Um imigrante moçambicano de 35 anos, vivendo no Brasil há oito meses, divide um quarto com outros dez trabalhadores em moradia coletiva. Relata boa saúde, sem tosse, febre ou perda de peso. Foi identificado como contato domiciliar de caso bacilífero de tuberculose pulmonar confirmado na mesma residência. Realizou prova tuberculínica (PPD), com resultado de 5 mm, e radiografia de tórax normal. Não é HIV positivo e não tem comorbidades conhecidas.Qual é a conduta mais adequada nesse caso?
AConsiderar PPD negativo, pois o valor de 5 mm não configura infecção em indivíduo imunocompetente; não indicar tratamento.
BInterpretar como infecção latente por se tratar de contato de caso bacilífero com PPD ≥ 5 mm; iniciar esquema curto semanal de rifapentina + isoniazida por doze semanas.
CRepetir a PPD em oito semanas, pois o resultado de 5 mm não é suficiente para definir diagnóstico mesmo em contatos; aguardar para decidir tratamento.
DIniciar regime clássico com isoniazida por seis meses, independentemente do valor do PPD, pois todo contato de bacilífero deve receber tratamento preventivo.
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GabaritoB — Interpretar como infecção latente por se tratar de contato de caso bacilífero com PPD ≥ 5 mm; iniciar esquema curto semanal de rifapentina + isoniazida por doze semanas.
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Infecção latente da tuberculose (ILTB) em contatos de caso bacilífero
Gabarito: letra B. O paciente é contato domiciliar de caso bacilífero, assintomático, com radiografia de tórax normal e PPD de 5 mm — exatamente o cenário em que a prova tuberculínica ≥ 5 mm define infecção latente e indica tratamento, conforme as diretrizes do Ministério da Saúde. A conduta correta é iniciar o esquema curto semanal de rifapentina + isoniazida por 12 semanas (3HP), opção válida para adultos sem contraindicações.
A tuberculose é uma doença infecciosa causada pelo Mycobacterium tuberculosis, transmitida por via respiratória. Após a infecção primária, o sistema imunológico do hospedeiro geralmente contém o bacilo em um estado de latência — a chamada infecção latente da tuberculose (ILTB). Nessa fase, a pessoa não tem sintomas, não transmite a doença e apresenta radiografia de tórax normal, mas carrega o risco de reativação futura, especialmente nos primeiros anos após a infecção. O objetivo do tratamento da ILTB é justamente eliminar os bacilos quiescentes e prevenir a evolução para tuberculose ativa.
A prova tuberculínica (PPD) é o teste cutâneo que avalia a resposta imune celular do tipo tardio ao antígeno da micobactéria. A leitura é feita pela medida da induração (endurecimento) em milímetros, 48 a 72 horas após a aplicação. O ponto de corte para considerar o teste positivo — e, portanto, indicar infecção — não é fixo: ele varia conforme o contexto epidemiológico e as condições do paciente. Para contatos de casos bacilíferos, o limiar é de ≥ 5 mm, pois essa população tem maior probabilidade de infecção recente e maior risco de adoecimento. Já para pessoas sem fatores de risco, o ponto de corte é de ≥ 10 mm.
No caso apresentado, o paciente é contato domiciliar de caso bacilífero confirmado, o que o coloca em alto risco de infecção. O PPD de 5 mm, nesse contexto, é positivo e indica ILTB. A radiografia normal afasta tuberculose ativa, e a ausência de sintomas reforça o diagnóstico. Como o paciente não é HIV positivo e não tem comorbidades, ele é elegível para o tratamento da ILTB. As opções terapêuticas incluem o esquema clássico de isoniazida por 6 a 9 meses, ou o esquema curto de rifapentina + isoniazida uma vez por semana por 12 semanas (3HP), que é igualmente eficaz e mais bem tolerado, sendo uma alternativa moderna e recomendada.
A pegadinha central desta questão está na interpretação do valor do PPD: muitos candidatos consideram 5 mm como negativo por ser um valor baixo, mas a leitura correta depende do contexto. Em contatos de bacilíferos, o limiar é reduzido para ≥ 5 mm justamente para não perder a oportunidade de tratar quem tem alto risco de adoecimento. A alternativa A cai exatamente nessa armadilha, ao afirmar que 5 mm não configura infecção em imunocompetente — o que é verdadeiro apenas para pessoas sem exposição relevante.
Guarde o critério decisivo: o ponto de corte do PPD é contextual. Para contatos de caso bacilífero, ≥ 5 mm já indica ILTB e tratamento. É essa fronteira que separa a alternativa correta das demais.
PPD: ponto de corte contextual
1≥ 5 mm
Contato de bacilífero
HIV/imunossuprimidos
2≥ 10 mm
População geral sem fatores de risco
3ILTB (PPD positivo + RX normal + assintomático)
Tratar
3HP (rifapentina + isoniazida, 12 semanas)
Isoniazida (6–9 meses)
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Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que PPD de 5 mm é negativo em imunocompetente e que não se deve tratar. O erro está em aplicar o ponto de corte de 10 mm (usado para a população geral sem fatores de risco) a um contato de caso bacilífero. Para contatos, o limiar é ≥ 5 mm, e o tratamento está indicado. A alternativa ignora o contexto epidemiológico que reduz o ponto de corte.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Interpreta corretamente o PPD de 5 mm como positivo no contexto de contato de caso bacilífero, com radiografia normal e ausência de sintomas, configurando ILTB. Indica o esquema curto de rifapentina + isoniazida por 12 semanas (3HP), que é uma opção recomendada para adultos sem contraindicações. A conduta está alinhada às diretrizes atuais.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Propõe repetir a PPD em oito semanas, pois considera 5 mm insuficiente. O erro está em não reconhecer que, para contatos de bacilífero, o valor de 5 mm já é suficiente para definir ILTB e indicar tratamento. A repetição da PPD seria indicada apenas se o resultado inicial fosse < 5 mm, para verificar conversão tuberculínica. Aqui, o diagnóstico já está estabelecido.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Afirma que todo contato de bacilífero deve receber tratamento preventivo, independentemente do PPD. Isso é incorreto: a indicação do tratamento da ILTB depende da avaliação individual, incluindo o resultado da PPD (ou IGRA) e a exclusão de tuberculose ativa. Nem todo contato tem indicação automática de tratamento; o PPD é uma ferramenta essencial para essa decisão. Além disso, o esquema clássico de isoniazida por seis meses não é a única opção, e a escolha deve considerar as alternativas disponíveis.
NÃO CAIA NESSA!
Para questões de ILTB, decore os pontos de corte da PPD: ≥ 5 mm para contatos de bacilíferos, pessoas vivendo com HIV e imunossuprimidos; ≥ 10 mm para a população geral sem fatores de risco. A banca adora trocar esses valores — se o enunciado diz "contato de bacilífero", o limiar é sempre 5 mm.