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Questão de Medicina — Pneumologia — VUNESP 2025

MedicinaPneumologia
Código
vu093827
Banca
VUNESP
Órgão
HIAE
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Acesso Direto
Paciente do sexo masculino de 19 anos de idade procura atendimento por queixa de crises de tosse, sibilos e falta de ar que tem acontecido de maneira quase diária. Tem antecedente pessoal apenas de asma e, apesar de fazer uso adequado de dispositivo inalatório de salbutamol – única medicação de que faz uso –, não tem tido controle de sintomas, o que já motivou duas idas à unidade de pronto atendimento nos últimos 6 meses, com uso de corticoterapia oral. Nunca foi intubado ou internado por crise. Ao exame, encontra-se bem, exceto pela ausculta pulmonar com sibilos difusos, sem desconforto respiratório em repouso e sem fala entrecortada, sem tiragens. Sinais vitais: pressão arterial: 128 x 67 mmHg, frequência cardíaca: 87 bpm, frequência respiratória: 17 ipm, saturação de oxigênio: 98%.Qual a melhor estratégia terapêutica nesse momento?
  1. AReorientação da técnica de uso de dispositivo inalatório e prescrição de salbutamol 100 mcg/dose, 4 puffs, se necessário até a cada 20 minutos por 3 doses.
  2. BAdministração de hidrocortisona 300 mg via endovenosa dose única e manutenção de salbutamol 100 mcg/dose, 2 puffs via inalatória, se necessário até a cada 6 horas.
  3. CIntrodução de formoterol-budesonida 6-200 mcg, 1 puff via inalatória, se necessário até a cada 4 horas.
  4. DPrescrição de Omalizumab 300 mg via subcutânea a cada 4 semanas.
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GabaritoC — Introdução de formoterol-budesonida 6-200 mcg, 1 puff via inalatória, se necessário até a cada 4 horas.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Manejo da asma não controlada: escalonamento terapêutico

Gabarito: letra C. O paciente tem asma não controlada (sintomas quase diários, uso frequente de SABA, duas exacerbações com corticoterapia oral nos últimos 6 meses) e faz uso apenas de salbutamol, sem corticoide inalatório (CI) de manutenção. A melhor estratégia é iniciar tratamento de controle com associação de corticoide inalatório e broncodilatador de longa duração (CI + LABA), na modalidade manutenção e resgate com formoterol-budesonida, conforme recomendam as diretrizes atuais (GINA 2020 e SBPT 2020).

A asma é uma doença inflamatória crônica das vias aéreas, caracterizada por hiperresponsividade brônquica e obstrução variável ao fluxo aéreo. O tratamento é escalonado em etapas, e o objetivo é alcançar o controle dos sintomas e reduzir o risco de exacerbações. O paciente em questão está na Etapa 1 ou 2 do tratamento, mas com claro descontrole: sintomas quase diários, uso de salbutamol como única medicação e duas crises que exigiram corticoterapia oral nos últimos 6 meses. Isso indica que a monoterapia com SABA é insuficiente e que há necessidade de introduzir medicação de controle.

A mudança de paradigma no tratamento da asma, reforçada pelas diretrizes mais recentes, é que o uso isolado de broncodilatador de curta duração (SABA) se associa a piores desfechos. A recomendação atual é que, mesmo em pacientes com sintomas infrequentes, o tratamento deve incluir corticoide inalatório (CI) sempre que necessário, ou a associação CI + formoterol em baixa dose como medicação de manutenção e resgate. Essa estratégia reduz exacerbações graves, necessidade de corticoides orais e admissões em emergência, quando comparada ao uso isolado de SABA.

No caso apresentado, o paciente tem 19 anos, sintomas quase diários, e já teve duas exacerbações que exigiram corticoterapia oral. Ele não está em uso de medicação de controle. A conduta mais adequada é iniciar a associação de formoterol-budesonida 6/200 mcg, 1 puff, se necessário até a cada 4 horas, que funciona tanto como medicação de manutenção quanto de resgate. Essa é a estratégia preferencial para adolescentes e adultos na Etapa 1 ou 2, conforme a GINA 2020.

A alternativa A propõe apenas reorientação da técnica inalatória e manutenção do salbutamol, o que não aborda a necessidade de medicação de controle. A alternativa B propõe hidrocortisona EV em dose única, o que não é indicado para exacerbação leve a moderada sem sinais de gravidade, e mantém apenas salbutamol. A alternativa D propõe omalizumabe, um imunobiológico indicado para asma grave não controlada, o que não se aplica a este paciente, que ainda não fez uso adequado de CI + LABA.

A pegadinha desta questão está em reconhecer que o paciente, apesar de não estar em crise aguda grave, tem asma não controlada e precisa de escalonamento terapêutico. A banca explora a confusão entre o manejo da crise aguda e o tratamento de manutenção da asma. O paciente não está em exacerbação aguda grave (está bem, sem desconforto em repouso, saturação 98%), mas tem sintomas frequentes e uso excessivo de SABA, o que indica necessidade de tratamento de controle.

Asma não controlada
  • 1Sinais de descontrole
    • Sintomas quase diários
    • Uso frequente de SABA
    • 2 exacerbações com corticoide oral em 6 meses
  • 2Tratamento de manutenção (GINA 2020)
    • CI + formoterol (manutenção e resgate)
    • SABA isolado (piores desfechos)
  • 3Escalonamento
    • Etapa 1-2: CI + formoterol baixa dose
    • Etapa 5: imunobiológico (ex.: omalizumabe)
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Alternativa A — ❌ Incorreta

Reorientar a técnica inalatória é sempre importante, mas manter apenas salbutamol como única medicação não é suficiente. O paciente tem sintomas quase diários e já teve duas exacerbações com uso de corticoterapia oral, o que indica necessidade de medicação de controle. A diretriz atual recomenda que o SABA isolado não deve ser usado como único tratamento, e o uso repetido de SABA por ≥ 2 dias consecutivos é sinal de alerta para reintroduzir ou ajustar o tratamento de controle.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A hidrocortisona EV em dose única não é indicada para este paciente, que não está em exacerbação aguda grave. Ele está bem clinicamente, sem desconforto em repouso, com saturação de 98%. A corticoterapia sistêmica é reservada para exacerbações mais graves ou sem resposta ao tratamento inicial. Além disso, manter apenas salbutamol como medicação de resgate não aborda a necessidade de tratamento de controle com CI.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A introdução de formoterol-budesonida 6/200 mcg, 1 puff, se necessário até a cada 4 horas, é a estratégia preferencial para adolescentes e adultos com asma não controlada, conforme a GINA 2020. Essa associação funciona como medicação de manutenção e resgate, reduzindo exacerbações e melhorando o controle dos sintomas. O paciente se beneficiaria dessa abordagem, pois está em uso apenas de SABA e tem sintomas frequentes.

Alternativa D — ❌ Incorreta

O omalizumabe é um anticorpo monoclonal anti-IgE, indicado para asma grave não controlada, em pacientes com fenótipo alérgico, que não respondem ao tratamento com CI + LABA em doses adequadas. Este paciente ainda não fez uso adequado de medicação de controle, portanto, não preenche critérios para uso de imunobiológico. A indicação de omalizumabe seria prematura e inadequada neste momento.

Gabarito: letra C

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