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Questão de Medicina — Cirurgia Geral — VUNESP 2025

MedicinaCirurgia Geral
Código
vu093830
Banca
VUNESP
Órgão
HIAE
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Pré-Requisito em Cirurgia Geral ou em Área Cirúrgica Básica
Homem de 45 anos, com antecedente de colectomia segmentar por diverticulite complicada, refere, há vários meses, episódios recorrentes de estufamento, distensão abdominal e pirose, com melhora parcial ao uso de omeprazol.Foi submetido à seguinte investigação ambulatorial:• Endoscopia digestiva alta: esofagite erosiva grau D segundo a classificação de Los Angeles. Observado conteúdo de estase no estômago. Ausência de hérnia hiatal.• pHmetria esofágica de 24 horas: índice de DeMeester = 66,2 (valor de referência < 14,7). Tempo total de exposição ácida: 18,4%. Número total de episódios de refluxo: 87, sendo 14 com duração superior a 5 minutos.• Tomografia computadorizada de abdome com contraste oral e endovenoso: alças delgadas de fino calibre proximal ao quadrante inferior esquerdo apresentam distensão significativa, com níveis hidroaéreos e redução do calibre em segmento de íleo distal. Progressão parcial do contraste até esse ponto.Na última semana, procurou o pronto-socorro devido à piora dos sintomas, com aumento da distensão abdominal e parada da eliminação de fezes e gases. Encontra-se afebril, em bom estado geral, sem sinais de peritonite.Diante desse quadro, qual deve ser a conduta imediata?
  1. ARealizar laparotomia imediata com lise de aderências e fundoplicatura.
  2. BIndicar fundoplicatura laparoscópica.
  3. CSolicitar colonoscopia diagnóstica para afastar neoplasia obstrutiva.
  4. DIniciar tratamento clínico com hidratação venosa e sonda nasogástrica para descompressão gástrica.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — Iniciar tratamento clínico com hidratação venosa e sonda nasogástrica para descompressão gástrica.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Obstrução intestinal pós-operatória: conduta imediata

Gabarito: letra D. O paciente apresenta quadro clínico e tomográfico compatível com obstrução intestinal de delgado, provavelmente por bridas pós-operatórias (antecedente de colectomia), sem sinais de peritonite ou sofrimento de alça. A conduta imediata é o tratamento clínico conservador, com hidratação venosa e descompressão gástrica por sonda nasogástrica, reservando a cirurgia para falha do tratamento clínico ou complicações.

A obstrução intestinal é uma interrupção do trânsito normal do conteúdo intestinal, que pode ser mecânica (barreira física ao trânsito) ou funcional (íleo paralítico, sem barreira). No pós-operatório de cirurgia abdominal, a causa mais comum de obstrução mecânica do intestino delgado é a brida ou aderência — uma banda de tecido fibroso que se forma entre alças intestinais ou entre alça e parede abdominal, estrangulando o intestino. O quadro clássico é a tríade de dor abdominal em cólica, distensão e parada de eliminação de fezes e gases, podendo haver náuseas e vômitos.

A tomografia computadorizada é o exame de escolha na suspeita de obstrução. Os achados de alças delgadas distendidas com níveis hidroaéreos, com um ponto de transição (redução do calibre) e progressão parcial do contraste até esse ponto, são típicos de obstrução mecânica de delgado. A presença de contraste distal ao ponto de obstrução sugere obstrução parcial, o que é um bom sinal prognóstico e reforça a possibilidade de tratamento clínico inicial.

O tratamento da obstrução intestinal por bridas, na ausência de sinais de alarme (peritonite, dor intensa e contínua, taquicardia, febre, leucocitose, sinais de sofrimento de alça na TC como pneumatose ou ausência de realce da parede), é inicialmente clínico e conservador. Consiste em: jejum, hidratação venosa, correção de distúrbios hidroeletrolíticos e descompressão gástrica com sonda nasogástrica (para aliviar a distensão, reduzir náuseas/vômitos e o risco de broncoaspiração). A maioria dos casos de obstrução por brida resolve com essa conduta em 48 a 72 horas. A cirurgia fica indicada quando há falha do tratamento clínico (ausência de melhora em 48–72h), sinais de estrangulamento ou peritonite, ou obstrução completa com sinais de sofrimento de alça.

A grande pegadinha desta questão é a presença de um problema concomitante: o paciente tem esofagite erosiva grau D (Los Angeles) com pHmetria alterada, configurando doença do refluxo gastroesofágico (DRGE) grave. Isso poderia levar o candidato a pensar em tratamento cirúrgico do refluxo (fundoplicatura). No entanto, o quadro AGUDO que motiva a ida ao pronto-socorro é a obstrução intestinal, que tem prioridade absoluta. A fundoplicatura é um procedimento eletivo, que não deve ser realizado no contexto de uma obstrução intestinal aguda — seria um erro grave operar um paciente com abdome obstrutivo para tratar o refluxo. A conduta imediata é tratar a obstrução; o refluxo será abordado depois, eletivamente.

Outra pegadinha é a alternativa que sugere colonoscopia para afastar neoplasia obstrutiva. Embora o paciente tenha antecedente de diverticulite (fator de risco para câncer colorretal) e a colonoscopia seja recomendada 6 a 8 semanas após um episódio de diverticulite para rastreio de neoplasia, o quadro atual é de obstrução de INTESTINO DELGADO (alças delgadas distendidas, ponto de transição em íleo distal), não de cólon. A colonoscopia não avalia o delgado e não é o exame para diagnosticar obstrução por brida. Além disso, a conduta imediata na obstrução aguda não é diagnóstica, é terapêutica (clínica).

  1. 1Avaliar sinais de alarme
  2. 2Sem alarme → clínico
  3. 3Jejum + hidratação venosa
  4. 4SNG para descompressão
  5. 5Reavaliar em 48–72h
  6. 6Falha → cirurgia
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Alternativa A — ❌ Incorreta

A laparotomia imediata com lise de aderências e fundoplicatura é duplamente errada. Primeiro, a laparotomia imediata não é indicada na obstrução por brida sem sinais de complicação (o paciente está afebril, sem peritonite, em bom estado geral) — o tratamento inicial é clínico. Segundo, realizar uma fundoplicatura (cirurgia para DRGE) no mesmo ato de uma laparotomia de urgência por obstrução é um absurdo técnico: a fundoplicatura é procedimento eletivo, e operar o refluxo num abdome obstrutivo agudo aumenta enormemente o risco cirúrgico e não trata a urgência.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A fundoplicatura laparoscópica trata a DRGE, que é um problema crônico do paciente (esofagite grau D). Porém, a urgência atual é a obstrução intestinal. Indicar cirurgia eletiva do refluxo neste momento é ignorar o quadro agudo e colocar o paciente em risco desnecessário. A fundoplicatura poderá ser considerada futuramente, após a resolução da obstrução e com o paciente estável, se os sintomas de refluxo persistirem apesar do tratamento clínico otimizado.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A colonoscopia diagnóstica não é a conduta imediata e não é o exame indicado. A obstrução é de intestino delgado (íleo distal), e a colonoscopia avalia apenas o cólon — não alcança o delgado. Embora o antecedente de diverticulite justifique rastreio de neoplasia colorretal com colonoscopia, isso deve ser feito de forma eletiva, 6 a 8 semanas após a resolução do quadro agudo, e não na vigência de uma obstrução. Além disso, a conduta imediata na obstrução aguda é terapêutica (clínica), não diagnóstica.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Esta é a conduta imediata correta. O paciente tem obstrução intestinal de delgado por provável brida pós-operatória, sem sinais de peritonite ou sofrimento de alça. O tratamento inicial é clínico: hidratação venosa (para corrigir desidratação e distúrbios hidroeletrolíticos decorrentes dos vômitos e do sequestro de líquido no lúmen intestinal) e sonda nasogástrica para descompressão gástrica (para aliviar a distensão, reduzir náuseas/vômitos e prevenir broncoaspiração). Essa conduta resolve a maioria dos casos de obstrução por brida em 48–72 horas. A cirurgia fica reservada para falha do tratamento clínico ou aparecimento de complicações.

NÃO CAIA NESSA!

A banca mistura dois problemas do mesmo paciente: a DRGE grave (esofagite grau D) e a obstrução intestinal aguda. O candidato pode se fixar no refluxo e escolher a fundoplicatura (alternativas A ou B), mas a urgência é a obstrução — e a conduta imediata é sempre tratar a urgência. A colonoscopia (alternativa C) é um distrator que explora o antecedente de diverticulite, mas o exame não avalia o delgado obstruído. Guarde: obstrução por brida sem sinais de alarme = tratamento clínico com SNG e hidratação.

PEGA ESSA DICA!

Na obstrução intestinal, decore os sinais de alarme que indicam cirurgia imediata: peritonite, dor contínua e intensa, febre, taquicardia, leucocitose, e na TC sinais de sofrimento de alça (pneumatose intestinal, ausência de realce da parede, líquido livre). Ausência desses sinais = tentar tratamento clínico primeiro. E lembre: a colonoscopia pós-diverticulite é eletiva, 6–8 semanas após o episódio, para rastreio de neoplasia — nunca na urgência.

Gabarito: letra D

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