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Questão de Medicina — Cirurgia Geral — VUNESP 2025

MedicinaCirurgia Geral
Código
vu093802
Banca
VUNESP
Órgão
HIAE
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Acesso Direto
Homem de 47 anos foi submetido a hemorroidectomia aberta por doença hemorroidária grau III pela técnica de Milligan-Morgan. Evoluiu bem no pós-operatório imediato. Entretanto, cerca de 4 semanas após a cirurgia, passou a apresentar evacuações progressivamente difíceis, fezes afiladas e dor anal persistente.O mecanismo mais provavelmente responsável por esse quadro é a
  1. Aressecção excessiva da mucosa e pele anorretal.
  2. Blesão inadvertida de fibras nervosas do esfíncter anal externo.
  3. Cinfecção tardia do leito cirúrgico, determinando estreitamento secundário.
  4. Ddeiscência parcial da ferida operatória, com formação de cicatriz irregular e retração subsequente
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GabaritoA — ressecção excessiva da mucosa e pele anorretal.

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Estenose anal pós-hemorroidectomia

Gabarito: letra A. O quadro de evacuações difíceis, fezes afiladas e dor anal persistente cerca de 4 semanas após hemorroidectomia aberta é classicamente causado por estenose anal, cujo mecanismo mais comum é a ressecção excessiva de mucosa e pele anorretal durante a cirurgia, levando à cicatrização com estreitamento do canal anal. As demais alternativas descrevem complicações possíveis, mas não explicam diretamente o mecanismo fisiopatológico mais provável desse quadro específico.

A estenose anal é uma complicação tardia bem reconhecida da hemorroidectomia, especialmente quando há remoção excessiva de tecido epitelial (mucosa e pele) do canal anal. Durante a cicatrização, a perda de tecido epitelial leva à formação de tecido cicatricial que contrai e estreita o lúmen anal. Isso explica os sintomas apresentados pelo paciente: evacuações progressivamente difíceis (devido à resistência ao esvaziamento), fezes afiladas (porque o bolo fecal é moldado pelo canal estreitado) e dor anal persistente (pela passagem forçada das fezes por uma área estenosada e pela inflamação local).

O diagnóstico é essencialmente clínico, baseado na história e no exame físico, incluindo o toque retal, que pode revelar um canal anal estreito e fibrosado. A prevenção é o aspecto mais importante: a técnica cirúrgica deve preservar pontes adequadas de mucosa e pele entre as áreas ressecadas, evitando a excisão circunferencial excessiva. O tratamento da estenose estabelecida pode variar desde medidas conservadoras (dilatação anal, aumento de fibras na dieta) até procedimentos cirúrgicos como anoplastia com retalhos de avanço.

É importante distinguir a estenose anal de outras complicações pós-operatórias. A lesão do esfíncter anal externo (alternativa B) causaria, em geral, incontinência fecal, não obstrução. A infecção tardia (alternativa C) poderia levar a abscesso ou fístula, mas o estreitamento por infecção é menos comum e geralmente associado a outros sinais flogísticos. A deiscência parcial da ferida (alternativa D) é uma complicação precoce, que ocorre nos primeiros dias, e não tipicamente após 4 semanas, embora possa contribuir para cicatrização irregular e, em última análise, para estenose, mas a ressecção excessiva é o mecanismo mais diretamente relacionado ao quadro descrito.

A chave para esta questão é reconhecer que a estenose anal pós-hemorroidectomia é uma complicação tardia (semanas a meses) e que o mecanismo fisiopatológico central é a perda excessiva de tecido epitelial durante a ressecção, levando à cicatrização por segunda intenção com retração e estreitamento. As outras alternativas representam complicações que não se encaixam no quadro clínico apresentado ou no tempo de evolução.

  1. 1Ressecção excessiva de mucosa/pele
  2. 2Cicatrização com retração
  3. 3Estreitamento do canal anal
  4. 4Evacuação difícil, fezes afiladas, dor
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A ressecção excessiva de mucosa e pele anorretal é o mecanismo mais provável e clássico de estenose anal pós-hemorroidectomia. A perda de tecido epitelial durante a cirurgia leva à cicatrização com formação de tecido cicatricial que contrai e estreita o canal anal, causando os sintomas descritos: evacuações difíceis, fezes afiladas e dor anal persistente. Este é o mecanismo fisiopatológico central da estenose anal pós-operatória.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A lesão inadvertida de fibras nervosas do esfíncter anal externo causaria, em geral, disfunção esfincteriana com incontinência fecal, não obstrução à evacuação. O quadro apresentado é de dificuldade evacuatória e fezes afiladas, compatível com estreitamento anatômico, não com lesão neurológica. Além disso, a lesão do esfíncter externo é uma complicação menos comum e não tipicamente associada ao quadro de estenose.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A infecção tardia do leito cirúrgico determinando estreitamento secundário é uma possibilidade, mas não é o mecanismo mais provável. Infecções pós-operatórias geralmente se manifestam com dor, febre, secreção purulenta e, em casos mais graves, abscesso ou fístula. O estreitamento por infecção seria uma consequência indireta e menos comum, e o quadro descrito não apresenta sinais flogísticos típicos. A ressecção excessiva é a causa mais direta e frequente de estenose.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A deiscência parcial da ferida operatória com formação de cicatriz irregular e retração subsequente é uma complicação que pode ocorrer, mas geralmente se manifesta nos primeiros dias ou semanas após a cirurgia, com dor, sangramento e separação das bordas da ferida. O quadro apresentado, com início cerca de 4 semanas após a cirurgia e evolução progressiva, é mais compatível com estenose por ressecção excessiva do que com deiscência aguda. Embora a deiscência possa contribuir para cicatrização irregular, o mecanismo mais provável e diretamente relacionado ao quadro é a ressecção excessiva de tecido.

Gabarito: letra A

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