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Questão de Medicina — Pediatria e Neonatologia — VUNESP 2025

MedicinaPediatria e Neonatologia
Código
vu093797
Banca
VUNESP
Órgão
HIAE
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Acesso Direto
Menino de 10 anos, portador de anemia falciforme, é admitido com febre, dor torácica e taquipneia. A gasometria arterial revela PaO₂ de 55 mmHg, e a radiografia de tórax demonstra infiltrado pulmonar multilobar, confirmando o diagnóstico de síndrome torácica aguda (STA). Iniciado tratamento com oxigenoterapia, hidratação venosa, ceftriaxona e azitromicina. Após 24 horas, a saturação de oxigênio permanece abaixo de 90%, e a hemoglobina caiu para 6,5 g/dL.Qual a conduta imediata indicada nesse momento?
  1. AIntroduzir corticosteroide sistêmico em alta dose.
  2. BIndicar transfusão sanguínea, simples ou de troca.
  3. CIniciar anticoagulação profilática com heparina.
  4. DObservar por 24h em UTI com suporte clínico.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — Indicar transfusão sanguínea, simples ou de troca.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Síndrome Torácica Aguda na Anemia Falciforme: Transfusão como Conduta Imediata

Gabarito: letra B. Na síndrome torácica aguda (STA) complicada — hipoxemia persistente (SpO₂ < 90%) e queda importante da hemoglobina (6,5 g/dL) após 24h de suporte clínico — a transfusão sanguínea, simples ou de troca (eritrocitoaférese), é a conduta imediata indicada, pois melhora rapidamente a oxigenação e interrompe o ciclo vaso-oclusivo pulmonar. As diretrizes de manejo da STA recomendam transfusão nos casos moderados a graves, com alvo de Hb ≥ 10 g/dL e, na troca, HbS < 30%.

A síndrome torácica aguda é a complicação pulmonar mais grave e a principal causa de morte na anemia falciforme. Ela se define pela presença de um infiltrado pulmonar novo na radiografia de tórax, acompanhado de pelo menos um sintoma respiratório — dor torácica, febre, taquipneia, tosse, sibilância ou hipoxemia. O mecanismo envolve vaso-oclusão pulmonar, infarto e infecção, criando um ciclo de hipóxia que aumenta a falcização e piora o quadro. Por isso, o tratamento é agressivo e precoce: oxigenioterapia, hidratação, analgesia, antibióticos de amplo espectro (cefalosporina de 3ª geração + macrolídeo) e espirometria de incentivo.

A transfusão atua quebrando esse ciclo: ao elevar a hemoglobina e diluir as hemácias falcizadas (HbS), melhora a oferta de oxigênio aos tecidos e reduz novos eventos vaso-oclusivos. Na STA, a transfusão simples é indicada quando há queda da Hb ou hipoxemia moderada; a transfusão de troca (eritrocitoaférese) é preferida nos casos graves — envolvimento multilobar, necessidade de alto fluxo de O₂ ou piora clínica — pois reduz a HbS de forma mais eficaz e rápida, sem risco de sobrecarga volêmica. No caso apresentado, o paciente tem infiltrado multilobar (grave), SpO₂ < 90% e Hb de 6,5 g/dL, configurando indicação clara de transfusão imediata.

A pegadinha da questão está em distinguir quando a transfusão é necessária de quando se pode apenas observar. A STA leve pode ser manejada com suporte clínico, mas a presença de hipoxemia persistente e anemia significativa após 24h de tratamento indica falha do suporte inicial e necessidade de intervenção transfusional. Corticosteroides não têm papel estabelecido na STA; anticoagulação profilática é medida adjuvante, não a conduta imediata principal; e observar por mais 24h sem intervenção ativa, diante de um quadro grave, seria conduta inadequada.

Guarde o critério decisivo: na STA, a transfusão é indicada quando há hipoxemia (PaO₂ < 60 mmHg ou SpO₂ < 90%) que não responde ao suporte inicial, queda da hemoglobina, ou envolvimento multilobar — é exatamente nesse ponto que as alternativas se dividem.

  1. 1Suporte inicial (O₂, hidratação, ATB)
  2. 2Avaliar gravidade (hipoxemia, Hb, lobos)
  3. 3[+] Transfusão simples ou de troca
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Alternativa A — ❌ Incorreta

O corticosteroide sistêmico em alta dose não é indicado no manejo da STA. Não há evidência de benefício e pode aumentar o risco de complicações, como infecções. O tratamento da STA se baseia em suporte (O₂, hidratação, analgesia), antibióticos e transfusão quando necessário — não em imunossupressão.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A transfusão sanguínea, simples ou de troca, é a conduta imediata indicada. O paciente apresenta critérios de gravidade: infiltrado multilobar, SpO₂ < 90% apesar de oxigenioterapia e Hb de 6,5 g/dL. A transfusão simples eleva a Hb e melhora a oxigenação; a transfusão de troca (eritrocitoaférese) é preferível nos casos graves, com alvo de HbS < 30% e Hb ≥ 10 g/dL, pois reduz rapidamente a proporção de hemácias falcizadas.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A anticoagulação profilática com heparina é uma medida adjuvante na STA, indicada para prevenção de trombose venosa profunda em pacientes acamados, mas não é a conduta imediata principal diante de hipoxemia e anemia graves. A prioridade é a transfusão para corrigir a hipóxia e interromper a vaso-oclusão.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Observar por 24h em UTI com suporte clínico não é suficiente neste caso. O paciente já recebeu suporte inicial (O₂, hidratação, antibióticos) e piorou — SpO₂ < 90% e Hb caiu para 6,5 g/dL. A conduta expectante retardaria a intervenção necessária e aumentaria o risco de complicações graves, como insuficiência respiratória e óbito.

NÃO CAIA NESSA!

A banca tenta fazer você acreditar que "suporte clínico" é suficiente, mas o quadro já é grave (multilobar + hipoxemia + anemia). A transfusão é a única intervenção que quebra o ciclo vaso-oclusivo e melhora a oxigenação de forma imediata. Fique atento: na STA, hipoxemia persistente ou queda de Hb são gatilhos para transfundir, não para esperar.

PEGA ESSA DICA!

Memorize os critérios de gravidade da STA que indicam transfusão: (1) PaO₂ < 60 mmHg ou SpO₂ < 90% em ar ambiente; (2) envolvimento de 3 ou mais lobos; (3) queda de Hb > 1 g/dL em relação ao basal; (4) necessidade de suporte ventilatório. Se qualquer um estiver presente, a transfusão é mandatória.

Gabarito: letra B

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