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Questão de Medicina — Médico da Família — VUNESP 2025

MedicinaMédico da Família
Código
vu093764
Banca
VUNESP
Órgão
HIAE
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Acesso Direto
Christian tem 16 anos e foi à UBS sozinho buscar ajuda. Está preocupado porque fuma desde os 12 anos, e ontem seu tio foi internado por tosse com sangue, quadro que a família alega ser causado pelo cigarro. Fernanda, médica de família, acolhe-o e, na anamnese, percebe que ele está em fase de ação para parar de fumar. Registra que ele não faz uso de medicamentos contínuos, bebe eventualmente cerveja com amigos e iniciou atividade sexual, mas no momento não tem parceria fixa.Em relação à conduta sobre o tabagismo, assinale a alternativa correta sobre o cuidado dessa pessoa.
  1. AAdolescentes estão em fase de experimentação e são menos vulneráveis à dependência, então o aconselhamento breve individual é suficiente nesse caso.
  2. BConsiderando que o paciente está em fase de ação, deve-se introduzir tratamento em grupo e medicamentoso com uso de reposição de nicotina por adesivo.
  3. CDeve-se avaliar o grau de dependência e aproveitar o estágio de motivação para convidá-lo para participar de um grupo de aconselhamento para parar de fumar.
  4. DA abordagem individual tem melhor evidência do que a em grupo e, quando associada a bupropiona, tem apresentado resultados mais rápidos.
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GabaritoC — Deve-se avaliar o grau de dependência e aproveitar o estágio de motivação para convidá-lo para participar de um grupo de aconselhamento para parar de fumar.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Tabagismo na adolescência: abordagem na atenção primária

Gabarito: letra C. A conduta correta diante de um adolescente fumante em fase de ação é avaliar o grau de dependência (ex.: Teste de Fagerström) e aproveitar o estágio de motivação para convidá-lo a participar de um grupo de aconselhamento para parar de fumar — conduta alinhada ao tratamento do tabagismo no SUS, que combina aconselhamento estruturado (de preferência em grupo) com avaliação individualizada. As demais alternativas erram ao subestimar a vulnerabilidade do adolescente, ao indicar tratamento medicamentoso sem avaliação prévia ou ao afirmar superioridade da abordagem individual sobre a em grupo.

O tabagismo é uma doença crônica que exige avaliação contínua, repetidas intervenções e, frequentemente, múltiplas tentativas de cessação. Na atenção primária, a abordagem começa por identificar o fumante, alertá-lo sobre os riscos e avaliar sua vontade de parar no momento atual. Quando o paciente está em fase de ação — ou seja, já decidiu parar e se prepara para isso —, o profissional deve aproveitar essa motivação e oferecer suporte estruturado.

O tratamento no SUS para cessação do tabagismo consiste no aconselhamento terapêutico estruturado/abordagem intensiva, baseado na terapia cognitivo-comportamental, realizado em sessões periódicas, de preferência em grupo de apoio, podendo também ser individual. Esse aconselhamento deve ser acompanhado pelo tratamento medicamentoso, salvo em situações especiais — entre elas, a adolescência. Ou seja, para adolescentes, a farmacoterapia (reposição de nicotina, bupropiona) não é a primeira linha; o foco está no aconselhamento comportamental e no suporte psicossocial.

A avaliação inicial é etapa fundamental: envolve conhecer a história tabagística (idade de início, tentativas anteriores), histórico patológico, grau de dependência da nicotina (Teste de Fagerström) e estágios de motivação. É essa avaliação que permite definir se, além da abordagem cognitivo-comportamental, o paciente necessitará de medicação e de qual tipo. No caso de Christian, que fuma desde os 12 anos e está em fase de ação, o próximo passo é justamente avaliar o grau de dependência e convidá-lo para o grupo de aconselhamento — aproveitando o momento de motivação.

A banca explora aqui a confusão entre o tratamento do adulto e o do adolescente: enquanto no adulto a combinação de aconselhamento + farmacoterapia é a regra, na adolescência a farmacoterapia é exceção, reservada a casos selecionados. Além disso, é comum o erro de subestimar a vulnerabilidade do adolescente ao tabaco — a dependência pode se instalar rapidamente, e o início precoce é fator de risco para maior dependência e maior dificuldade de cessação.

Guarde o fluxo: identificar o fumante → avaliar motivação e dependência → oferecer aconselhamento estruturado (grupo ou individual) → considerar farmacoterapia apenas em casos selecionados (adultos, sem contraindicações). É exatamente nesse fluxo que as alternativas se dividem.

Conduta

Alternativa A

Alternativa B

Alternativa C (Gabarito)

Alternativa D

Vulnerabilidade do adolescente

Subestima (menos vulnerável)

Reconhece (avalia dependência)

Farmacoterapia (reposição/bupropiona)

Não menciona

Indica como primeira linha (errado)

Não indica (foco no aconselhamento)

Indica bupropiona (errado)

Abordagem recomendada

Aconselhamento breve individual (insuficiente)

Grupo + medicamentoso (pula avaliação)

Avaliar dependência + grupo de aconselhamento

Individual (superioridade sem evidência)

Alinhamento ao fluxo do SUS

Parcial (apenas triagem)

Incorreto (protocolo de adulto)

Correto (avaliação → aconselhamento estruturado)

Incorreto (medicação sem avaliação)

  1. 1Identificar o fumante
  2. 2Avaliar motivação e dependência
  3. 3Aconselhamento estruturado (grupo)
  4. 4Farmacoterapia (casos selecionados)
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Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma que adolescentes são menos vulneráveis à dependência e que o aconselhamento breve individual é suficiente. Há dois erros: (1) adolescentes são altamente vulneráveis à dependência de nicotina — o início precoce está associado a maior risco de dependência e maior dificuldade de cessação; (2) o aconselhamento breve (menos de 3 minutos) aumenta as taxas de abstinência, mas não é o suficiente quando o paciente está em fase de ação e busca ajuda — o recomendado é o aconselhamento estruturado/intensivo, de preferência em grupo.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Indica tratamento em grupo e medicamentoso com reposição de nicotina por adesivo para um adolescente em fase de ação. O erro está na farmacoterapia: a adolescência é uma das situações especiais em que o tratamento medicamentoso não é a primeira linha — o foco deve ser o aconselhamento comportamental estruturado. Além disso, a decisão sobre medicação depende da avaliação do grau de dependência (Fagerström), que ainda não foi feita. A alternativa pula etapas e aplica ao adolescente o protocolo do adulto.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A conduta correta é avaliar o grau de dependência (Teste de Fagerström) e aproveitar o estágio de motivação (fase de ação) para convidá-lo a participar de um grupo de aconselhamento para parar de fumar. Isso está alinhado ao tratamento do tabagismo no SUS: aconselhamento terapêutico estruturado, de preferência em grupo, baseado na terapia cognitivo-comportamental, precedido de avaliação individualizada. A alternativa espelha exatamente o fluxo recomendado: avaliar dependência e motivação → oferecer aconselhamento estruturado.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Afirma que a abordagem individual tem melhor evidência que a em grupo e que, associada à bupropiona, apresenta resultados mais rápidos. Dois erros: (1) a literatura não estabelece superioridade da abordagem individual sobre a em grupo — ambas são efetivas, e o formato deve considerar a disponibilidade e viabilidade dos indivíduos, profissionais e serviços; (2) a bupropiona não é indicada como primeira linha para adolescentes — a adolescência é situação especial que contraindica o uso rotineiro de farmacoterapia. Além disso, a associação com medicação não é automática: depende da avaliação do grau de dependência.

Gabarito: letra C — avaliar o grau de dependência e aproveitar a motivação para convidar o adolescente ao grupo de aconselhamento.

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