Questão de Medicina — Medicina Preventiva — VUNESP 2025
Medicina›Medicina Preventiva
Código
vu093763
Banca
VUNESP
Órgão
HIAE
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Acesso Direto
Roberto tem 80 anos e é um homem obeso, com hipertensão e diabetes, que tem uma vida ativa, sem limitações das suas atividades diárias, de idas ao clube, viagens aos fins de semana e acompanhamento de negócios junto aos filhos. Costuma fazer exame de rastreamento para câncer de próstata e, neste ano, voltou ao médico de família para solicitá-lo.Assinale a alternativa que descreve de forma completa as informações necessárias para decidir solicitar ou não o exame de rastreio, com base no conceito de prevenção quaternária.
AAlém da idade, é importante considerar a relação médico-paciente e compartilhar a decisão de realizar o rastreamento.
BOs antecedentes pessoais e familiares são suficientes para a decisão no caso específico de pacientes fora da faixa etária recomendada para o rastreamento.
CÉ preciso avaliar expectativa de vida, além de comorbidades e antecedentes familiares, para ofertar a possibilidade de rastreamento.
DConsiderando as características do exame de PSA e a expectativa de vida, o rastreamento deve ser solicitado para o paciente.
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GabaritoC — É preciso avaliar expectativa de vida, além de comorbidades e antecedentes familiares, para ofertar a possibilidade de rastreamento.
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Prevenção Quaternária e Rastreamento do Câncer de Próstata
Gabarito: letra C. A prevenção quaternária busca proteger o paciente de intervenções médicas desnecessárias ou excessivas, e, no caso do rastreamento do câncer de próstata em um homem de 80 anos, a decisão deve considerar não apenas a idade, mas também a expectativa de vida, as comorbidades e os antecedentes familiares, para avaliar se os potenciais benefícios superam os riscos de sobrediagnóstico e sobretratamento. A alternativa C é a única que descreve de forma completa os elementos necessários para essa decisão compartilhada, alinhada ao conceito de prevenção quaternária.
A prevenção quaternária é um conceito da Medicina Preventiva que visa proteger o paciente de intervenções médicas que não trazem benefício real, evitando danos iatrogênicos. No contexto do rastreamento do câncer de próstata, isso significa que o médico deve avaliar criteriosamente se o exame de PSA é realmente indicado para aquele paciente específico, considerando que o rastreamento pode levar ao diagnóstico de cânceres que nunca causariam sintomas ou morte (sobrediagnóstico) e a tratamentos agressivos com efeitos colaterais significativos (sobretratamento).
A decisão de rastrear ou não o câncer de próstata deve ser compartilhada entre médico e paciente, levando em conta a expectativa de vida, as comorbidades e os antecedentes familiares. Em pacientes idosos, como Roberto, com 80 anos, a expectativa de vida é um fator crucial: se a expectativa de vida for menor que 10 anos, o rastreamento geralmente não é recomendado, pois os potenciais benefícios (redução da mortalidade) demoram anos para aparecer, enquanto os riscos (biópsias, complicações de tratamento) são imediatos. As comorbidades, como hipertensão e diabetes, também influenciam a expectativa de vida e a capacidade de tolerar tratamentos. Os antecedentes familiares de câncer de próstata aumentam o risco individual e podem justificar uma discussão mais aprofundada sobre o rastreamento.
Na prática, o médico de família deve engajar o paciente em uma decisão compartilhada, explicando os prós e contras do rastreamento, e considerando as preferências e valores do paciente. No caso de Roberto, que é ativo e sem limitações, a expectativa de vida pode ser maior que a média para sua idade, mas ainda assim é necessário avaliar se o rastreamento trará benefício real. A prevenção quaternária não significa simplesmente não rastrear, mas sim rastrear de forma criteriosa, evitando intervenções desnecessárias.
A pegadinha desta questão está em considerar apenas a idade ou a relação médico-paciente como suficientes para a decisão, ignorando a necessidade de avaliar a expectativa de vida e as comorbidades. A alternativa C é a mais completa, pois engloba todos os fatores essenciais para a decisão baseada na prevenção quaternária.
Prevenção quaternária
1Objetivo
Proteger de intervenções desnecessárias
Evitar danos iatrogênicos
2Rastreamento de câncer de próstata
Riscos
Sobrediagnóstico
Sobretratamento
Fatores para decidir
Expectativa de vida
Comorbidades
Antecedentes familiares
Decisão compartilhada
Prós e contras
Preferências do paciente
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Alternativa A — ❌ Incorreta
A alternativa A menciona a idade e a relação médico-paciente, mas não inclui a avaliação da expectativa de vida e das comorbidades, que são fundamentais para a decisão de rastreamento em um paciente idoso. A relação médico-paciente é importante para a decisão compartilhada, mas não é o único fator a ser considerado.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A alternativa B afirma que os antecedentes pessoais e familiares são suficientes para a decisão, mas ignora a expectativa de vida e as comorbidades, que são cruciais para avaliar se o rastreamento trará benefício real. Em pacientes fora da faixa etária recomendada, como Roberto, a decisão deve ser ainda mais criteriosa, considerando todos os fatores.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A alternativa C é a correta, pois descreve de forma completa as informações necessárias para decidir sobre o rastreamento: avaliar a expectativa de vida, as comorbidades e os antecedentes familiares. Esses são os fatores que permitem ao médico e ao paciente tomar uma decisão compartilhada, alinhada ao conceito de prevenção quaternária, evitando intervenções desnecessárias.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A alternativa D afirma que o rastreamento deve ser solicitado considerando as características do exame de PSA e a expectativa de vida, mas não menciona as comorbidades e os antecedentes familiares, que são essenciais para a decisão. Além disso, a decisão não deve ser automática, mas sim compartilhada e baseada na avaliação completa do paciente.