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Questão de Medicina — Clínica Médica Humana — VUNESP 2025

MedicinaClínica Médica Humana
Código
vu093808
Banca
VUNESP
Órgão
HIAE
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Acesso Direto
Mulher de 48 anos vem com queixa de nódulo cervical de aparecimento há 2 meses. Nega sintomas localizados, mas acredita estar havendo crescimento. Nega febre, sudorese noturna, perda de peso, infecções recentes, tabagismo ou etilismo. À palpação cervical, apresenta nódulo palpável em nível II direito de 2 cm, consistência firme, móvel, indolor e sem sinais flogísticos. Sem outras alterações palpáveis. Traz ultrassonografia solicitada pelo clínico geral descrevendo linfonodomegalia arredondada, única em nível II direito de 2,1 cm, com hilo central não caracterizado.Sobre o caso, assinale a alternativa correta.
  1. AA ultrassonografia associada ao perfil da paciente torna a possibilidade de neoplasia baixa, estando indicada a investigação com sorologias.
  2. BA ultrassonografia não é um exame adequado para investigação inicial desse caso, e deve ser solicitada tomografia computadorizada de face e pescoço.
  3. CNão há indicação de realização de oroscopia, uma vez que a paciente é não tabagista.
  4. DDeve-se prosseguir a investigação diagnóstica, uma vez que há sinais de alarme para neoplasia nas informações apresentadas.
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GabaritoD — Deve-se prosseguir a investigação diagnóstica, uma vez que há sinais de alarme para neoplasia nas informações apresentadas.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Linfonodomegalia cervical: sinais de alarme e investigação diagnóstica

Gabarito: letra D. A paciente apresenta linfonodo cervical único, arredondado, com 2 cm, de consistência firme e crescimento relatado, e a ultrassonografia revela hilo central não caracterizado — conjunto de características que configura sinais de alarme para neoplasia, impondo a continuidade da investigação diagnóstica (biópsia/punção). A conduta correta não é tranquilizar com sorologias, nem trocar o exame de imagem, nem dispensar a oroscopia com base apenas no tabagismo.

A linfonodomegalia cervical é um achado extremamente comum na prática clínica, e o grande desafio é separar as causas benignas e autolimitadas (infecciosas, na grande maioria) daquelas que representam neoplasia — linfoma, leucemia ou metástase de tumor de cabeça e pescoço. O raciocínio começa pela história e exame físico: duração, localização, consistência, mobilidade, sinais flogísticos e sintomas sistêmicos. No caso, a paciente nega febre, sudorese noturna, perda de peso e infecções recentes — ou seja, não há elementos que apontem para uma causa infecciosa ativa. O nódulo é firme, indolor, móvel, sem sinais flogísticos, e a paciente refere crescimento, o que já acende um alerta.

A ultrassonografia é o exame de imagem inicial adequado para avaliar linfonodos cervicais, e suas características ajudam a estimar o risco de malignidade. Linfonodos reacionais (benignos) tipicamente têm formato ovalado/alongado, com hilo central ecogênico preservado e vascularização hilar. Já linfonodos suspeitos de malignidade costumam ser arredondados (relação eixo curto/eixo longo > 0,5), com perda do hilo central, hipoecogenicidade, margens irregulares e vascularização periférica ou mista ao Doppler. No caso, o laudo descreve linfonodo arredondado com hilo central não caracterizado — exatamente o padrão ultrassonográfico que sugere malignidade.

A conduta diante de uma linfonodomegalia cervical com características suspeitas não é observar por semanas nem solicitar apenas sorologias. A investigação deve prosseguir com a busca ativa do tumor primário (oroscopia, laringoscopia, exame da tireoide, etc.) e, na ausência de causa evidente, a biópsia excisional do linfonodo é o passo definitivo para o diagnóstico. A oroscopia, em particular, é parte fundamental da propedêutica de um linfonodo cervical suspeito, independentemente do tabagismo — o carcinoma de células escamosas de orofaringe pode ocorrer em não tabagistas, especialmente associado ao HPV. A tomografia computadorizada pode ser útil no estadiamento, mas não substitui a ultrassonografia como exame inicial, que já foi realizada e já forneceu dados suficientes para indicar a investigação invasiva.

A pegadinha central desta questão é a tentativa de minimizar o caso: a paciente é jovem (48 anos), não tabagista, sem sintomas B, e o nódulo é móvel e indolor — características que poderiam sugerir benignidade. No entanto, a associação de crescimento relatado, consistência firme, formato arredondado e hilo ausente à ultrassonografia sobrepõe-se a esses fatores e configura sinais de alarme que não podem ser ignorados. A banca explora exatamente essa falsa sensação de segurança.

Guarde o critério que separa as alternativas: a presença de sinais de alarme (crescimento, firmeza, formato arredondado, perda do hilo) impõe investigação diagnóstica com biópsia, e não conduta expectante ou exames inespecíficos.

Critério

Caso da paciente (D)

Conduta inadequada (A/B/C)

Ultrassonografia

Linfonodo arredondado, hilo central não caracterizado (sinais de alarme)

A: considera baixa suspeita; B: considera exame inadequado

Conduta indicada

Prosseguir investigação diagnóstica (biópsia/oroscopia)

A: sorologias; B: TC como exame inicial; C: dispensar oroscopia

Fundamento

Crescimento + firmeza + perda do hilo = suspeita de neoplasia

Ignoram sinais de alarme ou substituem exame inicial adequado

Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma que a ultrassonografia associada ao perfil da paciente torna a possibilidade de neoplasia baixa, indicando investigação com sorologias. O erro é duplo: (1) o perfil ultrassonográfico descrito (linfonodo arredondado, hilo não caracterizado) é justamente o de alta suspeita para malignidade, e não baixa; (2) a paciente não apresenta sintomas ou exposições que sugiram uma causa infecciosa específica a ser investigada com sorologias. A conduta correta é prosseguir para a investigação diagnóstica com biópsia, não solicitar sorologias.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Afirma que a ultrassonografia não é exame adequado para investigação inicial e que deve ser solicitada tomografia computadorizada de face e pescoço. A ultrassonografia é o exame de imagem inicial de escolha para avaliação de linfonodos cervicais, sendo amplamente disponível, sem radiação e capaz de caracterizar o linfonodo (forma, hilo, ecogenicidade, vascularização). A tomografia computadorizada tem papel no estadiamento e na avaliação de extensão, mas não substitui a ultrassonografia como primeiro exame — que, no caso, já foi realizada e já demonstrou sinais de alarme.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Afirma que não há indicação de oroscopia porque a paciente é não tabagista. A oroscopia é parte essencial da propedêutica de qualquer linfonodo cervical suspeito, pois busca o tumor primário de cabeça e pescoço. O carcinoma de orofaringe pode ocorrer em não tabagistas, especialmente associado ao HPV, e a ausência de tabagismo não elimina a necessidade do exame. A oroscopia deve ser realizada independentemente do tabagismo.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa está correta ao afirmar que se deve prosseguir a investigação diagnóstica, pois há sinais de alarme para neoplasia. Os sinais presentes no caso são: crescimento relatado do nódulo, consistência firme, e, principalmente, as características ultrassonográficas de linfonodo arredondado com hilo central não caracterizado — padrão associado a malignidade. A conduta correta é a investigação complementar, incluindo a busca de tumor primário (oroscopia, laringoscopia) e a biópsia do linfonodo para diagnóstico definitivo.

Gabarito: letra D

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