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Questão de Medicina — Pediatria e Neonatologia — VUNESP 2025

MedicinaPediatria e Neonatologia
Código
vu093791
Banca
VUNESP
Órgão
HIAE
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Acesso Direto
Uma criança de 8 anos, previamente saudável, é avaliada por quadro de febre baixa, náuseas, prostração, dor abdominal e icterícia. Há 2 dias, os pais notaram urina escura e fezes claras. A criança frequenta escola pública, e, recentemente, colegas de classe apresentaram sintomas semelhantes. No exame, observam-se hepatomegalia dolorosa e icterícia. AST e ALT estão significativamente elevadas; bilirrubina total: 6,5 mg/dL (direta: 4,2 mg/dL). Aguarda resultado de sorologias.De acordo com os dados apresentados, a conduta imediata adequada consiste em
  1. Ainiciar antibioticoterapia empírica com ceftriaxona, devido à possibilidade de colangite aguda.
  2. Brealizar lavagem gástrica e uso de carvão ativado devido à suspeita de intoxicação exógena.
  3. Cinstituir medidas de suporte clínico e sintomático, com hidratação, alimentação leve e observação
  4. Diniciar tratamento com antivirais, como ribavirina, enquanto aguarda sorologia.
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GabaritoC — instituir medidas de suporte clínico e sintomático, com hidratação, alimentação leve e observação

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Hepatite viral aguda em criança: conduta imediata

Gabarito: letra C. O quadro clínico — febre baixa, náuseas, prostração, dor abdominal, icterícia, urina escura, fezes claras, hepatomegalia dolorosa, AST/ALT elevadas e bilirrubina predominantemente direta — é altamente sugestivo de hepatite viral aguda, especialmente hepatite A, considerando o contexto epidemiológico (escola pública, colegas com sintomas semelhantes). A conduta imediata é de suporte clínico e sintomático, com hidratação, alimentação leve e observação, enquanto se aguarda a confirmação sorológica. Não há indicação de antibioticoterapia, lavagem gástrica com carvão ativado ou antivirais nesse cenário.

A hepatite viral aguda é uma inflamação do fígado causada por vírus hepatotrópicos, sendo os mais comuns os vírus A, B e C. No caso apresentado, a transmissão fecal-oral (típica do vírus A) é a mais provável, dado o surto em ambiente escolar. A infecção pelo vírus A é geralmente autolimitada, especialmente em crianças, e o tratamento é essencialmente de suporte: repouso relativo, hidratação adequada, dieta leve e acompanhamento clínico e laboratorial. A maioria das crianças se recupera espontaneamente em poucas semanas, sem necessidade de internação, a menos que haja sinais de gravidade, como desidratação, vômitos incoercíveis, alteração do nível de consciência ou coagulopatia.

A avaliação laboratorial inicial deve incluir marcadores virais (sorologias para hepatite A, B e C), função hepática (TGO, TGP, bilirrubinas, FA, GGT), albumina e tempo de protrombina. A bilirrubina direta elevada (4,2 mg/dL de um total de 6,5 mg/dL) indica hiperbilirrubinemia conjugada, típica de lesão hepatocelular ou colestase. A distinção entre hepatite viral e outras causas de icterícia é fundamental: a presença de dor abdominal intensa e intermitente com irradiação para o dorso sugere obstrução biliar por litíase; a tríade de Charcot (febre, calafrios e dor no hipocôndrio direito) sugere colangite; e a história de uso de medicamentos ou produtos naturais levanta a suspeita de hepatite medicamentosa. No caso, a ausência desses sinais e o contexto epidemiológico reforçam a hipótese de hepatite viral aguda.

A conduta imediata, portanto, não envolve intervenções específicas ou empíricas, mas sim medidas de suporte e observação. A antibioticoterapia seria indicada apenas se houvesse suspeita de colangite ou outra infecção bacteriana, o que não é o caso. A lavagem gástrica e o carvão ativado são medidas para intoxicações exógenas, que não se encaixam no quadro. Os antivirais, como a ribavirina, são utilizados em casos específicos de hepatite C crônica, não na hepatite aguda suspeita de etiologia A. A conduta correta é aguardar a sorologia e oferecer suporte, monitorando a evolução clínica e laboratorial.

A pegadinha desta questão está em reconhecer que, apesar da gravidade aparente do quadro (icterícia, hepatomegalia), a conduta inicial na suspeita de hepatite viral aguda em criança é conservadora. O candidato pode ser tentado a iniciar tratamento específico ou a considerar complicações como colangite, mas a apresentação clínica e epidemiológica aponta para uma hepatite viral autolimitada, cujo manejo é de suporte. A chave é diferenciar as situações que exigem intervenção imediata (colangite, intoxicação, hepatite fulminante) daquelas que permitem observação e tratamento sintomático.

  1. 1Suspeita clínica e epidemiológica
  2. 2Suporte: hidratação e dieta leve
  3. 3Observação e monitoramento
  4. 4Aguardar sorologia
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Alternativa A — ❌ Incorreta

A antibioticoterapia empírica com ceftriaxona seria indicada na suspeita de colangite aguda, caracterizada pela tríade de Charcot (febre, calafrios e dor no hipocôndrio direito). No caso, a dor abdominal é difusa, sem sinais de obstrução biliar, e o contexto epidemiológico sugere hepatite viral, não infecção bacteriana. Iniciar antibiótico sem evidência de infecção bacteriana é inadequado e pode mascarar o quadro ou causar efeitos adversos.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A lavagem gástrica e o carvão ativado são medidas para intoxicações exógenas, como ingestão de substâncias tóxicas ou medicamentos. Não há história de exposição a toxinas, e o quadro clínico é compatível com hepatite viral. Além disso, a lavagem gástrica é um procedimento invasivo, com riscos, e não tem indicação neste cenário.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A conduta imediata adequada é instituir medidas de suporte clínico e sintomático, com hidratação, alimentação leve e observação. A hepatite viral aguda, especialmente a hepatite A, é autolimitada e o tratamento é de suporte. Aguardar a sorologia para confirmar a etiologia e monitorar a evolução é a abordagem correta. A hidratação previne a desidratação, a alimentação leve é bem tolerada e a observação permite identificar sinais de gravidade.

Alternativa D — ❌ Incorreta

O tratamento com antivirais, como a ribavirina, é indicado para hepatite C crônica, não para hepatite aguda suspeita de etiologia A. A ribavirina não é eficaz contra o vírus A e não há evidência de benefício na hepatite aguda. Iniciar antiviral sem confirmação sorológica é inadequado e pode causar efeitos adversos desnecessários.

Gabarito: letra C — a conduta imediata é suporte clínico e sintomático, com hidratação, alimentação leve e observação, enquanto se aguarda a sorologia.

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