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Questão de Medicina — Médico da Família — VUNESP 2025

MedicinaMédico da Família
Código
vu093760
Banca
VUNESP
Órgão
HIAE
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Acesso Direto
Mulher, 36 anos, parda, mora em município do semiárido nordestino com baixo IDH. Mãe solo de três filhos, trabalha como diarista e recebe Bolsa Família. Relata insegurança alimentar frequente, especialmente no fim do mês, quando recorre a alimentos ultraprocessados por serem mais baratos. O acesso a frutas e verduras é limitado. Refere obesidade desde a adolescência (IMC: 34), pressão arterial limítrofe e fadiga constante. Diz que já tentou “dietas restritivas da internet” sem sucesso e manifesta desejo de emagrecer “para melhorar a saúde e cuidar dos filhos”.Qual deve ser a prioridade da equipe de APS diante desse caso?
  1. AIncentivar mudanças graduais no padrão alimentar e buscar articulação com programas sociais locais, mesmo que o impacto clínico inicial seja limitado.
  2. BConsiderar tratamento farmacológico como apoio ao emagrecimento, diante do histórico de falhas prévias e da motivação expressa pela paciente.
  3. CEstimular a participação em grupos comunitários de atividade física e saúde, aproveitando recursos disponíveis no território como ponto de partida.
  4. DSolicitar avaliação em nível secundário para ampliar opções terapêuticas e compartilhar o manejo do caso.
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GabaritoA — Incentivar mudanças graduais no padrão alimentar e buscar articulação com programas sociais locais, mesmo que o impacto clínico inicial seja limitado.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Atenção Primária à Saúde: abordagem da obesidade em contexto de vulnerabilidade social

Gabarito: letra A. A prioridade da equipe de APS é incentivar mudanças graduais no padrão alimentar e buscar articulação com programas sociais locais, mesmo que o impacto clínico inicial seja limitado, pois o caso exige abordagem centrada na pessoa, considerando os determinantes sociais da saúde (insegurança alimentar, baixa renda, contexto de vulnerabilidade) e os princípios da APS de longitudinalidade, integralidade e coordenação do cuidado. A alternativa correta reflete a abordagem recomendada pelas diretrizes de manejo da obesidade na APS, que priorizam intervenções comportamentais e articulação intersetorial antes de considerar terapêutica farmacológica ou encaminhamento especializado.

A obesidade é uma doença crônica multifatorial, influenciada por determinantes biológicos, comportamentais, ambientais e sociais. No caso apresentado, a paciente vive em contexto de vulnerabilidade social — município de baixo IDH, mãe solo, renda limitada, insegurança alimentar — fatores que impactam diretamente suas escolhas alimentares e sua capacidade de aderir a mudanças de estilo de vida. A insegurança alimentar, definida como o acesso limitado ou incerto a alimentos suficientes e nutritivos, é um determinante crítico: a paciente recorre a ultraprocessados por serem mais baratos, e o acesso a frutas e verduras é restrito. Nesse cenário, prescrever uma "dieta ideal" sem considerar a realidade socioeconômica seria inócuo e iatrogênico. A abordagem deve ser centrada na pessoa, acolhendo sua história, seus recursos e suas limitações, e buscando soluções viáveis e sustentáveis.

A Política Nacional de Atenção Básica (PNAB) e as diretrizes do SUS para o cuidado da obesidade na APS enfatizam a importância de intervenções não farmacológicas como primeira linha, incluindo aconselhamento nutricional, promoção de atividade física e apoio psicossocial. A articulação com programas sociais — como o Bolsa Família, que a paciente já recebe, e outros equipamentos do território (CRAS, programas de segurança alimentar, hortas comunitárias) — é fundamental para enfrentar a raiz do problema: a insegurança alimentar. A equipe deve trabalhar em rede, coordenando o cuidado e potencializando os recursos disponíveis. A mudança gradual do padrão alimentar, respeitando a realidade da paciente, é mais eficaz e sustentável do que dietas restritivas, que já falharam. O impacto clínico inicial pode ser limitado, mas o processo de cuidado é longitudinal e visa à construção de autonomia e à melhoria da saúde a longo prazo.

A alternativa A é a única que integra a dimensão clínica (mudança alimentar gradual) com a dimensão social (articulação com programas sociais), reconhecendo que a obesidade nesse contexto não pode ser tratada isoladamente. As demais alternativas, embora tenham elementos válidos, são incompletas ou inadequadas como prioridade: a farmacoterapia (B) não é a primeira escolha, especialmente sem abordagem comportamental estruturada e sem considerar o contexto; a atividade física (C) é importante, mas não aborda a insegurança alimentar, que é a questão central; e o encaminhamento ao nível secundário (D) é prematuro, pois a APS deve ser resolutiva e coordenar o cuidado, utilizando a referência apenas quando necessário. A banca explora a tendência do candidato a escolher intervenções mais "ativas" (fármaco, encaminhamento) em vez da abordagem mais adequada à APS, que é o cuidado centrado na pessoa e a articulação intersetorial.

NÃO CAIA NESSA!

A banca tenta induzir o candidato a escolher uma intervenção biomédica imediata (farmacológica ou encaminhamento), quando a prioridade na APS é a abordagem não farmacológica e a articulação com a rede de proteção social. O caso é desenhado para que você perceba que a obesidade aqui é consequência de determinantes sociais — insegurança alimentar, baixa renda — e não apenas de escolhas individuais. A alternativa correta é a que reconhece essa complexidade e propõe uma intervenção gradual e intersetorial.

1Determinantes sociais
Insegurança alimentar
Baixa renda
Vulnerabilidade
2Abordagem prioritária
Mudança gradual da alimentação
Articulação com programas sociais
Cuidado longitudinal
3Intervenções inadequadas como 1ª linha
Farmacoterapia isolada
Encaminhamento precoce
Atividade física sem enfrentar fome
Obesidade na APS
LEVELsoulevel.com.br
Obesidade na APS: Determinantes sociais (Insegurança alimentar, Baixa renda, Vulnerabilidade); Abordagem prioritária (Mudança gradual da alimentação, Articulação com programas sociais, Cuidado longitudinal); Intervenções inadequadas como 1ª linha (Farmacoterapia isolada, Encaminhamento precoce, Atividade física sem enfrentar fome)

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa está correta porque propõe a abordagem mais adequada para o caso: mudanças graduais no padrão alimentar, respeitando a realidade da paciente, e articulação com programas sociais locais para enfrentar a insegurança alimentar. Essa conduta está alinhada com as diretrizes de manejo da obesidade na APS, que priorizam intervenções comportamentais e abordagem dos determinantes sociais da saúde. O reconhecimento de que o impacto clínico inicial pode ser limitado demonstra compreensão da complexidade do caso e da necessidade de um cuidado longitudinal e centrado na pessoa.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A alternativa B é incorreta porque a farmacoterapia para obesidade não é a primeira linha de tratamento, especialmente sem uma abordagem comportamental estruturada e sem considerar o contexto de insegurança alimentar. O histórico de falhas com dietas restritivas não é, por si só, indicação de tratamento farmacológico; a prioridade é a reestruturação do padrão alimentar e o enfrentamento dos determinantes sociais. A motivação da paciente é um ponto de partida, mas não justifica a prescrição de medicamentos como abordagem inicial.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A alternativa C é incorreta porque, embora a atividade física seja um componente importante do tratamento da obesidade, ela não aborda a questão central do caso: a insegurança alimentar. Estimular a participação em grupos de atividade física sem antes ou simultaneamente enfrentar a falta de acesso a alimentos saudáveis seria uma intervenção incompleta. A prioridade é a articulação com programas sociais e a mudança gradual do padrão alimentar, sendo a atividade física um complemento, não o ponto de partida.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A alternativa D é incorreta porque o encaminhamento ao nível secundário é prematuro e não é a prioridade na APS. A Atenção Primária deve ser resolutiva, coordenar o cuidado e utilizar a referência especializada apenas quando necessário, após esgotadas as possibilidades de manejo no nível primário. No caso, a abordagem inicial deve ser não farmacológica e intersetorial, dentro da própria APS, com articulação com a rede de proteção social. O encaminhamento precoce fragmenta o cuidado e não resolve a causa raiz do problema.

Gabarito: letra A

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