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Questão de Medicina — Pediatria e Neonatologia — VUNESP 2025

MedicinaPediatria e Neonatologia
Código
vu093794
Banca
VUNESP
Órgão
HIAE
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Acesso Direto
Lactente de 6 meses, irmão de criança com alergia alimentar grave a castanhas, encontra-se em fase de introdução alimentar. Considerando o risco aumentado para alergia alimentar, qual a orientação adequada, conforme as diretrizes atuais?
  1. AMensurar as IgE específicas para os alimentos mais alergênicos (leite, ovo, peixes, amendoim e castanhas) antes da introdução.
  2. BPostergar a introdução de alimentos potencialmente alergênicos para depois do primeiro ano de vida.
  3. CIniciar qualquer alimento a partir deste momento, respeitando valor nutricional e cultura alimentar.
  4. DEvitar castanhas e utilizar fórmula extensamente hidrolisada caso seja necessário complementar o leite materno.
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GabaritoC — Iniciar qualquer alimento a partir deste momento, respeitando valor nutricional e cultura alimentar.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Alergia alimentar e introdução alimentar: diretrizes atuais

Gabarito: letra C. As diretrizes atuais, incluindo as da Sociedade Brasileira de Pediatria, recomendam que, na ausência de alergia alimentar já diagnosticada no lactente, todos os alimentos, inclusive os potencialmente alergênicos, podem ser introduzidos a partir dos 6 meses, respeitando o valor nutricional e a cultura alimentar da família. A orientação de postergar a introdução de alimentos alergênicos (alternativa B) foi abandonada, pois estudos demonstram que a introdução precoce, e não tardia, diminui o risco de alergia alimentar.

A alergia alimentar é uma reação adversa mediada por mecanismos imunológicos, que pode ser IgE-mediada, não-IgE-mediada ou mista. O risco aumentado de alergia em irmãos de crianças com alergia alimentar grave é um fator que exige atenção, mas não contraindica a introdução precoce de alimentos. Pelo contrário, a evidência atual mostra que a exposição oral precoce e continuada a pequenas quantidades do alimento induz à tolerância oral, reduzindo o risco de sensibilização.

A recomendação de não restringir a dieta da mãe durante a gestação e lactação, exceto em casos de alergia já diagnosticada no bebê, também é um ponto importante. A restrição alimentar materna sem diagnóstico preciso pode levar a deficiências nutricionais e não previne alergias no lactente.

A conduta correta, portanto, é iniciar a alimentação complementar aos 6 meses, oferecendo todos os alimentos, um de cada vez, em pequenas quantidades, observando possíveis reações. A introdução deve ser gradual, mas não postergada. A mensuração de IgE específica antes da introdução (alternativa A) não é recomendada como rotina, pois a sensibilização (IgE positiva) nem sempre significa alergia clínica. A alternativa D, que sugere evitar castanhas e usar fórmula extensamente hidrolisada, também não é a conduta inicial recomendada, pois a restrição deve ser individualizada e baseada em sintomas, não em prevenção.

A pegadinha desta questão está em associar o risco aumentado de alergia (irmão com alergia grave) à necessidade de postergar ou evitar alimentos alergênicos. A banca explora a intuição de que, em crianças de risco, deve-se adiar a introdução. No entanto, a ciência atual mostra o oposto: a introdução precoce é protetora.

Introdução alimentar (6 meses)
  • 1Diretrizes atuais (SBP, ESPGHAN, AAP)
    • Oferecer todos os alimentos
    • Incluir potencialmente alergênicos
    • Introdução precoce induz tolerância oral
  • 2Risco aumentado (irmão com alergia)
    • Não contraindica introdução precoce
    • Exposição oral continuada protege
  • 3Condutas abandonadas
    • Postergar alimentos alergênicos
    • Restrição materna sem diagnóstico
    • IgE prévia como rotina
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Alternativa A — ❌ Incorreta

A mensuração de IgE específica para alimentos antes da introdução não é recomendada como rotina, mesmo em crianças de risco. A presença de IgE específica (sensibilização) não confirma alergia clínica; muitos lactentes sensibilizados toleram o alimento. O diagnóstico de alergia alimentar é clínico, e o teste de provocação oral é o padrão-ouro quando há dúvida. A conduta preventiva não se baseia em dosagens prévias, mas na introdução precoce e monitorada dos alimentos.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Esta é a orientação ultrapassada e que a banca usa como distrator. Postergar a introdução de alimentos potencialmente alergênicos para depois do primeiro ano de vida aumenta o risco de alergia alimentar, conforme evidências atuais. Estudos como o LEAP (Learning Early About Peanut Allergy) demonstraram que a introdução precoce de amendoim reduz significativamente o risco de alergia em crianças de alto risco. A recomendação atual é introduzir todos os alimentos a partir dos 6 meses, incluindo amendoim, ovo, peixe e castanhas.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Esta alternativa reflete a recomendação atual das diretrizes (SBP, ESPGHAN, AAP): iniciar a alimentação complementar aos 6 meses, oferecendo qualquer alimento, respeitando o valor nutricional e a cultura alimentar. A introdução deve ser feita de forma gradual, um alimento por vez, em pequenas quantidades, observando reações. Não há necessidade de evitar alimentos alergênicos, mesmo em crianças com histórico familiar de alergia. A introdução precoce induz tolerância oral e reduz o risco de alergia.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Evitar castanhas e usar fórmula extensamente hidrolisada não é a conduta preventiva recomendada. A restrição de alimentos deve ser individualizada, baseada em sintomas clínicos de alergia no lactente, não em prevenção. A fórmula extensamente hidrolisada é indicada para o tratamento de alergia à proteína do leite de vaca já diagnosticada, não para prevenção em crianças de risco. O aleitamento materno deve ser mantido e a introdução de alimentos, inclusive castanhas, deve seguir o calendário normal.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a associação intuitiva entre "risco aumentado de alergia" e "postergar/evitar alimentos alergênicos". Essa lógica foi abandonada pela ciência. A introdução precoce é protetora, e a restrição só se justifica após diagnóstico de alergia. Memorize: risco aumentado ≠ adiar introdução; risco aumentado = introduzir precocemente e monitorar.

Gabarito: letra C

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