Pular para o conteúdo principal

Questão de Medicina — Pediatria e Neonatologia — VUNESP 2025

MedicinaPediatria e Neonatologia
Código
vu093785
Banca
VUNESP
Órgão
HIAE
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Acesso Direto
Durante consulta de rotina, o pediatra não consegue palpar o testículo direito na bolsa escrotal de um menino de 1 ano e 6 meses, e ainda observa hipotrofia da bolsa testicular correspondente. Considerando o diagnóstico de criptorquidia, assinale a alternativa correta em relação às informações que devem ser dadas à família.
  1. AInfertilidade e risco de malignidade são complicações possíveis nos testículos não descidos e variam conforme a localização testicular.
  2. BO tratamento cirúrgico da criptorquidia deveria ter sido realizado antes dos 6 meses de idade.
  3. CO testículo criptorquídico deve ser removido cirurgicamente assim que o diagnóstico for estabelecido, devido ao risco de câncer testicular.
  4. DO tratamento deve ser conservador, pois a maioria dos casos se resolve espontaneamente após os 18 meses de idade.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — Infertilidade e risco de malignidade são complicações possíveis nos testículos não descidos e variam conforme a localização testicular.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Criptorquidia: diagnóstico, complicações e orientação à família

Gabarito: letra A. A criptorquidia — falha na migração de um ou ambos os testículos para a bolsa escrotal — associa-se a complicações como infertilidade e risco aumentado de malignidade, e esse risco varia conforme a localização testicular (quanto mais alta a posição, maior o risco). As demais alternativas erram ao afirmar que a cirurgia deveria ter sido feita antes dos 6 meses, que o testículo deve ser removido, ou que a maioria dos casos se resolve espontaneamente após os 18 meses.

A criptorquidia é uma condição relativamente comum na prática pediátrica, e o pediatra precisa saber orientar a família corretamente. O testículo, durante o desenvolvimento fetal, migra da cavidade abdominal para a bolsa escrotal, e no recém-nascido a termo já deve estar em posição escrotal. Quando isso não ocorre, o testículo pode estar em qualquer ponto do trajeto de migração — intra-abdominal, no canal inguinal ou na região alta do escroto. É fundamental distinguir a criptorquidia verdadeira dos testículos retráteis, que são uma variação normal: no testículo retrátil, a bolsa escrotal é bem desenvolvida, o testículo pode ser palpado dentro dela e, quando se retrai, pode ser facilmente trazido de volta sem tensão. Já na criptorquidia, a bolsa escrotal é hipodesenvolvida do lado acometido e o testículo não pode ser trazido até ela.

O diagnóstico de criptorquidia em um menino de 1 ano e 6 meses, como no caso do enunciado, já está bem estabelecido — a essa idade, a descida espontânea é improvável. O tratamento de escolha é a orquidopexia, cirurgia que libera e fixa o testículo na bolsa escrotal. O momento ideal da cirurgia tem sido cada vez mais precoce: recomenda-se a realização por volta dos 6 meses de idade, pois após essa idade podem ocorrer alterações histológicas progressivas nos testículos, com fibrose intersticial, redução do desenvolvimento tubular e diminuição do volume testicular. A espermatogênese fica prejudicada, e o risco de transformação maligna é maior nos testículos criptorquídicos — cerca de 5 a 10 vezes maior do que nos testículos eutópicos. Esse risco é ainda maior quando o testículo está em posição intra-abdominal, e os tumores associados tendem a ser mais agressivos (seminomas).

A infertilidade é outra complicação importante. A lesão tubular se correlaciona diretamente com parâmetros de fertilidade e inversamente com a idade da orquidopexia — ou seja, quanto mais precoce a cirurgia, melhor o prognóstico de fertilidade. Além disso, um terço dos testículos criptorquídicos apresenta anomalias do epidídimo, o que aumenta o potencial de infertilidade por obstrução. A orquidopexia precoce, além de facilitar o diagnóstico precoce de tumor pela palpação do testículo fixado na bolsa, pode reduzir a possibilidade de malignização.

A alternativa A está correta porque resume exatamente essas informações: infertilidade e risco de malignidade são complicações possíveis nos testículos não descidos, e o risco varia conforme a localização testicular — testículos intra-abdominais têm maior risco de malignidade e de alterações histológicas graves. As demais alternativas apresentam erros conceituais importantes, que serão detalhados a seguir.

Criptorquidia
  • 1Definição
    • Falha na migração testicular
    • Posição: intra-abdominal, inguinal ou alta escrotal
  • 2Diagnóstico
    • Bolsa escrotal hipodesenvolvida
    • Testículo não trazível ao escroto
    • Distinguir de testículo retrátil (normal)
  • 3Evolução
    • Descida espontânea até 3 meses
    • Após 6 meses, improvável
  • 4Tratamento
    • Orquidopexia por volta dos 6 meses
    • Não é orquiectomia (remoção)
    • Não é conservador após 18 meses
  • 5Complicações
    • Infertilidade (quanto mais precoce a cirurgia, melhor)
    • Risco de malignidade (5-10x maior)
      • Varia com a localização
      • Intra-abdominal: maior risco
LEVEL · soulevel.com.br

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa afirma que "infertilidade e risco de malignidade são complicações possíveis nos testículos não descidos e variam conforme a localização testicular". Isso está correto. A literatura médica confirma que o testículo criptorquídico, por ficar exposto a temperatura mais elevada, sofre degeneração progressiva, com prejuízo da espermatogênese e aumento do risco de transformação maligna. O risco de malignidade é 5 a 10 vezes maior do que nos testículos eutópicos, e é ainda maior nos testículos intra-abdominais, que também são os mais afetados pelas alterações histológicas. A localização testicular é, portanto, um fator determinante tanto para o risco de infertilidade quanto para o risco de malignidade.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que "o tratamento cirúrgico da criptorquidia deveria ter sido realizado antes dos 6 meses de idade". Isso está errado. A recomendação atual é que a orquidopexia seja realizada por volta dos 6 meses de idade, e não antes. Os testículos podem descer ao escroto sem tratamento até os 3 meses de idade, e a cirurgia é indicada a partir dos 4 a 6 meses, quando a possibilidade de cirurgia em um tempo só é maior. Realizar a cirurgia antes dos 6 meses não é a conduta recomendada — o momento ideal é em torno dos 6 meses, não antes.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que "o testículo criptorquídico deve ser removido cirurgicamente assim que o diagnóstico for estabelecido, devido ao risco de câncer testicular". Isso está errado. O tratamento de escolha para a criptorquidia é a orquidopexia, que consiste em liberar e fixar o testículo na bolsa escrotal — e não a remoção do testículo. A orquiectomia (remoção) é reservada para casos específicos, como testículo atrófico ou com suspeita de malignidade, mas não é a conduta padrão para todos os casos de criptorquidia. A cirurgia de fixação, além de preservar o testículo, facilita o diagnóstico precoce de tumor pela palpação.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que "o tratamento deve ser conservador, pois a maioria dos casos se resolve espontaneamente após os 18 meses de idade". Isso está errado. A descida espontânea do testículo pode ocorrer até os 3 meses de idade, mas após os 6 meses é improvável. Em um menino de 1 ano e 6 meses, a resolução espontânea já não é esperada, e o tratamento conservador não é indicado. O tratamento de escolha é cirúrgico, com orquidopexia, e deve ser realizado precocemente para evitar as complicações associadas à criptorquidia.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre o momento ideal da cirurgia e a possibilidade de descida espontânea. O candidato pode pensar que, por ser uma condição que "pode se resolver sozinha", o tratamento deve ser adiado — mas a descida espontânea só ocorre até os 3 meses de idade. Aos 18 meses, a conduta é cirúrgica, e não conservadora. Fique atento: a orquidopexia é indicada por volta dos 6 meses, não antes, e não se trata de remover o testículo, mas de fixá-lo na bolsa escrotal.

PEGA ESSA DICA!

Para questões de criptorquidia, memorize os marcos: descida espontânea até 3 meses; orquidopexia indicada por volta dos 6 meses; risco de malignidade 5-10 vezes maior, variando com a localização (intra-abdominal é o pior); infertilidade relacionada à idade da cirurgia. Esses são os pontos que a banca costuma cobrar.

Gabarito: letra A

Link permanente: /questoes/vu093785