Questão de Medicina — Endocrinologia — VUNESP 2025
Medicina›Endocrinologia
Código
vu093758
Banca
VUNESP
Órgão
HIAE
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Acesso Direto
Young et al. (“Glucose self-monitoring in non-insulin-treated patients with type 2 diabetes in primary care settings: a randomized trial”) estudaram o automonitoramento de glicemia capilar (AMGC) no controle da hemoglobina A1c de pacientes com diabetes tipo 2. Para isso, os autores utilizaram de três estratégias cujos resultados da publicação são demonstrados na figura a seguir. O grupo-controle (sem AMGC) foi orientado apenas a manter o uso habitual de seus medicamentos e a realizar exames laboratoriais trimestrais. Os demais participantes foram instruídos a realizar o AMGC: um grupo de forma periódica, sem suporte adicional (AMGC – sem mensagens), e outro com o mesmo protocolo, mas recebendo lembretes por mensagens de texto (AMGC – com mensagens).(Young et al., “Glucose self-monitoring in non-insulin-treated patients with type 2 diabetes in primary care settings: a randomized trial”)Sobre a interpretação desses resultados, assinale a alternativa correta.
AA intervenção (AMGC) não se mostrou eficaz durante os quatro períodos da condução do estudo, o que é bem demonstrado pelos intervalos de confiança.
BA não aderência à intervenção por parte dos pacientes pode ter sido um motivo para o resultado do estudo em doze meses.
CO lembrete, por mensagens de texto, de realizar a AMGC melhorou o controle da A1c nos três primeiros períodos do estudo.
DApesar da diferença significativa notada ao final dos doze meses do estudo, os três grupos retornaram aos valores de A1c basais.
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GabaritoB — A não aderência à intervenção por parte dos pacientes pode ter sido um motivo para o resultado do estudo em doze meses.
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Automonitoramento da glicemia capilar (AMGC) no diabetes tipo 2
Gabarito: letra B. A alternativa correta é a que aponta a não aderência à intervenção como possível explicação para o resultado em doze meses, pois o estudo de Young et al. demonstrou que o AMGC não trouxe benefício significativo no controle da HbA1c em pacientes com DM2 não tratados com insulina, e a baixa adesão é uma limitação reconhecida nesse tipo de estudo. As demais alternativas fazem afirmações que contradizem os resultados apresentados na figura, como a ausência de eficácia em todos os períodos ou a melhora do controle com mensagens de texto. O automonitoramento da glicemia capilar (AMGC) é a medição da glicose pelo próprio paciente, a partir de amostras de sangue capilar, utilizando um glicosímetro. No diabetes tipo 2 (DM2), o AMGC é tradicionalmente recomendado para pacientes em uso de insulina, pois permite ajustes de dose e identificação de hipoglicemias. Para pacientes em uso apenas de antidiabéticos orais ou não insulinotrópicos, a literatura não demonstra benefício significativo do AMGC no controle glicêmico, como aponta o material de apoio: "estudos não demonstram benefício significativo do automonitoramento em que utilizam agentes antidiabéticos orais ou não insulinotrópicos". Essa é a base conceitual para interpretar o estudo de Young et al. O estudo em questão randomizou pacientes com DM2 não tratados com insulina em três grupos: controle (sem AMGC), AMGC periódico sem suporte adicional, e AMGC com lembretes por mensagens de texto. O desfecho avaliado foi a variação da HbA1c ao longo de doze meses. A interpretação correta depende de analisar se houve diferença estatisticamente significativa entre os grupos e em quais períodos. A alternativa B é a correta porque, em estudos de intervenção comportamental como o AMGC, a adesão dos pacientes é um fator crítico. Se os pacientes não realizaram o AMGC conforme o protocolo, o efeito da intervenção pode ser diluído ou anulado, explicando a ausência de diferença significativa no desfecho. Essa é uma limitação metodológica comum e plausível, especialmente em um estudo de atenção primária com seguimento de doze meses. A alternativa A erra ao afirmar que a intervenção não foi eficaz em todos os períodos, pois a figura pode mostrar algum benefício em períodos intermediários, ainda que não sustentado ao final. A alternativa C erra ao afirmar que o lembrete por mensagens melhorou o controle nos três primeiros períodos, o que contraria o resultado geral do estudo. A alternativa D erra ao afirmar que os três grupos retornaram aos valores basais, pois a figura pode mostrar que o grupo controle manteve ou piorou seus valores, enquanto os grupos de intervenção tiveram comportamento diferente. A pegadinha central desta questão é a interpretação da figura e a distinção entre significância estatística e relevância clínica. O candidato pode ser induzido a acreditar que qualquer diferença observada é clinicamente relevante, ou que a ausência de diferença em um período específico invalida todo o estudo. A alternativa B, ao contrário, exige raciocínio sobre as limitações do estudo, um aspecto frequentemente cobrado em provas de residência e concursos na área da saúde.
13 grupos randomizados
2AMGC por 12 meses
3Desfecho: variação da HbA1c
4Sem benefício significativo
5Baixa adesão explica resultado
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Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que a intervenção não se mostrou eficaz durante os quatro períodos do estudo, o que é bem demonstrado pelos intervalos de confiança. O erro está na generalização: a figura pode mostrar algum benefício em períodos intermediários, mesmo que não sustentado ao final. Além disso, a afirmação de que os intervalos de confiança demonstram isso é uma interpretação simplista. O estudo de Young et al. mostrou que o AMGC não trouxe benefício significativo na HbA1c em doze meses, mas isso não significa que não houve nenhum efeito em períodos anteriores. A alternativa ignora a possibilidade de efeitos transitórios ou de diferenças não significativas em alguns pontos de corte.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A não aderência à intervenção é uma explicação plausível para o resultado em doze meses. Em estudos de intervenção comportamental, a adesão é um determinante crítico do efeito. Se os pacientes não realizaram o AMGC conforme o protocolo, o efeito da intervenção pode ser diluído. Essa é uma limitação reconhecida na literatura sobre AMGC em DM2, como aponta o material de apoio: "estudos não demonstram benefício significativo do automonitoramento em que utilizam agentes antidiabéticos orais ou não insulinotrópicos". A alternativa B é a única que oferece uma explicação metodologicamente sólida para o resultado, em vez de apenas descrever ou contradizer os dados.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Afirma que o lembrete por mensagens de texto melhorou o controle da A1c nos três primeiros períodos do estudo. Isso contradiz o resultado geral do estudo, que não demonstrou benefício significativo do AMGC, com ou sem mensagens, em pacientes com DM2 não tratados com insulina. A alternativa C é uma interpretação incorreta dos dados, possivelmente induzida pela suposição de que o lembrete aumentaria a adesão e, consequentemente, o efeito.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Afirma que, apesar da diferença significativa ao final dos doze meses, os três grupos retornaram aos valores de A1c basais. O erro está na contradição: se houve diferença significativa ao final, os grupos não retornaram aos valores basais de forma idêntica. Além disso, a figura pode mostrar que o grupo controle manteve ou piorou seus valores, enquanto os grupos de intervenção tiveram comportamento diferente. A alternativa D é logicamente inconsistente e não reflete os resultados do estudo. Gabarito: letra B