Questão de Medicina — Pediatria e Neonatologia — VUNESP 2025
Medicina›Pediatria e Neonatologia
Código
vu093790
Banca
VUNESP
Órgão
HIAE
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Acesso Direto
Lactente de 5 meses é admitido no pronto-socorro com febre há 6 dias, conjuntivite bilateral não purulenta, língua em framboesa, exantema polimorfo e edema de mãos e pés. Os exames laboratoriais revelam: PCR de 120 mg/L, plaquetas de 600.000/mm³ e leucocitose. Ecocardiograma realizado no 6o dia revela Z‑score de 2,7 na artéria coronária direita.De acordo com as diretrizes atuais da American Heart Association (AHA) de 2024, qual terapêutica está indicada nos pacientes classificados como alto risco na patologia em questão?
AImunoglobulina intravenosa 2 g/kg + corticoterapia ou agentes biológicos associada ao ácido acetilsalicílico.
BImunoglobulina intravenosa 1 g/kg + corticoterapia ou agentes biológicos associada ao ácido acetilsalicílico.
GabaritoA — Imunoglobulina intravenosa 2 g/kg + corticoterapia ou agentes biológicos associada ao ácido acetilsalicílico.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Doença de Kawasaki: tratamento conforme risco (AHA 2024)
Gabarito: letra A. O lactente apresenta quadro clássico de doença de Kawasaki (febre ≥ 5 dias, conjuntivite bilateral não purulenta, língua em framboesa, exantema polimorfo, edema de mãos e pés) com ecocardiograma mostrando Z-score de 2,7 na coronária direita, o que o classifica como alto risco conforme a diretriz da American Heart Association (AHA) de 2024. Para esses pacientes, a terapêutica indicada é imunoglobulina intravenosa (IGIV) 2 g/kg + corticoterapia ou agentes biológicos, associada ao ácido acetilsalicílico (AAS) — exatamente o que descreve a alternativa A.
A doença de Kawasaki é uma vasculite sistêmica aguda, de causa desconhecida, que acomete preferencialmente crianças menores de 5 anos e tem como principal complicação o desenvolvimento de aneurismas de artérias coronárias. O diagnóstico é essencialmente clínico, baseado na presença de febre persistente (≥ 5 dias) associada a pelo menos 4 dos 5 critérios clínicos principais: conjuntivite bilateral não purulenta, alterações em lábios e cavidade oral (língua em framboesa), exantema polimorfo, alterações em extremidades (edema de mãos e pés) e linfadenopatia cervical. No caso apresentado, o paciente preenche os critérios clínicos e ainda apresenta alteração ecocardiográfica (Z-score 2,7), o que confirma o diagnóstico e define a gravidade.
A diretriz da AHA de 2024 estratifica o risco dos pacientes com Kawasaki para orientar a intensidade do tratamento. A classificação de risco leva em conta a resposta à IGIV inicial, a gravidade clínica e, principalmente, o comprometimento coronariano avaliado pelo ecocardiograma, expresso pelo Z-score (desvio padrão do diâmetro da artéria coronária ajustado para a superfície corporal). Um Z-score ≥ 2,5 indica dilatação coronariana significativa e coloca o paciente na categoria de alto risco, como ocorre no lactente da questão (Z-score 2,7).
O tratamento de primeira linha para todos os pacientes com Kawasaki é a IGIV na dose de 2 g/kg em infusão única, associada ao AAS em dose anti-inflamatória (80–100 mg/kg/dia) durante a fase aguda, reduzindo-se para dose antiagregante (3–5 mg/kg/dia) após a defervescência. A novidade da diretriz de 2024 é a recomendação de terapia adjuvante precoce (corticoterapia ou agentes biológicos, como infliximabe) para pacientes de alto risco, com o objetivo de reduzir a incidência de aneurismas coronarianos. Essa terapia adjuvante é adicionada à IGIV e ao AAS, não substituindo nenhum deles.
A distinção crucial que a questão explora é entre a dose de IGIV (2 g/kg, e não 1 g/kg) e a necessidade de terapia adjuvante nos pacientes de alto risco. A dose de 1 g/kg não é a recomendada para o tratamento da doença de Kawasaki — ela é utilizada em outras condições, como púrpura trombocitopênica imune (PTI) ou algumas imunodeficiências. Além disso, a terapia adjuvante (corticosteroide ou biológico) é reservada aos pacientes de alto risco, não sendo indicada rotineiramente para todos. A banca monta os distratores justamente trocando a dose da IGIV e omitindo a terapia adjuvante, testando se o candidato conhece a estratificação de risco e o protocolo completo.
Guarde o tripé do tratamento de alto risco na Kawasaki: IGIV 2 g/kg + adjuvante (corticoide ou biológico) + AAS. É exatamente esse conjunto que separa a alternativa correta das demais.
Tratamento Kawasaki (AHA 2024)
1Base (todos)
IGIV 2 g/kg
AAS (anti-inflamatório → antiagregante)
2Alto risco (Z-score ≥ 2,5)
Adjuvante precoce
Corticoide
Biológico (infliximabe)
3Erros comuns
IGIV 1 g/kg (PTI/imunodeficiência)
Omitir adjuvante no alto risco
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Esta alternativa reproduz fielmente a recomendação da AHA 2024 para pacientes de alto risco: IGIV 2 g/kg + corticoterapia ou agentes biológicos + AAS. O paciente da questão é de alto risco (Z-score 2,7 na coronária direita), portanto a terapia adjuvante está indicada. A dose de IGIV correta é 2 g/kg, e o AAS faz parte do esquema em todas as fases do tratamento. Todos os elementos estão presentes e corretos.
Alternativa B — ❌ Incorreta
O erro está na dose da IGIV: 1 g/kg. A dose recomendada para o tratamento da doença de Kawasaki é 2 g/kg em infusão única. A dose de 1 g/kg não é a padronizada para essa doença — ela é usada em outras indicações, como imunodeficiências ou PTI. Embora a alternativa acerte ao incluir a terapia adjuvante e o AAS, a dose errada da IGIV a torna incorreta.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A alternativa acerta a dose da IGIV (2 g/kg) e o AAS, mas omite a terapia adjuvante (corticoterapia ou agentes biológicos), que é justamente o diferencial do tratamento para pacientes de alto risco. Como o lactente tem Z-score 2,7 (≥ 2,5), ele se enquadra nessa categoria e a diretriz de 2024 recomenda adicionar o adjuvante à IGIV e ao AAS. A ausência desse componente torna a alternativa incompleta e, portanto, incorreta.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Esta alternativa concentra dois erros: a dose de IGIV de 1 g/kg (o correto é 2 g/kg) e a omissão da terapia adjuvante, que é obrigatória nos pacientes de alto risco. Além disso, o AAS está presente, mas isso não compensa os outros dois desvios. A alternativa erra tanto na dose quanto na composição do esquema terapêutico.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora duas trocas clássicas: (1) a dose da IGIV — 2 g/kg é a dose correta para Kawasaki; 1 g/kg é usada em outras doenças (PTI, imunodeficiências) e aparece como distrator; (2) a terapia adjuvante — corticosteroide ou biológico é reservada aos pacientes de alto risco (Z-score ≥ 2,5), não sendo rotina para todos. O candidato que decora apenas "IGIV + AAS" cai nas alternativas C ou D; o que confunde a dose cai na B. Com treino, você enxerga essas trocas de longe 💪
PEGA ESSA DICA!
Para questões de Kawasaki, monte mentalmente o esquema em duas camadas: base (IGIV 2 g/kg + AAS) e adjuvante (corticoide ou biológico) — e pergunte sempre: "o paciente é de alto risco?" Se o Z-score for ≥ 2,5 ou houver falha à IGIV inicial, o adjuvante entra. Essa pergunta decide a alternativa na hora da prova.