Questão de Medicina — Ginecologia e Obstetrícia — VUNESP 2025
Medicina›Ginecologia e Obstetrícia
Código
vu093779
Banca
VUNESP
Órgão
HIAE
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Acesso Direto
Quanto ao rastreio de pré-eclâmpsia, assinale a alternativa correta.
ANa avaliação dopplervelocimétrica, o aumento do índice de pulsatilidade da artéria oftálmica materna traduz o aumento da resistência vascular periférica materna.
BNas gestantes classificadas como de alto risco, recomenda-se administrar ácido acetilsalicílico 1,0 g/dia, preferencialmente à noite.
CO rastreio realizado, entre 11 e 13 semanas, por uma combinação de fatores maternos, índices biofísicos e dosagens bioquímicas, apresenta sensibilidade de 95% para pré-eclâmpsia pré-termo.
DA dosagem do fator de crescimento placentário se encontra aumentada entre 11 e 13 semanas de gestação.
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GabaritoA — Na avaliação dopplervelocimétrica, o aumento do índice de pulsatilidade da artéria oftálmica materna traduz o aumento da resistência vascular periférica materna.
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Rastreio de pré-eclâmpsia: doppler de artéria oftálmica e prevenção
Gabarito: letra A. O aumento do índice de pulsatilidade (IP) da artéria oftálmica materna reflete o aumento da resistência vascular periférica, sendo um marcador útil na avaliação da pré-eclâmpsia. As demais alternativas apresentam erros quanto à dose de AAS, à sensibilidade do rastreio combinado e à dosagem do PlGF.
A pré-eclâmpsia é uma síndrome hipertensiva específica da gestação, caracterizada por hipertensão arterial (PAS ≥ 140 mmHg e/ou PAD ≥ 90 mmHg) após 20 semanas, frequentemente acompanhada de proteinúria ou disfunção orgânica materna. O rastreio dessa condição é fundamental para identificar gestantes de alto risco e instituir medidas preventivas, como o uso de ácido acetilsalicílico (AAS) e cálcio.
A avaliação dopplervelocimétrica da artéria oftálmica materna é um método que avalia a circulação cerebral materna. O índice de pulsatilidade (IP) é um parâmetro que reflete a resistência vascular: quanto maior o IP, maior a resistência ao fluxo sanguíneo. Na pré-eclâmpsia, há um estado de vasoconstrição periférica generalizada, que também acomete a circulação cerebral, resultando em aumento do IP da artéria oftálmica. Portanto, a alternativa A está correta ao associar o aumento do IP ao aumento da resistência vascular periférica.
A prevenção da pré-eclâmpsia em gestantes de alto risco envolve o uso de AAS em dose baixa (100 mg/dia, preferencialmente à noite), iniciado entre 12 e 16 semanas e mantido até 36 semanas. A dose de 1,0 g/dia (1000 mg) é totalmente incorreta e não corresponde a nenhuma recomendação. O rastreio combinado entre 11 e 13 semanas, que inclui fatores maternos, Doppler de artérias uterinas e marcadores bioquímicos (como PAPP-A e PlGF), apresenta sensibilidade em torno de 75-80% para pré-eclâmpsia pré-termo, e não 95%. Já o fator de crescimento placentário (PlGF) encontra-se diminuído (e não aumentado) em gestações que evoluem para pré-eclâmpsia, refletindo a disfunção placentária e o estado antiangiogênico.
A banca explora a confusão entre os marcadores de rastreio e as doses de medicação. É essencial memorizar os valores corretos e os parâmetros do Doppler para não cair em armadilhas.
Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A afirmativa está correta. O índice de pulsatilidade (IP) da artéria oftálmica materna é um parâmetro dopplervelocimétrico que avalia a resistência vascular. Na pré-eclâmpsia, há aumento da resistência vascular periférica, incluindo a circulação cerebral, o que se traduz em aumento do IP. Esse achado é utilizado como marcador de gravidade e auxilia no diagnóstico, especialmente na ausência de proteinúria, conforme mencionado no contexto: "doppler da artéria oftálmica materna com peak/ratio maior que 0,78" como sinal de complicação neurológica.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A dose correta de ácido acetilsalicílico (AAS) para prevenção de pré-eclâmpsia em gestantes de alto risco é de 100 mg/dia (ou 150 mg, conforme algumas literaturas), preferencialmente à noite, iniciado entre 12 e 16 semanas e mantido até 36 semanas. A alternativa menciona 1,0 g/dia (1000 mg), que é uma dose muito superior e não recomendada. Essa dose seria utilizada em outras situações, como analgesia ou anti-inflamatório, mas não na prevenção de pré-eclâmpsia.
Alternativa C — ❌ Incorreta
O rastreio combinado entre 11 e 13 semanas, que associa fatores maternos, Doppler de artérias uterinas e marcadores bioquímicos (PAPP-A, PlGF), apresenta sensibilidade de aproximadamente 75-80% para pré-eclâmpsia pré-termo, e não 95%. O valor de 95% é superestimado e não corresponde à literatura. A sensibilidade de 95% seria mais próxima de outros testes, mas não é o caso do rastreio combinado de primeiro trimestre.
Alternativa D — ❌ Incorreta
O fator de crescimento placentário (PlGF) encontra-se diminuído (e não aumentado) entre 11 e 13 semanas em gestações que evoluem para pré-eclâmpsia. Isso ocorre porque a pré-eclâmpsia está associada a um estado antiangiogênico, com redução de fatores pró-angiogênicos (como PlGF) e aumento de fatores antiangiogênicos (como sFlt-1). A dosagem de PlGF é utilizada justamente por estar reduzida em gestações de risco, auxiliando no rastreio e no diagnóstico.
NÃO CAIA NESSA!
A banca troca a dose de AAS (100 mg/dia por 1,0 g/dia), inverte a sensibilidade do rastreio (95% em vez de ~75-80%) e inverte o comportamento do PlGF (aumentado em vez de diminuído). Essas são armadilhas clássicas em questões de pré-eclâmpsia. Memorize os valores exatos e o sentido das alterações para não cair.
PEGA ESSA DICA!
Para questões de rastreio de pré-eclâmpsia, decore: AAS 100 mg/dia à noite, iniciar entre 12-16 semanas, manter até 36 semanas; rastreio combinado com sensibilidade ~75-80%; PlGF diminuído; IP de artéria oftálmica aumentado. Esses são os pontos mais cobrados.