Questão de Medicina — Gastroenterologia — VUNESP 2025
Medicina›Gastroenterologia
Código
vu093801
Banca
VUNESP
Órgão
HIAE
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Acesso Direto
Após colecistectomia laparoscópica em um homem de 55 anos, observa-se, durante análise macroscópica, que a vesícula biliar encontra-se muito distendida e preenchida por líquido transparente, semelhante à água, sem bile no interior.Qual é o achado mais provável associado a esse quadro?
ALesão neoplásica mucinosa da mucosa vesicular.
BOrifício fistuloso com comunicação pancreatobiliar.
CCálculo biliar impactado no infundíbulo/ducto cístico.
DEspessamento difuso da parede da vesícula por colecistite aguda enfisematosa.
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GabaritoC — Cálculo biliar impactado no infundíbulo/ducto cístico.
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Hidropsia vesicular: a vesícula de "água"
Gabarito: letra C. A vesícula biliar distendida e preenchida por líquido claro, sem bile, é o achado clássico da hidropsia vesicular (mucocele), causada pela obstrução crônica do ducto cístico por um cálculo impactado — a bile é reabsorvida e substituída por muco secretado pela mucosa vesicular. As demais alternativas não explicam o quadro: lesão mucinosa não preenche a vesícula com líquido claro, fístula pancreatobiliar cursaria com conteúdo bilioso/pancreático e a colecistite enfisematosa tem gás na parede, não líquido claro.
A hidropsia vesicular é uma complicação da colelitíase que ocorre quando um cálculo obstrui de forma persistente o ducto cístico, sem que haja infecção associada. O que acontece é um processo em duas etapas: primeiro, a bile fica retida e é progressivamente reabsorvida pela mucosa vesicular; depois, a própria mucosa continua secretando muco, que vai preenchendo a vesícula. O resultado é uma vesícula distendida, tensa e preenchida por um líquido claro, viscoso, semelhante a água — daí o nome "hidropsia" (água) ou "mucocele" (muco). É um quadro que pode ser assintomático ou causar dor no hipocôndrio direito, e o risco principal é a superinfecção bacteriana, que converte a hidropsia em empiema vesicular (pus na vesícula).
O diagnóstico é feito por ultrassonografia, que mostra a vesícula distendida, com parede fina (diferente da colecistite aguda, que tem parede espessada) e conteúdo anecoico (líquido claro). A cintilografia com HIDA mostra falha de enchimento da vesícula, confirmando a obstrução do ducto cístico. O tratamento é a colecistectomia, que já foi realizada no paciente do enunciado — a análise macroscópica da peça cirúrgica é que revelou o achado.
A distinção crucial aqui é entre hidropsia e colecistite aguda: na hidropsia, a obstrução é crônica e não há inflamação significativa (parede fina, líquido claro); na colecistite aguda, a obstrução é aguda e há inflamação (parede espessada, líquido pericolecístico, dor, febre). A banca explora exatamente essa confusão: o enunciado descreve uma vesícula distendida com líquido claro, que é o oposto do que se vê na colecistite aguda típica.
NÃO CAIA NESSA!
A banca descreve uma vesícula distendida com líquido claro e o candidato associa automaticamente a colecistite aguda (que tem parede espessada e líquido pericolecístico). Mas o achado de líquido claro, sem bile, é o oposto: é a hidropsia vesicular, consequência da obstrução crônica do ducto cístico por cálculo. A colecistite aguda teria parede espessada, conteúdo bilioso/purulento e sinais inflamatórios — não líquido "semelhante à água".
Uma lesão neoplásica mucinosa (como um cistadenoma ou adenocarcinoma mucinoso) poderia, em tese, causar distensão vesicular, mas o conteúdo seria muco espesso e gelatinoso, não líquido claro "semelhante à água". Além disso, a hidropsia por obstrução do ducto cístico é um quadro muito mais comum e típico. A neoplasia mucinosa costuma se apresentar como massa ou espessamento focal, não como distensão difusa com líquido claro.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Uma fístula com comunicação pancreatobiliar (como na junção anômala pancreatobiliar) permitiria a passagem de suco pancreático para a vesícula, mas o conteúdo seria bilioso ou com aspecto de suco pancreático, não líquido claro. Além disso, a fístula não é causa típica de hidropsia vesicular — a obstrução do ducto cístico por cálculo é a causa clássica.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
O cálculo biliar impactado no infundíbulo ou no ducto cístico obstrui a saída da vesícula de forma crônica. A bile retida é reabsorvida e a mucosa continua secretando muco, resultando na hidropsia vesicular: vesícula distendida, preenchida por líquido claro, sem bile. É exatamente o quadro descrito no enunciado. A obstrução do ducto cístico é a causa mais comum de hidropsia, e o cálculo impactado é o agente obstrutivo mais frequente.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A colecistite aguda enfisematosa é causada por bactérias formadoras de gás (Clostridium, E. coli, Klebsiella) e se caracteriza por gás na parede ou no lúmen da vesícula, além de parede espessada e conteúdo purulento. O enunciado descreve líquido claro, sem bile — não há gás, nem pus, nem espessamento parietal. A colecistite enfisematosa é um quadro grave, com alta morbimortalidade, e não se apresenta com líquido "semelhante à água".
Gabarito: letra C — cálculo biliar impactado no infundíbulo/ducto cístico, causando hidropsia vesicular.