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Questão de Medicina — Doenças Infecto-Parasitárias — VUNESP 2025

MedicinaDoenças Infecto-Parasitárias
Código
vu093793
Banca
VUNESP
Órgão
HIAE
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Acesso Direto
Menino de 14 anos apresenta febre alta há 7 dias, dor de garganta e surgimento de exantema maculopapular disseminado. Nega uso recente de antibióticos. Ao exame físico, observam-se exsudato amarelado em amídalas, linfadenopatia generalizada, esplenomegalia e hepatomegalia discretas. O exantema acomete tronco, face e membros, sem prurido.Considerando a principal hipótese diagnóstica, qual achado laboratorial é mais característico?
  1. AAnemia normocítica com reticulocitose.
  2. BLeucopenia intensa com neutropenia absoluta.
  3. CEosinofilia periférica significativa.
  4. DLinfocitose com presença de linfócitos atípicos.
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GabaritoD — Linfocitose com presença de linfócitos atípicos.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Mononucleose Infecciosa: Diagnóstico Laboratorial

Gabarito: letra D. O quadro clínico descrito — febre alta, exsudato amigdaliano, linfadenopatia generalizada, hepatoesplenomegalia e exantema maculopapular em adolescente — é clássico de mononucleose infecciosa, causada pelo vírus Epstein-Barr (EBV). O achado laboratorial mais característico dessa doença é a linfocitose com linfócitos atípicos no hemograma, que reflete a intensa resposta imune celular contra o vírus.

A mononucleose infecciosa é uma doença febril exantemática de etiologia viral, causada principalmente pelo vírus Epstein-Barr (EBV), um herpesvírus que infecta linfócitos B. A transmissão ocorre pela saliva, o que explica sua alta incidência em adolescentes e adultos jovens — daí o nome "doença do beijo". O período de incubação varia de 30 a 50 dias, e o quadro clínico clássico é a tríade febre, faringite/amigdalite exsudativa e linfadenopatia cervical, frequentemente acompanhada de hepatoesplenomegalia. O exantema maculopapular, presente em 5 a 10% dos casos, merece atenção especial: quando o paciente faz uso de ampicilina ou amoxicilina, a incidência do rash sobe para 80-100%, um fenômeno que não representa alergia verdadeira, mas sim uma reação imunológica peculiar da doença. No caso descrito, o paciente nega uso recente de antibióticos, o que afasta essa associação medicamentosa.

O diagnóstico laboratorial da mononucleose se apoia em três pilares: o hemograma, a sorologia e os testes heterófilos. No hemograma, o achado mais característico é a linfocitose absoluta (geralmente acima de 50% dos leucócitos, com contagem absoluta de linfócitos superior a 4.500/mm³) com presença de linfócitos atípicos (também chamados de linfócitos de Downey), que são linfócitos T citotóxicos ativados em resposta à infecção dos linfócitos B pelo EBV. Essas células apresentam citoplasma abundante, basofílico, com núcleo irregular e, por vezes, indentado, podendo ser confundidas com blastos leucêmicos — daí a importância de o patologista clínico reconhecer essa morfologia. A sorologia específica (anticorpos heterófilos, anti-VCA IgM e IgG, anti-EBNA) confirma o diagnóstico, sendo o anti-VCA IgM o marcador de infecção aguda. Os testes heterófilos (Monoteste) são rápidos e específicos, mas podem ser negativos nas primeiras semanas da doença, especialmente em crianças pequenas.

A distinção entre a mononucleose e outras doenças febris exantemáticas é crucial. O diagnóstico diferencial inclui infecção aguda pelo HIV (que também cursa com febre, faringite, linfadenopatia e exantema), citomegalovírus, toxoplasmose, rubéola, sarampo e reações medicamentosas. A tabela abaixo resume as principais diferenças laboratoriais:

Doença

Hemograma característico

Sorologia

Mononucleose (EBV)

Linfocitose com linfócitos atípicos

Heterófilos +, anti-VCA IgM +

HIV agudo

Linfopenia, linfócitos atípicos ocasionais

Antígeno p24, RNA-HIV, soroconversão

Citomegalovírus

Linfocitose com atípicos (menos intensa)

Anti-CMV IgM

Rubéola

Leucopenia, linfocitose relativa

Anti-rubéola IgM

Sarampo

Leucopenia, linfocitose relativa

Anti-sarampo IgM

A pegadinha central desta questão está em reconhecer que o exantema maculopapular, embora seja um achado comum em várias doenças virais, quando associado à tríade febre + amigdalite exsudativa + linfadenopatia generalizada em adolescente, aponta fortemente para mononucleose. O candidato que se fixa apenas no exantema pode ser levado a pensar em sarampo ou rubéola, mas a presença de exsudato amigdaliano e hepatoesplenomegalia direciona o raciocínio para o EBV. Além disso, a negação do uso de antibióticos é um dado proposital: se o paciente tivesse feito uso de amoxicilina, o exantema seria ainda mais sugestivo de mononucleose, mas a ausência desse dado não afasta a hipótese.

Guarde o critério decisivo: em adolescente com febre, amigdalite exsudativa, linfadenopatia e hepatoesplenomegalia, o hemograma que mostra linfocitose com linfócitos atípicos é o achado que fecha o diagnóstico de mononucleose infecciosa. É exatamente esse padrão que as alternativas exploram.

1Quadro clínico clássico
Febre alta
Amigdalite exsudativa
Linfadenopatia generalizada
Hepatoesplenomegalia
2Hemograma característico
Linfocitose absoluta
Linfócitos atípicos (Downey)
3Diagnóstico diferencial
HIV agudo
Citomegalovírus
Rubéola
Sarampo
Mononucleose infecciosa (EBV)
LEVELsoulevel.com.br
Mononucleose infecciosa (EBV): Quadro clínico clássico (Febre alta, Amigdalite exsudativa, Linfadenopatia generalizada, Hepatoesplenomegalia); Hemograma característico (Linfocitose absoluta, Linfócitos atípicos (Downey)); Diagnóstico diferencial (HIV agudo, Citomegalovírus, Rubéola, Sarampo)

Alternativa A — ❌ Incorreta

Anemia normocítica com reticulocitose sugere hemólise ou sangramento, não é um achado característico da mononucleose. Embora anemia leve possa ocorrer em infecções virais, não é o marcador laboratorial que define a doença. A reticulocitose indica resposta medular à anemia, mecanismo que não é central na fisiopatologia da mononucleose.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Leucopenia intensa com neutropenia absoluta é típica de infecções virais como dengue, influenza ou HIV agudo, mas não da mononucleose. Na mononucleose, o padrão é o oposto: há leucocitose com linfocitose, e não leucopenia. A neutropenia pode ocorrer de forma leve e transitória, mas não é o achado mais característico.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Eosinofilia periférica significativa é um marcador de doenças parasitárias, reações alérgicas ou drogas, não de infecção viral aguda como a mononucleose. A eosinofilia não faz parte do perfil hematológico da mononucleose infecciosa, que é dominado pela linfocitose.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A linfocitose com presença de linfócitos atípicos é o achado laboratorial mais característico da mononucleose infecciosa. A infecção pelo EBV estimula uma intensa proliferação de linfócitos T citotóxicos (os linfócitos atípicos) em resposta à infecção dos linfócitos B, resultando em linfocitose absoluta no sangue periférico. Esse padrão é tão típico que, na presença do quadro clínico compatível, praticamente confirma o diagnóstico.

PEGA ESSA DICA!

Na prova, quando o enunciado descrever um adolescente com febre, amigdalite exsudativa, linfadenopatia e hepatoesplenomegalia, lembre-se da tríade "febre + amigdalite + adenopatia = mononucleose". O hemograma com linfocitose e linfócitos atípicos é o achado que você deve procurar nas alternativas. E desconfie de qualquer alternativa que traga eosinofilia ou leucopenia intensa — elas apontam para outros diagnósticos.

Gabarito: letra D

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