Distúrbios eletrolíticos: hiponatremia, hipercalemia, hipocalcemia e hipernatremia
Gabarito: letra A. A hiponatremia hipervolêmica é classicamente associada a estados de edema como insuficiência cardíaca, cirrose e síndrome nefrótica, nos quais há retenção de água e sódio com expansão do volume extracelular, mas com volume arterial efetivo reduzido. As demais alternativas apresentam erros conceituais: a hipercalemia pode causar alterações no ECG mesmo com níveis menores que 8,0 mEq/L; a hipocalcemia cursa com prolongamento do intervalo QT, não com ondas T apiculadas (que são típicas da hipercalemia); e a hipernatremia pode decorrer de perdas extrarrenais de água, não apenas renais.
A hiponatremia é definida como sódio sérico < 135 mEq/L e é classificada conforme o estado volêmico do paciente. Na hiponatremia hipervolêmica, há excesso de água corporal total e de sódio, mas o volume arterial efetivo está reduzido, o que estimula a secreção de hormônio antidiurético (ADH) e a retenção renal de água. Isso ocorre na insuficiência cardíaca (devido ao baixo débito cardíaco), na cirrose (por vasodilatação esplâncnica) e na síndrome nefrótica (por hipoalbuminemia e redução da pressão oncótica). O tratamento envolve restrição hídrica e manejo da doença de base.
A hipercalemia (K+ > 5,5 mEq/L) é um distúrbio potencialmente fatal. As alterações eletrocardiográficas clássicas incluem ondas T apiculadas, prolongamento do intervalo PR, alargamento do QRS e, em casos graves, padrão sinusal ou fibrilação ventricular. Essas alterações podem surgir com níveis de potássio a partir de 6,0 mEq/L, e a correlação entre a gravidade do distúrbio e o ECG é pobre — muitos pacientes com K+ < 6,8 mEq/L já apresentam anormalidades. Portanto, a afirmação de que "nunca causa alterações antes de 8,0 mEq/L" é falsa.
A hipocalcemia (cálcio sérico < 8,5 mg/dL) manifesta-se no ECG com prolongamento do intervalo QT, devido ao atraso na repolarização ventricular. As ondas T apiculadas são características da hipercalemia, não da hipocalcemia. Já a hipernatremia (Na+ > 145 mEq/L) pode ser hipovolêmica (perda de água e sódio, com maior perda de água), euvolêmica (perda de água livre, como no diabetes insipidus) ou hipervolêmica (sobrecarga de sódio). As perdas extrarrenais, como diarreia e sudorese, também podem causar hipernatremia, contrariando a afirmação de que ela "sempre" decorre de perda renal.
A pegadinha central desta questão é a associação incorreta entre distúrbios eletrolíticos e suas manifestações eletrocardiográficas. O candidato deve memorizar que ondas T apiculadas = hipercalemia, enquanto QT prolongado = hipocalcemia. Além disso, é preciso lembrar que a hipernatremia não é exclusivamente renal.
Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A hiponatremia hipervolêmica é típica de condições com edema e retenção de sódio e água, como insuficiência cardíaca, cirrose e síndrome nefrótica. Nesses casos, o volume arterial efetivo está reduzido, ativando mecanismos neuro-humorais que aumentam a secreção de ADH e a reabsorção renal de água, diluindo o sódio sérico. A alternativa está correta e reflete a classificação clássica da hiponatremia conforme o estado volêmico.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A hipercalemia pode causar alterações no ECG com níveis bem menores que 8,0 mEq/L. Ondas T apiculadas, por exemplo, são frequentemente observadas com K+ entre 6,0 e 6,5 mEq/L. O erro está no termo "nunca" e no limiar de 8,0 mEq/L, que é excessivamente alto. A monitorização cardíaca é recomendada já em casos moderados (K+ 6,0–6,5 mEq/L).
Alternativa C — ❌ Incorreta
A hipocalcemia cursa com prolongamento do intervalo QT, não com alargamento do QRS e ondas T apiculadas. As ondas T apiculadas são características da hipercalemia. O alargamento do QRS também é um achado da hipercalemia grave, não da hipocalcemia. A alternativa inverte os achados eletrocardiográficos.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A hipernatremia não decorre "sempre" de perda renal de água. Ela pode ser causada por perdas extrarrenais (diarreia, sudorese, queimaduras), por diabetes insipidus (perda renal de água livre) ou por sobrecarga de sódio (infusão de soluções salinas hipertônicas). O termo "sempre" torna a afirmação incorreta, pois há múltiplas etiologias.
Gabarito: letra A