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Questão de Medicina — Pediatria e Neonatologia — VUNESP 2025

MedicinaPediatria e Neonatologia
Código
vu093796
Banca
VUNESP
Órgão
HIAE
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Acesso Direto
Menina de 1 ano e 8 meses, previamente saudável, apresenta febre há 3 dias, irritabilidade, recusa alimentar e vômitos isolados. Ao exame, encontra-se em mau estado geral, febril (38,8 ºC), taquicárdica, com dor à palpação do flanco esquerdo. Exames laboratoriais revelam leucocitose de 16.000/mm³ , neutrofilia, leucocitúria +++, hematúria microscópica e nitrito positivo. Urocultura por cateterismo foi coletada, e o antibiograma estará disponível em 72h.Frente aos achados clínico-laboratoriais, qual o manejo terapêutico apropriado?
  1. ACeftriaxona intravenosa e troca para antibiótico oral após 48h sem febre.
  2. BCefalexina por via oral por 10 dias, com reavaliação ambulatorial em 48h.
  3. CManutenção de suporte clínico até que saia o resultado da urocultura.
  4. DCiprofloxacina por via intravenosa até que saia o resultado da urocultura.
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GabaritoA — Ceftriaxona intravenosa e troca para antibiótico oral após 48h sem febre.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Pielonefrite aguda em pediatria: manejo terapêutico

Gabarito: letra A. A criança apresenta quadro clínico-laboratorial compatível com pielonefrite aguda (febre alta, mau estado geral, dor lombar, leucocitose com neutrofilia, leucocitúria, hematúria e nitrito positivo), o que exige antibioticoterapia parenteral empírica imediata — a ceftriaxona intravenosa é a escolha apropriada — com transição para via oral após 48 horas de apirexia, conforme as diretrizes de tratamento de infecção do trato urinário febril em crianças. As demais alternativas falham por subtratar (via oral inadequada para quadro sistêmico), por postergar o tratamento (aguardar urocultura) ou por usar antibiótico de espectro excessivamente amplo e com perfil de resistência desfavorável (ciprofloxacina) sem indicação de primeira linha.

A pielonefrite aguda é a infecção do trato urinário que acomete o parênquima renal e a pelve renal, sendo a apresentação mais grave da infecção urinária na infância. O diagnóstico é essencialmente clínico-laboratorial: febre ≥ 38,5 °C, calafrios, dor lombar ou abdominal, vômitos, prostração, associados a leucocitúria, hematúria e nitrito positivo na urinálise. Em crianças pequenas, os sintomas podem ser inespecíficos (irritabilidade, recusa alimentar), mas a presença de febre alta com mau estado geral e dor à palpação do flanco direciona fortemente para o diagnóstico. A confirmação é feita pela urocultura, que deve ser coletada antes do início do antibiótico, preferencialmente por cateterismo vesical ou punção suprapúbica em crianças que não controlam esfíncter.

O tratamento da pielonefrite aguda em pediatria tem dois objetivos fundamentais: erradicar a infecção e prevenir a formação de cicatriz renal (nefropatia cicatricial), que pode levar a hipertensão arterial e doença renal crônica. Por isso, o início precoce da antibioticoterapia é crucial. Em crianças com comprometimento do estado geral, vômitos ou impossibilidade de uso de via oral, a via parenteral é obrigatória. A ceftriaxona é uma cefalosporina de terceira geração, com excelente cobertura para os uropatógenos mais comuns (Escherichia coli, Klebsiella spp., Proteus mirabilis), boa penetração no parênquima renal e posologia de dose única diária, o que facilita o tratamento hospitalar ou em regime de hospital-dia.

A duração total do tratamento da pielonefrite aguda é de 7 a 14 dias. A estratégia de terapia sequencial (step-down) é amplamente recomendada: inicia-se com antibiótico parenteral e, após 48 a 72 horas de melhora clínica e apirexia, faz-se a troca para antibiótico oral de espectro similar (ex.: cefalosporina oral ou amoxicilina-clavulanato), completando o ciclo. Essa abordagem reduz o tempo de internação, os custos e o desconforto do paciente, sem comprometer a eficácia. Aguardar o resultado da urocultura para iniciar o tratamento é conduta inadequada, pois o atraso aumenta o risco de complicações e cicatriz renal. O uso de ciprofloxacina como primeira escolha em pediatria é desencorajado por seu perfil de resistência bacteriana crescente e por seu potencial de efeitos adversos em crianças (artropatia em animais imaturos), sendo reservada para casos específicos com sensibilidade comprovada.

A alternativa B (cefalexina oral) seria adequada para uma cistite (infecção baixa, sem febre e sem comprometimento sistêmico), mas é insuficiente para pielonefrite, pois a cefalexina tem baixa penetração no parênquima renal e espectro limitado. A alternativa C (aguardar urocultura) é um erro grave, pois posterga o tratamento de uma infecção potencialmente grave. A alternativa D (ciprofloxacina IV) usa um antibiótico de reserva, com espectro excessivamente amplo, sem indicação de primeira linha para pielonefrite não complicada em criança previamente hígida.

A pegadinha central desta questão é a confusão entre o tratamento da cistite (infecção baixa) e o da pielonefrite (infecção alta): na cistite, o tratamento oral com cefalosporina de primeira geração (cefalexina) por 7 a 10 dias é suficiente; na pielonefrite, a via parenteral inicial é mandatória. A banca explora exatamente essa fronteira, oferecendo a alternativa B como distrator atraente para quem não diferencia os dois quadros. Além disso, a alternativa D tenta seduzir com um antibiótico "mais forte", mas o critério não é a potência e sim a adequação do espectro e a segurança.

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A conduta descrita — ceftriaxona intravenosa com troca para antibiótico oral após 48h sem febre — é exatamente o manejo recomendado para pielonefrite aguda em criança com comprometimento sistêmico. A ceftriaxona é a cefalosporina de terceira geração de escolha para tratamento parenteral empírico, e a transição para via oral após 48 horas de apirexia caracteriza a terapia sequencial (step-down), que mantém a eficácia com menor tempo de internação. O quadro clínico (febre alta, mau estado geral, dor lombar, vômitos) contraindica a via oral inicial e justifica plenamente a via parenteral.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A cefalexina oral é uma cefalosporina de primeira geração, indicada para cistite (infecção urinária baixa, sem febre e sem comprometimento sistêmico). Nesta paciente, com febre alta, mau estado geral, dor lombar e vômitos, o quadro é de pielonefrite aguda, que exige antibioticoterapia parenteral inicial. Além disso, a cefalexina tem baixa penetração no parênquima renal e espectro limitado, sendo insuficiente para tratar infecção alta. A via oral também é inadequada diante de vômitos, que comprometem a absorção do medicamento.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Aguardar o resultado da urocultura (72h) para iniciar o tratamento é conduta inadequada e perigosa. Na pielonefrite aguda, o atraso no início da antibioticoterapia aumenta o risco de complicações, como abscesso renal, sepse e formação de cicatriz renal (nefropatia cicatricial), que pode evoluir para hipertensão arterial e doença renal crônica. O tratamento empírico deve ser iniciado imediatamente após a coleta da urocultura, com base no quadro clínico e nos achados laboratoriais, e ajustado posteriormente conforme o antibiograma.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A ciprofloxacina intravenosa não é a primeira escolha para pielonefrite aguda em pediatria. Trata-se de um antibiótico de reserva, com espectro excessivamente amplo, cujo uso indiscriminado contribui para o aumento da resistência bacteriana. Além disso, as fluoroquinolonas têm potencial de efeitos adversos em crianças (artropatia em animais imaturos), sendo reservadas para casos específicos com sensibilidade comprovada a outros antibióticos. A ceftriaxona é a opção mais adequada por sua cobertura, segurança e posologia.

Gabarito: letra A — ceftriaxona intravenosa com transição para via oral após 48h sem febre, conforme o manejo padrão da pielonefrite aguda em pediatria.

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