Questão de Medicina — Cirurgia Geral — VUNESP 2025
Medicina›Cirurgia Geral
Código
vu093812
Banca
VUNESP
Órgão
HIAE
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Acesso Direto
Mulher de 65 anos, com antecedente de hipertensão arterial sistêmica e câncer de mama, iniciou quadro de dor abdominal em abdome inferior há 3 dias, associado a febre baixa de 37,9 ºC. Nega alterações de hábito intestinal no período ou previamente, bem como nega náuseas, vômitos, perda de peso e sintomas urinários. Refere episódio prévio de dor semelhante há 6 meses, de menor intensidade, com resolução espontânea. Ao exame físico, encontra-se em bom estado geral, com frequência cardíaca de 82 bpm e pressão arterial de 140 x 90 mmHg. Abdome globoso, normodistendido, ruídos hidroaéreos presentes, sem visceromegalias ou massas palpáveis, doloroso à palpação de hipogastro e fossa ilíaca esquerda, sem sinais de irritação peritoneal. Toque retal sem alterações. Exames laboratoriais iniciais: hemoglobina: 13,2 g/dL; hematócrito: 40%; leucograma: 12.770 µL; amilase: 69 µL (0-110); creatinina: 1,0 mg/dL.Levando em conta a principal hipótese diagnóstica, assinale a alternativa que apresenta a conduta correta nesse momento.
AJejum, sintomáticos e preparo de cólon para colonoscopia.
BJejum, sintomáticos e tomografia computadorizada de abdome com contraste.
CDieta leve sem resíduos, ceftriaxone e metronidazol e tomografia de abdome com contraste.
DSintomáticos, orientações de sinais de alarme e investigação ambulatorial.
Revelar gabarito e comentário▾
GabaritoB — Jejum, sintomáticos e tomografia computadorizada de abdome com contraste.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Dor abdominal aguda em idosa: diverticulite aguda não complicada
Gabarito: letra B. A principal hipótese diagnóstica é diverticulite aguda não complicada (dor em fossa ilíaca esquerda, febre baixa, leucocitose, sem irritação peritoneal), e a conduta correta nesse momento é jejum, sintomáticos e tomografia computadorizada de abdome com contraste para confirmação diagnóstica e estadiamento. As demais alternativas erram ao indicar preparo de cólon (contraindicado na suspeita de diverticulite), antibioticoterapia empírica imediata (reservada para casos complicados ou imunocomprometidos) ou investigação ambulatorial (inadequada diante de um quadro agudo com sinais de alarme).
A diverticulite aguda é a inflamação de divertículos do cólon, mais frequentemente no sigmoide, e representa uma das principais causas de dor abdominal aguda em pacientes idosos. O quadro clássico inclui dor em fossa ilíaca esquerda, febre, alteração do hábito intestinal e leucocitose, mas a apresentação pode ser atípica em idosos, como neste caso, em que a paciente nega alterações intestinais. A tomografia computadorizada com contraste é o exame de escolha para o diagnóstico, pois permite identificar espessamento da parede colônica, divertículos, inflamação da gordura adjacente e complicações como abscessos ou perfuração. A conduta inicial na diverticulite não complicada envolve suporte clínico com jejum ou dieta leve, hidratação, analgesia e, em alguns casos, antibioticoterapia, mas a decisão de usar antibióticos deve ser individualizada, sendo mais reservada para casos complicados ou pacientes imunocomprometidos.
A paciente apresenta sinais de alarme que justificam investigação imediata: idade acima de 65 anos, febre e leucocitose. Conforme a literatura, a idade avançada é um fator de risco para apresentações atípicas e complicações, e a febre aumenta a probabilidade de abdome agudo inflamatório. Portanto, a conduta de investigação ambulatorial (alternativa D) é inadequada, pois o quadro agudo com sinais de alarme exige avaliação diagnóstica imediata. A tomografia computadorizada com contraste é o exame mais sensível e específico para o diagnóstico de diverticulite, permitindo também avaliar a gravidade e orientar a conduta terapêutica.
A alternativa A, que sugere preparo de cólon para colonoscopia, é um erro grave, pois o preparo de cólon é contraindicado na suspeita de diverticulite aguda, podendo aumentar o risco de perfuração. A colonoscopia é um exame eletivo, indicado após a resolução do quadro agudo, para avaliar a presença de divertículos e excluir outras causas, como neoplasia. A alternativa C, que indica antibioticoterapia empírica com ceftriaxone e metronidazol, não é a conduta inicial recomendada para todos os casos de diverticulite não complicada, sendo mais reservada para casos complicados ou pacientes imunocomprometidos. A alternativa D, que sugere investigação ambulatorial, é inadequada diante de um quadro agudo com sinais de alarme.
A distinção fundamental é entre diverticulite não complicada e complicada. Na não complicada, o tratamento é clínico, com suporte e analgesia, e a antibioticoterapia pode ser dispensada em casos selecionados. Na complicada, com abscessos, perfuração ou fístulas, o tratamento pode exigir drenagem percutânea ou cirurgia. A tomografia computadorizada é essencial para essa distinção, pois permite identificar a presença de complicações. A banca explora a confusão entre a conduta inicial e a conduta após a confirmação diagnóstica, bem como a indicação de antibióticos e a contraindicação do preparo de cólon.
1Jejum
2Sintomáticos
3TC de abdome com contraste
LEVEL · soulevel.com.br
Alternativa A — ❌ Incorreta
A alternativa sugere jejum, sintomáticos e preparo de cólon para colonoscopia. O erro está no preparo de cólon, que é contraindicado na suspeita de diverticulite aguda, pois aumenta o risco de perfuração. A colonoscopia é um exame eletivo, indicado após a resolução do quadro agudo, para avaliar a presença de divertículos e excluir outras causas, como neoplasia. O jejum e os sintomáticos são medidas adequadas, mas o preparo de cólon torna a alternativa incorreta.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A alternativa indica jejum, sintomáticos e tomografia computadorizada de abdome com contraste. Essa é a conduta correta na suspeita de diverticulite aguda não complicada. O jejum e os sintomáticos são medidas de suporte, e a tomografia computadorizada é o exame de escolha para confirmar o diagnóstico, avaliar a gravidade e orientar a conduta terapêutica. A tomografia permite identificar espessamento da parede colônica, divertículos, inflamação da gordura adjacente e complicações como abscessos ou perfuração.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A alternativa indica dieta leve sem resíduos, ceftriaxone e metronidazol e tomografia de abdome com contraste. O erro está na antibioticoterapia empírica imediata, que não é a conduta inicial recomendada para todos os casos de diverticulite não complicada. A antibioticoterapia é mais reservada para casos complicados ou pacientes imunocomprometidos. A dieta leve sem resíduos e a tomografia são medidas adequadas, mas a indicação de antibióticos torna a alternativa incorreta.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A alternativa sugere sintomáticos, orientações de sinais de alarme e investigação ambulatorial. O erro está na investigação ambulatorial, que é inadequada diante de um quadro agudo com sinais de alarme, como idade acima de 65 anos, febre e leucocitose. A paciente necessita de avaliação diagnóstica imediata com tomografia computadorizada, e não de investigação ambulatorial. Os sintomáticos e as orientações de sinais de alarme são medidas adequadas, mas a conduta de investigação ambulatorial torna a alternativa incorreta.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre a conduta inicial e a conduta após a confirmação diagnóstica, bem como a indicação de antibióticos e a contraindicação do preparo de cólon. O candidato pode ser induzido a escolher a alternativa C, que parece completa, mas a antibioticoterapia não é indicada para todos os casos de diverticulite não complicada. A alternativa A, com preparo de cólon, é uma armadilha clássica, pois o preparo é contraindicado na fase aguda. A alternativa D, com investigação ambulatorial, ignora os sinais de alarme. Com treino, você identifica essas armadilhas e escolhe a conduta mais adequada.
PEGA ESSA DICA!
Na suspeita de diverticulite aguda, lembre-se da tríade: jejum, sintomáticos e tomografia computadorizada com contraste. A antibioticoterapia é reservada para casos complicados ou imunocomprometidos, e o preparo de cólon é contraindicado na fase aguda. A tomografia é o exame de escolha para confirmar o diagnóstico e avaliar a gravidade.