Leia o caso e avalie a imagem a seguir:Diana tem 25 anos e fez tratamentos para acne desde o início da adolescência. Já utilizou diversos tratamentos tópicos e orais, mas de forma intermitente e curta (menos de trinta dias); logo que melhorava, parava o cuidado. Hoje ela foi à UBS pedindo para ser encaminhada para dermatologista porque quer dar fim ao problema. Atualmente trabalha e estuda, mora com os pais, está com vacinas em dia, não tem outras queixas, já tem prática sexual e faz uso de anticoncepcional oral (ACO), mas deseja passar para dispositivo intrauterino.Considerando todas as informações ofertadas, assinale a alternativa que apresenta corretamente a conduta adequada para o caso.Segue foto da paciente:
AEncaminhar à dermatologia, pois é um caso de acne grave com história de falhas de tratamento, e orientar a não trocar ainda o ACO, pois ele ajuda no tratamento da acne.
BReiniciar o tratamento para acne moderada, com uso de tetraciclina oral e tratamento tópico com retinoide por sessenta dias, e solicitar Papanicolau para avaliar troca de método anticoncepcional.
CIniciar o tratamento com uso de doxiciclina oral por três meses, corticoide tópico e manutenção do método anticoncepcional no primeiro momento, com reavaliação em trinta dias.
DIniciar o tratamento para acne leve, com uso tópico de retinoide tópico e peróxido de benzoíla por sessenta dias; caso não haja melhora, a paciente deve ser encaminhada à dermatologia.
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GabaritoB — Reiniciar o tratamento para acne moderada, com uso de tetraciclina oral e tratamento tópico com retinoide por sessenta dias, e solicitar Papanicolau para avaliar troca de método anticoncepcional.
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Acne na Atenção Básica: conduta e critérios de encaminhamento
Gabarito: letra B. A conduta correta é reiniciar o tratamento para acne moderada com tetraciclina oral e retinoide tópico por sessenta dias, além de solicitar Papanicolau para avaliar a troca do método anticoncepcional. A paciente tem acne moderada (não grave), com histórico de tratamentos inadequados (intermitentes e curtos), e deseja trocar o ACO pelo DIU — o que exige avaliação ginecológica prévia. A alternativa B é a única que combina o tratamento medicamentoso adequado à gravidade com o manejo correto da contracepção. A acne é uma doença inflamatória crônica do folículo pilossebáceo, que se manifesta por comedões, pápulas, pústulas e, em casos graves, nódulos e cistos. A classificação da gravidade é essencial para a escolha terapêutica: acne leve é predominantemente comedoniana, com poucas lesões inflamatórias; acne moderada apresenta maior número de pápulas e pústulas, mas sem nódulos; acne grave é caracterizada por nódulos, cistos e risco de cicatrizes.
O tratamento da acne moderada na atenção básica segue uma hierarquia: para acne leve, usa-se apenas terapia tópica (retinoide, peróxido de benzoíla, antibióticos tópicos); para acne moderada, associa-se antibiótico oral (tetraciclina, doxiciclina, minociclina) ao tratamento tópico; para acne grave ou resistente, indica-se isotretinoína oral, que é de competência do dermatologista. O material de apoio reforça que "os pacientes com acne que apresentam cicatrizes, acne severa ou resistente devem ser encaminhados ao dermatologista" — Diana não se enquadra nesses critérios, pois nunca fez um tratamento adequado e contínuo (sempre interrompeu antes de 30 dias). O tempo de tratamento é um ponto crítico: como o microcomedo amadurece em cerca de 8 semanas, a medicação deve ser mantida por pelo menos 60 dias para avaliação de eficácia. Tratamentos curtos e intermitentes, como os que Diana fez, são uma das principais causas de falha terapêutica — não porque a acne seja resistente, mas porque o tratamento nunca foi testado adequadamente. Por isso, a conduta correta é reiniciar o tratamento com duração adequada (60 dias) e reavaliar. A questão também envolve a contracepção. Diana usa ACO e deseja trocar para DIU. O ACO tem efeito benéfico no tratamento da acne (por reduzir andrógenos livres), mas a paciente quer trocar o método — e isso é uma decisão legítima que deve ser respeitada e orientada. A troca para DIU não é contraindicada em paciente com acne; pelo contrário, o DIU de cobre não interfere na acne, e o DIU hormonal (levonorgestrel) pode até piorar a acne em algumas mulheres, mas não é contraindicação absoluta. O importante é que a troca de método anticoncepcional deve ser avaliada em consulta ginecológica, com solicitação de Papanicolau (prevenção de câncer de colo uterino) e orientação sobre os métodos disponíveis. A alternativa B acerta ao solicitar o Papanicolau para avaliar a troca — isso faz parte do rastreamento e da consulta de planejamento familiar. A pegadinha central desta questão é a classificação da gravidade da acne e o consequente encaminhamento. A banca tenta fazer o candidato acreditar que, por ter "falhado" em tratamentos anteriores, Diana tem acne grave e deve ser encaminhada ao dermatologista. Mas a falha foi por não adesão (tratamentos curtos e intermitentes), não por resistência verdadeira. Além disso, a alternativa A erra ao dizer que o ACO "ajuda no tratamento da acne" e por isso não deve ser trocado — o ACO realmente ajuda, mas a paciente tem o direito de trocar o método, e isso não inviabiliza o tratamento da acne. A alternativa C erra ao usar corticoide tópico (não é tratamento de primeira linha para acne) e ao manter o ACO sem avaliar a troca. A alternativa D erra ao classificar como acne leve e usar apenas tratamento tópico, subestimando a necessidade de antibiótico oral na acne moderada. Guarde o critério decisivo: a gravidade da acne (leve × moderada × grave) determina a terapia (tópica × oral+tópica × encaminhamento), e a duração mínima do tratamento é de 60 dias. É exatamente nesses dois eixos que as alternativas se dividem.
Acne: conduta na Atenção Básica: Classificar gravidade (Leve: comedões, Moderada: pápulas/pústulas, Grave: nódulos/cistos); Escolher terapia (Leve: tópico, Moderada: oral + tópico, Grave: encaminhar (isotretinoína)); Tempo mínimo (60 dias (maturação do microcomedo)); Falha de tratamento (Não adesão (curto/intermitente), Resistência real (após 60 dias))
Alternativa A — ❌ Incorreta
Erra ao classificar o caso como "acne grave com história de falhas de tratamento". Diana nunca fez tratamento adequado — usou medicações de forma intermitente e curta (menos de 30 dias), o que não configura falha terapêutica real, mas sim falta de adesão. Além disso, a alternativa orienta "não trocar ainda o ACO, pois ele ajuda no tratamento da acne". Embora o ACO realmente tenha efeito benéfico na acne, a paciente tem o direito de trocar o método anticoncepcional, e isso deve ser avaliado em consulta ginecológica — não é motivo para adiar a troca. O encaminhamento à dermatologia seria indicado para acne grave, resistente ou com cicatrizes, o que não é o caso.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A alternativa B acerta ao classificar a acne como moderada e propor o tratamento adequado: tetraciclina oral (antibiótico sistêmico de primeira linha para acne moderada) associada a retinoide tópico (normaliza a queratinização folicular e tem ação anti-inflamatória), por sessenta dias — tempo mínimo para avaliar eficácia, considerando a maturação do microcomedo em 8 semanas. Além disso, acerta ao solicitar Papanicolau para avaliar a troca do método anticoncepcional: a paciente deseja trocar o ACO pelo DIU, e isso exige avaliação ginecológica, incluindo rastreamento de câncer de colo uterino. A conduta é completa: trata a acne de forma adequada e maneja a contracepção de forma correta.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Erra ao incluir "corticoide tópico" no tratamento da acne. Corticoides tópicos não são tratamento de primeira linha para acne — podem até piorar o quadro por causar acne esteroide. O tratamento correto para acne moderada é antibiótico oral + retinoide tópico (ou peróxido de benzoíla). Além disso, a alternativa diz "manutenção do método anticoncepcional no primeiro momento", o que contraria o desejo da paciente de trocar o ACO pelo DIU. A troca deve ser avaliada e orientada, não adiada sem justificativa. A doxiciclina é uma opção válida, mas o corticoide tópico e a postergação da troca do método tornam a alternativa incorreta.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Erra ao classificar a acne como "leve" e propor apenas tratamento tópico (retinoide + peróxido de benzoíla). Diana tem acne moderada — a história de uso de tratamentos orais anteriores (mesmo que intermitentes) sugere que o quadro não é leve. Para acne moderada, o tratamento de primeira linha é antibiótico oral associado a terapia tópica. Além disso, a alternativa diz que "caso não haja melhora, a paciente deve ser encaminhada à dermatologia" — mas o encaminhamento só seria indicado após um tratamento adequado e contínuo (60 dias) sem resposta, o que não foi testado. A conduta subestima a gravidade e propõe tratamento insuficiente.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre "falha de tratamento" e "não adesão ao tratamento". Diana nunca fez um tratamento adequado — usou medicações por menos de 30 dias e parou ao melhorar. Isso não é acne resistente, é acne mal tratada. O candidato que interpreta a história como "falha terapêutica" cai na alternativa A (encaminhar ao dermatologista). Lembre-se: falha real só se configura após um tratamento correto e contínuo (mínimo 60 dias) sem resposta. Com treino, você diferencia adesão de resistência de longe 💪. 💡 Dica: Para questões de acne, monte um fluxo mental: (1) classifique a gravidade (leve = comedões; moderada = pápulas/pústulas; grave = nódulos/cistos); (2) escolha a terapia (leve = tópico; moderada = oral + tópico; grave = encaminhar para isotretinoína); (3) verifique o tempo de tratamento (mínimo 60 dias). Essa sequência resolve a maioria das questões sobre o tema.