conduta (letra A)
Hidratação intensiva
Antibiótico tópico
Corticoide tópico de baixa potência
3Distratores
Exclusão dietética empírica
Corticoide oral (casos graves)
Sabonete bactericida (irritante)
Imunomodulador tópico (2ª linha)
Antifúngico (sem indicação)
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A conduta combina os três pilares do manejo da DA impetiginizada: intensificar hidratação (restaura a barreira cutânea, reduz xerose e prurido), antibiótico tópico (trata a infecção bacteriana evidenciada pelas crostas melicéricas, geralmente por S. aureus) e corticoide tópico de baixa potência (controla a inflamação e o prurido, com segurança em áreas de flexura de criança). Essa abordagem é a recomendada para exacerbação de DA com infecção secundária localizada.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Propõe excluir leite e derivados da dieta e usar corticoide oral. A exclusão dietética empírica não é recomendada como primeira linha — deve ser baseada em história clínica e testes específicos (como TCLI). Além disso, corticoide oral é reservado para casos graves e refratários, não para DA leve a moderada com impetiginização localizada. O erro está em tratar a alergia alimentar como causa principal e usar terapia sistêmica desnecessária.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Sugere banhos com sabonete bactericida e tacrolimo/pimecrolimo tópicos. Sabonetes bactericidas são irritantes e pioram a xerose e o prurido — o recomendado são sabonetes brandos. Imunomoduladores tópicos são opção para DA moderada a grave refratária a corticoide, não para primeira linha, especialmente com infecção ativa (há risco de maior absorção e não são aprovados para uso em pele infectada). O erro está em usar terapia de segunda linha e medidas que agravam a barreira cutânea.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Propõe antifúngico tópico e evitar hidratantes. Não há indicação de infecção fúngica — as crostas melicéricas indicam infecção bacteriana (impetiginização). Evitar hidratantes é contraproducente, pois a hidratação é a base do tratamento da DA, essencial para restaurar a barreira cutânea e reduzir o prurido. O erro está em tratar uma etiologia incorreta e omitir a terapia fundamental.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre crosta melicérica (bactéria) e outras etiologias. O candidato pode pensar em alergia alimentar (B), dermatite de contato ou eczema disidrótico, mas a presença de crostas amareladas e exsudativas é o sinal-chave de impetiginização por S. aureus. Reconhecer esse sinal direciona diretamente para antibiótico tópico + corticoide + hidratação.
PEGA ESSA DICA!
Na DA, a crosta melicérica é o gatilho para pensar em infecção bacteriana secundária. Na prova, ao ver esse sinal, associe imediatamente a conduta: hidratação + antibiótico tópico + corticoide tópico de baixa potência. Lembre-se: sabonetes bactericidas e antifúngicos são distratores — o tratamento da DA impetiginizada é específico para bactéria.