Questão de Medicina — Ginecologia e Obstetrícia — VUNESP 2025
Medicina›Ginecologia e Obstetrícia
Código
vu093769
Banca
VUNESP
Órgão
HIAE
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Acesso Direto
Dentre as afirmações a seguir, assinale a alternativa correta.
AEmbora as gestações não aumentem o risco de incontinência urinária ou distopias genitais no futuro, o parto normal predispõe a esses desfechos.
BPacientes idosas são grupo de risco para incontinência urinária mista, devendo-se atentar a esse diagnóstico na decisão terapêutica.
CA cirurgia de Burch, ou colpossuspensão, é a técnica preferencial para o tratamento da incontinência urinária de esforço em pacientes obesas e com deficiência esfincteriana intrínseca.
DA identificação do tipo de incontinência urinária passa pela classificação POP-Q, que esclarece os quadros de hipermobilidade uretral e quantifica os níveis pressóricos da perda urinária em cmH₂ O.
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GabaritoB — Pacientes idosas são grupo de risco para incontinência urinária mista, devendo-se atentar a esse diagnóstico na decisão terapêutica.
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Incontinência urinária na mulher: tipos, fatores de risco e tratamento
Gabarito: letra B. A incontinência urinária mista — combinação de incontinência de esforço e de urgência — é mais prevalente em mulheres idosas, e o diagnóstico correto é essencial para a decisão terapêutica, pois o tratamento deve abordar ambos os componentes. As demais alternativas apresentam erros conceituais: a gestação e o parto vaginal aumentam o risco de incontinência e distopias; a cirurgia de Burch não é a técnica preferencial em obesas ou com deficiência esfincteriana intrínseca; e o POP-Q é um sistema de quantificação do prolapso de órgão pélvico, não um método de classificação da incontinência urinária.
A incontinência urinária (IU) é definida como a perda involuntária de urina, e sua classificação é fundamental para a escolha do tratamento. Os principais tipos são:
Incontinência de esforço (IUE): perda súbita de urina durante atividades que aumentam a pressão abdominal (tosse, espirro, exercício), por falência do mecanismo de suporte uretral ou do esfíncter uretral.
Incontinência de urgência (IUU): perda de urina precedida ou acompanhada de urgência miccional, geralmente por hiperatividade do detrusor.
Incontinência mista (IUM): associação de esforço e urgência, muito comum em idosas.
Incontinência paradoxal: gotejamento por transbordamento em bexiga com retenção crônica.
Incontinência total: perda contínua, associada a fístulas, ectopia ureteral ou lesão esfincteriana.
A incontinência mista é particularmente relevante na população idosa, pois a prevalência aumenta com a idade, e o tratamento deve ser individualizado, muitas vezes combinando medidas comportamentais, farmacológicas e cirúrgicas. A avaliação urodinâmica pode ser necessária para confirmar o diagnóstico e orientar a conduta.
A cirurgia de Burch (colpossuspensão retropúbica) foi por muito tempo o padrão-ouro para IUE, mas caiu em desuso em favor dos slings suburetrais, que são menos invasivos e têm menor morbidade. Em pacientes obesas ou com deficiência esfincteriana intrínseca (DEI), o sling é preferível, pois a Burch tem piores resultados nesses subgrupos.
O POP-Q (Pelvic Organ Prolapse Quantification) é um sistema de estadiamento do prolapso de órgãos pélvicos, baseado em medidas anatômicas em centímetros, e não tem relação com a classificação da incontinência urinária nem com a medição de pressões uretrais.
A gestação e o parto vaginal são fatores de risco bem estabelecidos para o desenvolvimento de incontinência urinária e distopias genitais, devido ao trauma do assoalho pélvico durante o parto. Portanto, a afirmação de que as gestações não aumentam o risco é incorreta.
A banca explora a confusão entre os diferentes tipos de incontinência e os métodos de avaliação. A chave é lembrar que:
Idosa → pensar em incontinência mista (esforço + urgência).
Obesa/DEI → sling, não Burch.
POP-Q → prolapso, não incontinência.
Parto vaginal → aumenta risco de IU e distopias.
Incontinência urinária (IU)
1Tipos
Esforço (IUE)
Urgência (IUU)
Mista (IUM)
Paradoxal
Total
2Fatores de risco
Idade avançada
Gestação e parto vaginal
3Tratamento
IUE: sling suburetral
IUM: abordar esforço + urgência
4Avaliação
POP-Q: prolapso, não IU
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Alternativa A — ❌ Incorreta
A afirmação de que "as gestações não aumentam o risco de incontinência urinária ou distopias genitais" é falsa. A gestação e, principalmente, o parto vaginal são fatores de risco conhecidos para o desenvolvimento de incontinência urinária e prolapso de órgãos pélvicos, devido ao estiramento e à lesão do assoalho pélvico. O erro está na primeira parte da frase: a gestação aumenta o risco, e o parto normal também.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A incontinência urinária mista é comum em pacientes idosas, e o diagnóstico correto é essencial para a decisão terapêutica, pois o tratamento deve abordar tanto o componente de esforço quanto o de urgência. A alternativa está correta ao afirmar que idosas são grupo de risco e que se deve atentar a esse diagnóstico na decisão terapêutica.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A cirurgia de Burch não é a técnica preferencial para o tratamento da IUE em pacientes obesas ou com deficiência esfincteriana intrínseca. Nesses casos, o sling suburetral (especialmente o sling pubovaginal ou o sling sintético) é a opção preferida, pois a Burch tem piores resultados em obesas e em pacientes com DEI. A alternativa inverte a indicação.
Alternativa D — ❌ Incorreta
O POP-Q é um sistema de quantificação do prolapso de órgão pélvico, baseado em medidas anatômicas em centímetros, e não serve para classificar a incontinência urinária nem para quantificar pressões de perda urinária. A identificação do tipo de incontinência é feita pela história clínica, exame físico e, quando necessário, estudo urodinâmico. A alternativa mistura conceitos de forma incorreta.