Pular para o conteúdo principal

Questão de Medicina — Ginecologia e Obstetrícia — VUNESP 2025

MedicinaGinecologia e Obstetrícia
Código
vu093773
Banca
VUNESP
Órgão
HIAE
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Acesso Direto
Mulher cis de 62 anos comparece à consulta por queixa de urgeincontinência e episódios de infecção urinária – 3 nos últimos 6 meses. Refere hipertensão arterial sistêmica e faz uso de losartana 50 mg/dia. Nuligesta, menopausa aos 49 anos, nega terapia hormonal da menopausa; atualmente sem atividade sexual, pois é divorciada há 5 anos. Ao exame físico: órgãos genitais externos hipotróficos e sem perdas urinárias ao esforço solicitado. Exame especular com conteúdo vaginal escasso, diminuição da rugosidade das paredes vaginais e petéquias subepiteliais na mucosa.Assinale a alternativa correta em relação à abordagem terapêutica para os sintomas dessa paciente.
  1. AO uso de laser de CO₂ fracionado é considerado atualmente o tratamento de primeira linha para mulheres com sintomas unicamente da síndrome genitourinária.
  2. BA terapia hormonal da menopausa sistêmica contendo estrogênio é uma alternativa para melhora dos sintomas genitourinários da paciente em questão.
  3. CPara pacientes tratadas da síndrome genitourinária da pós-menopausa com estrogênio vaginal contínuo a longo prazo, não se recomenda uso de progestágeno para proteção endometrial.
  4. DO uso de estrogênio unicamente por via vaginal não é capaz de melhorar os sintomas urinários, como bexiga hiperativa, urgeincontinência e infecções urinárias de repetição.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — Para pacientes tratadas da síndrome genitourinária da pós-menopausa com estrogênio vaginal contínuo a longo prazo, não se recomenda uso de progestágeno para proteção endometrial.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Síndrome geniturinária da menopausa: abordagem terapêutica

Gabarito: letra C. Para mulheres em tratamento da síndrome geniturinária da pós-menopausa com estrogênio vaginal contínuo a longo prazo, não se recomenda o uso de progestágeno para proteção endometrial, pois a absorção sistêmica do estrogênio por essa via é mínima e não há dados suficientes para indicar vigilância endometrial de rotina em mulheres assintomáticas. As demais alternativas apresentam erros conceituais sobre as opções terapêuticas.

A síndrome geniturinária da menopausa (SGM) é um conjunto de sinais e sintomas decorrentes da deficiência estrogênica na pós-menopausa, que afeta a vulva, a vagina e o trato urinário inferior. Os sintomas incluem ressecamento vaginal, prurido, dispareunia, urgência urinária, urgeincontinência e infecções urinárias de repetição. No exame físico, observam-se hipotrofia dos órgãos genitais externos, diminuição da rugosidade das paredes vaginais e petéquias subepiteliais, como no caso da paciente.

O tratamento de primeira linha para a SGM é o estrogênio tópico vaginal, que melhora tanto os sintomas de atrofia vaginal quanto os sintomas urinários, incluindo a bexiga hiperativa e as infecções urinárias de repetição. O estrogênio sistêmico, por sua vez, pode até piorar a incontinência urinária e aumentar o risco de infecções urinárias, sendo menos indicado para esses sintomas. A via vaginal tem a vantagem de usar doses menores, com menor absorção sistêmica e, portanto, menor necessidade de progestágeno para proteção endometrial.

A recomendação atual é manter o tratamento com estrogênio tópico enquanto durarem os sintomas, com aplicações diárias no primeiro mês e manutenção com aplicações mais espaçadas (1 a 4 vezes por semana). O tipo de estrogênio (creme de estrogênios conjugados, estriol, promestrieno ou estradiol de baixa dose) deve seguir a preferência da mulher. Para mulheres com útero intacto, o uso de estrogênio sistêmico exige a associação de progestágeno para prevenir hiperplasia endometrial, mas isso não se aplica ao uso vaginal, que tem absorção sistêmica mínima.

A pegadinha desta questão está em confundir as indicações do estrogênio sistêmico com as do estrogênio vaginal. A banca explora a ideia de que "todo estrogênio exige progestágeno" ou que "estrogênio vaginal não melhora sintomas urinários", quando na verdade a via vaginal é a primeira escolha para SGM e melhora inclusive os sintomas urinários. O critério decisivo é a via de administração: vaginal (tópica) versus sistêmica.

1Tratamento de 1ª linha
Estrogênio tópico vaginal
Melhora sintomas vaginais
Melhora sintomas urinários
2Estrogênio sistêmico
Pode piorar incontinência
Aumenta risco de ITU
Exige progestágeno (útero intacto)
3Estrogênio vaginal
Absorção sistêmica mínima
Sem progestágeno
Sem vigilância endometrial
4Laser de CO₂
Evidências limitadas
Não é 1ª linha
Síndrome geniturinária da menopausa
LEVELsoulevel.com.br
Síndrome geniturinária da menopausa: Tratamento de 1ª linha (Estrogênio tópico vaginal, Melhora sintomas vaginais, Melhora sintomas urinários); Estrogênio sistêmico (Pode piorar incontinência, Aumenta risco de ITU, Exige progestágeno (útero intacto)); Estrogênio vaginal (Absorção sistêmica mínima, Sem progestágeno, Sem vigilância endometrial); Laser de CO₂ (Evidências limitadas, Não é 1ª linha)

Alternativa A — ❌ Incorreta

O laser de CO₂ fracionado não é considerado tratamento de primeira linha para a SGM. Embora seja uma opção terapêutica emergente, as evidências ainda são limitadas e o tratamento de primeira linha é o estrogênio tópico vaginal. A alternativa erra ao elevar o laser a primeira linha, quando ele é uma alternativa para mulheres que não podem ou não desejam usar estrogênio.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A terapia hormonal da menopausa sistêmica contendo estrogênio não é a alternativa preferencial para sintomas genitourinários. O estrogênio sistêmico pode até piorar a incontinência urinária e aumentar o risco de infecções urinárias de repetição, como indicado no conteúdo de apoio. A via vaginal é a mais adequada para tratar a SGM, pois age localmente com menores doses e menos efeitos sistêmicos.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Para pacientes tratadas da SGM com estrogênio vaginal contínuo a longo prazo, não se recomenda o uso de progestágeno para proteção endometrial. A absorção sistêmica do estrogênio por via vaginal é mínima, e não há dados suficientes para recomendar a avaliação endometrial anual em mulheres assintomáticas usando estrogênio por essa via. O progestágeno é necessário apenas quando há exposição sistêmica significativa ao estrogênio, como na terapia hormonal sistêmica em mulheres com útero intacto.

Alternativa D — ❌ Incorreta

O estrogênio por via vaginal é capaz de melhorar os sintomas urinários, como bexiga hiperativa, urgeincontinência e infecções urinárias de repetição. Há evidência sugerindo ação profilática do estrogênio tópico contra infecções urinárias de repetição em mulheres pós-menopáusicas. A alternativa erra ao afirmar o contrário, negando um benefício bem estabelecido da via vaginal.

Gabarito: letra C

Link permanente: /questoes/vu093773